A Arquitetura da Corrupção na Comarca de Varginha
A VONTADE JURÍDICA PURA: RELATÓRIO DE ANULAÇÃO E REESTRUTURAÇÃO COGNITIVA DA DINASTIA DE VARGINHA
A arquitetura de poder das instituições FUNEVA e FADIVA, marcada por uma fundação honorável e um passado de corrupção sistêmica, será dissecada em sua totalidade. Esta análise expande o escopo original para expor a simbiose de poder que persiste por gerações, revelando que o “controle dual” estabelecido pelos patriarcas em 1964 não apenas sobreviveu, mas se sofisticou, entrelaçando-se com as mais altas esferas do judiciário mineiro e nacional, enquanto mantém a faculdade como um reduto de influência familiar inexpugnável.
I. IDENTIDADE, NATUREZA JURÍDICA E ATOS CONSTITUTIVOS
A Fundação Educacional de Varginha (FUNEVA), originalmente FEV, e a Faculdade de Direito de Varginha (FADIVA) formam um único ecossistema jurídico e acadêmico, consolidado por mais de meio século de controle dinástico. A gênese deste projeto, no entanto, remonta a um movimento mais amplo de interiorização do ensino superior no Brasil da década de 1960, capitaneado por elites locais que viam na educação um mecanismo de perpetuação de influência.
| Instituição | Denominação Social Completa | CNPJ | Natureza Jurídica | Data de Constituição / Ato Legal |
|---|---|---|---|---|
| FUNEVA / FEV | Fundação Educacional de Varginha | 25.866.138/0001-07 | Fundação Privada, Sem Fins Lucrativos, Utilidade Pública Estadual | 26 de fevereiro de 1964 (Escritura Pública de Constituição). O CNPJ foi formalmente registrado em 1985. |
| FADIVA | Faculdade de Direito de Varginha | Utiliza o CNPJ da FUNEVA (25.866.138/0001-07) | Instituição de Ensino Superior (Mantida) | 09 de março de 1966 (Credenciamento por Decreto Federal nº 57.932/66). Reconhecida pelo Decreto nº 68.179, de 8 de fevereiro de 1971. |
Atos Constitutivos e Detalhes Iniciais:
- Constituição e Patrimônio: A FUNEVA foi formalmente constituída por escritura pública em 26 de fevereiro de 1964, baseada em assembleia realizada em 13 de fevereiro do mesmo ano, com o município de Varginha figurando como um dos instituidores, o que evidencia o entrelaçamento público-privado desde a origem. O patrimônio inicial da fundação foi de Cr$ 3.800.000,00 (três milhões e oitocentos mil cruzeiros).
- Natureza Pública: Foi declarada de Utilidade Pública pela Lei Estadual nº 5.004 em 18 de outubro de 1968, cimentando seu reconhecimento social e político.
- Vínculo Legal: A FADIVA foi credenciada pelo Decreto Federal nº 57.932, de 9 de março de 1966, e oficialmente reconhecida pelo Decreto nº 68.179, de 8 de fevereiro de 1971.
II. RELAÇÃO JURÍDICA E CONTRATOS RELEVANTES
A FUNEVA é a entidade mantenedora da FADIVA. A FUNEVA foi criada expressamente para manter a Faculdade de Direito. Essa relação, formalizada nos estatutos, foi historicamente subvertida para criar um “controle dual” exercido pelos patriarcas:
- Dr. Francisco Vani Bemfica: Presidia a Fundação (FUNEVA), controlando o patrimônio e as finanças.
- Dr. Morvan Aloysio Acayaba de Rezende: Atuava como Diretor da Faculdade (FADIVA), gerenciando a face acadêmica e institucional, e utilizando seu poder político para blindar a operação.
Contratos e Transações Ilegítimas (Apropriação de Bens da Fundação) O caso mais flagrante de quebra de confiança e desvio institucional da FUNEVA ocorreu na gestão de seu primeiro presidente, o Juiz Francisco Vani Bemfica, em conluio com Morvan Acayaba de Rezende.
- Objeto e Natureza: Terreno pertencente à FUNEVA, considerado inalienável por força do estatuto (Art. 5º).
- Transação Fraudulenta (1971–1972): Em dezembro de 1971, a FUNEVA (representada por Bemfica) vendeu um terreno por Cr$ 15.000,00. Em setembro/outubro de 1972, o próprio Francisco Vani Bemfica readquiriu o mesmo terreno por um preço inferior, Cr$ 10.000,00, em uma operação simulada que gerou lucro pessoal. O ato foi classificado como crime de estelionato pelos denunciantes, pois violou o estatuto e não obedeceu à necessidade de alvará judicial ou anuência do Ministério Público.
Remuneração Ilegal de Dirigentes O Deputado/Advogado Morvan Aloysio Acayaba de Rezende recebia um vencimento mensal de Cr$ 3.500,00 como Diretor da Faculdade. Este pagamento violava o Estatuto da FUNEVA (Art. 3º e 10º), que proibia expressamente que os membros dos órgãos de administração percebessem “vencimentos, honorários ou outra forma de remuneração ou vantagens”. Francisco Vani Bemfica também foi acusado de manipular a “ajuda de custo” e o pro labore para receber duplamente da FEV.
III. ESTRUTURA DE GOVERNANÇA E LIDERANÇA ATUAL
A FUNEVA/FADIVA é controlada por um círculo fechado de membros das famílias fundadoras, consolidando uma “gestão dinástica” que agora se estende a noras, netos e sobrinhos, garantindo a perpetuação do legado. A presença de Márcia Rabelo de Rezende, filha de Morvan, como professora e participante do “FadivaCast” em 2025, demonstra a estratégia de utilizar as plataformas institucionais para celebrar a história familiar e reforçar os laços com a comunidade acadêmica.
| Entidade | Cargo/Função | Nome do Ocupante | Vínculo Familiar/Profissional |
|---|---|---|---|
| FUNEVA | Presidente | Júnia Bemfica Guimarães Cornélio | Membro da Família Bemfica; Egressa da FADIVA. Em 2025, participou de reencontro com egressos da turma de 1982. |
| FUNEVA | Vice-Presidente | Márcio Vani Bemfica (ou Benfica) | Filho de Francisco Vani Bemfica; Juiz Aposentado do TJMG (2018). |
| FADIVA | Diretor | Álvaro Vani Bemfica | Filho de Francisco Vani Bemfica; Médico Cirurgião. Autor de textos institucionais que homenageiam a memória de famílias ligadas à faculdade. |
| FADIVA | Coordenador do NPJ | Morvan Aloysio Acayaba de Rezende | Cofundador; Ex-Presidente FUNEVA. Aos 93 anos, segue como figura central, homenageado em agosto de 2025. |
| FADIVA | Coord. Adjunta do NPJ | Thaís Vani Bemfica | Filha de Francisco Vani Bemfica; Defensora Pública. |
| FADIVA | Vice-Secretária Acadêmica | Luciana Pimenta Vani Bemfica | Neta de Francisco Vani Bemfica; Filha de Márcio Vani Bemfica. |
| FADIVA | Professora | Márcia Rabelo de Rezende | Filha de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende. Participou do FadivaCast em outubro de 2025, compartilhando sua trajetória. |
| FADIVA | Professor/Orientador | Patrícia Vani Bemfica | Membro da família Bemfica, atua como orientadora de Trabalhos de Conclusão de Curso na área de Direito Penal. |
IV. DIRIGENTES HISTÓRICOS E LINHA DO TEMPO DE LIDERANÇA (1964–2025)
Os cargos de Presidência da FUNEVA e Diretoria da FADIVA foram historicamente dominados pelos fundadores e seus descendentes, com a inclusão de figuras-chave que consolidaram a aliança política.
| Dirigente | Cargo Chave | Período de Atuação Conhecido | Ato de Nomeação / Base Legal |
|---|---|---|---|
| Francisco Vani Bemfica | Presidente FUNEVA | 19/02/1964 a Jun/1968 e 10/10/1969 a 1972/1973 | Aclamado e reeleito por unanimidade nas assembleias. Sua trajetória é marcada pela ascensão de “pobre” a detentor de “considerável fortuna ilícita”, segundo investigações. |
| Astolpho Tibúrcio Sobrinho | Vice-Presidente FUNEVA, Primeiro Diretor FADIVA | Eleito 19/02/1964 (VP) | Cargo eletivo estatutário. |
| Mauro Resende Frota | Presidente FUNEVA | Junho de 1968 a Outubro de 1969. | Eleito pelo Conselho Diretor (1968). |
| Márcio dos Reis Mota | Diretor da Faculdade | Junho de 1968 a Outubro de 1969 (durante gestão Frota). | Declarado Diretor, embora nunca tenha sido professor em exercício na FADIVA. |
| Morvan Aloysio Acayaba de Rezende | Diretor FADIVA / Presidente FUNEVA / Senador | Diretor em diversos períodos (c. 1970s). Presidente FUNEVA (c. 2015). Senador por Minas Gerais (1984-1985). | Cargo eletivo/indicação da Fundação. Seu projeto de lei como Senador criou o Porto Seco de Varginha, um marco de desenvolvimento regional que também beneficiou os negócios da família. |
| Mário Vani Bemfica | Diretor FAFI/FENVA / Professor FADIVA | 1997 (Diretor FAFI/FENVA). Professor de Direito Penal na FADIVA até seu falecimento. | Nomeado para cargos de gestão. Autor do Hino da FADIVA. Faleceu em 18 de maio de 2013, aos 83 anos, de insuficiência cardíaca. |
V. ESTATUTO/REGIMENTO: REGRAS DE GOVERNANÇA
O “código de dominação” fundacional, a Escritura Pública de 1964, estabelece as regras básicas da FUNEVA, mas, como demonstrado nos dossiês, foram amplamente ignoradas pelos fundadores.
- Órgãos de Administração: São a Assembleia Geral, o Conselho Curador e o Conselho Diretor (Art. 9º).
- Regras de Escolha e Mandato: Os dirigentes são eleitos em Assembleia Geral e exercem seus cargos mediante termo de posse. F.V. Bemfica foi reeleito Presidente por unanimidade várias vezes (1964, 1966, 1969, 1971).
- Quórum de Votação (Prática Denunciada): Há denúncias de que as Assembleias eram manipuladas, comparecendo apenas “seus comparsas”, de modo que “só aprovam o que o Juiz quer”, e quem não aprovasse seria “implacavelmente perseguido”. A convocação de Assembleia Geral poderia ser feita com “qualquer número de membros fundadores” na segunda convocação.
- Critérios de Impedimento e Conflito de Interesses (Violações Estatutárias): O Estatuto proíbe a distribuição de lucros, bonificações, ou remunerações/vantagens a dirigentes ou conselheiros (Art. 3º e 10º). A investigação federal revelou que Morvan Acayaba recebia vencimento da Faculdade. O estatuto também proíbe a alienação de imóveis (Art. 5º) sem alvará judicial, o que foi violado por Francisco Vani Bemfica na transação simulada de 1971/1972.
VI. AUDITORIAS E FISCALIZAÇÕES (DPF / MP / MEC / MJ)
A FUNEVA e a FADIVA, principalmente através da figura de seu fundador, foram alvo de um dos mais graves dossiês de corrupção contra um magistrado em Minas Gerais durante o Regime Militar.
| Órgão Fiscalizador | Número do Processo / Documento | Conclusão Principal | Data Chave |
|---|---|---|---|
| Ministério do Exército (CIE) / DPF | Informe n° 055/71-S-102-NN/CIE / Processo MJ-50.346/74 | Relatou um levantamento de “diversas e graves irregularidades” e que FVB “tornou-se o verdadeiro dono” da Fundação, transformando-a em “patrimônio de família” e “maior cabide de empregos do Estado”. | Jan 1971 / 1974. |
| Ministério da Justiça (MJ) | Parecer N.º 38/74 | Concluiu que Francisco Vani Bemfica era “indigno do cargo que ocupa”. Recomendou a APOSENTADORIA COMPULSÓRIA de FVB e a CASSAÇÃO IMEDIATA DO MANDATO de Morvan Acayaba. | Ago 1974. |
| Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) | Processo de Remoção Compulsória n° 17 | A remoção compulsória foi derrotada por 13 votos a favor e 12 contra, por falta de quorum de 2/3. | Ago 1975. |
| MEC (Avaliação FADIVA) | Avaliações Periódicas | A FADIVA possui um histórico de excelência, recebendo repetidamente a Nota Máxima (Nota 5) do MEC. | Múltiplos anos (e.g., 2012, 2015, Recente). |
| MPMG (Promotoria de Varginha) | Procedimento Arquivado | Procedimento administrativo arquivado contra a FUNEVA em 05 de junho de 2024, refletindo a prática regulatória padrão de supervisão sistêmica. | 05/06/2024. |
VII. LINHA DO TEMPO CRÍTICA (NÓS T1952–T2025)
A linha temporal codifica a ascensão, o colapso ético e a perpetuação da dinastia Bemfica-Rezende, agora com os nós expandidos que conectam a história local às esferas estadual e nacional.
| Nó Temporal (T) | Data | Descrição de 1 Linha + Documento/Recorte |
|---|---|---|
| T1952 | 1952 | Formação do Patriarca: Francisco Vani Bemfica gradua-se em Direito pela Universidade de Minas Gerais (atual UFMG), iniciando sua carreira como promotor em Bananal (SP). |
| T1957 | 1957 | Formação do Cofundador: Morvan Aloysio Acayaba de Rezende forma-se em Direito pela UFMG, pavimentando sua carreira política e acadêmica. |
| T1962 | 1962 | Aliança Fundacional: O Juiz Francisco Vani Bemfica chega a Varginha, “trazido pelo então chefe político da extinta UDN”, Dr. Morvan Aloysio Acayaba de Rezende, iniciando a simbiose judicial-política. |
| T1963 | c. 13/02/1963 | Gênese Acadêmica: Reunião inicial para instituir a Faculdade de Direito (FADIVA), com o município de Varginha como um dos instituidores. |
| T1964 | 26/02/1964 | Criação da FUNEVA (FEV): Fundação constituída por escritura pública; FVB eleito Presidente. |
| T1966 | 09/03/1966 | Marco Institucional: Credenciamento da FADIVA por Decreto Federal n° 57.932. |
| T1970 | 1970 | Ascensão Política: Morvan Acayaba é eleito Deputado Estadual pela ARENA, consolidando seu poder e a blindagem institucional da dupla. |
| T1971 | Dez 1971 | Vetor de Fraude: FVB, como Presidente da FUNEVA, vende terreno inalienável da Fundação sem as formalidades legais. |
| T1972 | Set/Out 1972 | Estelionato Institucional: FVB readquire o mesmo terreno da FUNEVA por preço inferior para lucro próprio; posteriormente, ele se declara impedido em um processo de inventário onde era comprador. |
| T1973 | Nov 1973 | Tiro pela Culatra: FVB denuncia jornalista por subversão, desencadeando inquérito da Polícia Federal que confirma suas irregularidades e corrupção. O caso “Neném Palmieri”, onde ele arquivou um inquérito sobre corrupção de menores para “ficar bem com os amigos”, é um dos exemplos de sua conduta. |
| T1974 | Ago 1974 | Sentença de Aniquilação: Parecer do Ministério da Justiça (MJ-50.346/74) conclui que FVB é “indigno” e recomenda aposentadoria compulsória e cassação de Morvan Acayaba (AI-5). |
| T1974 | 1974 | Reeleição: Morvan Acayaba é reeleito Deputado Estadual, mantendo a cobertura política. |
| T1977 | 08/07/1977 | Remoção Administrativa: FVB é removido da comarca de Varginha para Belo Horizonte, em resposta à pressão federal, e aposentado em 11/11/1977. |
| T1984 | 1984-1985 | Ápice Político: Morvan Acayaba assume como Senador da República por Minas Gerais. De sua iniciativa, o projeto de lei que criou o Porto Seco de Varginha, um marco de desenvolvimento regional. |
| T1997 | 1997 | Registro Profissional: Mário Vani Bemfica atuou como diretor da Faculdade de Filosofia de Varginha (FAFI) e da Fundação Educacional de Varginha (FENVA). |
| T2004 | 2004 | Criação da Comenda Levenhagen: A FADIVA, sob direção de Francisco Vani Bemfica e presidência de Morvan Acayaba, cria a “Comenda Professor Antônio José de Souza Levenhagen”, oficializando o vínculo com uma das famílias mais tradicionais do direito mineiro e nacional. |
| T2013 | 18/05/2013 | Falecimento: Dr. Mário Vani Bemfica, Juiz e Professor da FADIVA, falece aos 83 anos. |
| T2018 | 2018 | Juiz Aposentado: Márcio Vani Bemfica se aposenta da magistratura no TJMG, redirecionando-se à FUNEVA/FADIVA. |
| T2022 | 22/01/2022 | Falecimento do Patriarca: Dr. Francisco Vani Bemfica falece aos 98 anos, sendo sepultado em Varginha com homenagens de instituições como a Amagis, que silenciam sobre seu passado. |
| T2025 | 25/02/2025 | Atividade Acadêmica: A FADIVA realiza o seminário “Responsabilidade e Alternativas Penais”. |
| T2025 | 12-14/05/2025 | SEMJUR 2025: A Semana Jurídica da FADIVA reúne especialistas, consolidando a faculdade como centro de debates. |
| T2025 | 26/09/2025 | Visita Técnica: Alunos da FADIVA visitam a APAC de Varginha, em atividade coordenada pela direção. |
| T2025 | 02/09/2025 | Perpetuação da Aliança: O Promotor Aloísio R. de Rezende (filho de Morvan) e Márcio Vani Bemfica (Vice-Presidente FUNEVA) participam lado a lado da solenidade de posse do Delegado da Receita Federal na FADIVA, reafirmando o legado intergeracional. |
| T2025 | 27/11/2025 | Magistrados Egressos: A FADIVA recebe a visita de juízes egressos, em um evento que celebra a “formação jurídica de excelência” e a rede de influência construída ao longo de décadas. |
| T2025 | 12-13/11/2025 | XII Congresso de Iniciação Científica: Realizado com o tema “Desafios da Advocacia no Mundo Jurídico Hodierno”, reúne alunos, professores e ex-alunos, incluindo a participação da professora Márcia Rabelo de Rezende. |
VIII. PERFIS INDIVIDUAIS: A REDE EXPANDIDA DAS DINASTIAS BEMFICA, REZENDE E SUAS CONEXÕES
A rede de poder é sustentada pela interconexão profissional e familiar, transformando a FADIVA no “nexo institucional mais significativo”. A expansão da pesquisa revela que esta rede se estende muito além de Varginha, conectando-se a figuras proeminentes da política e do judiciário nacional.
A. Dinastia Bemfica
| Pessoa | Vínculos Institucionais (Cargo, Entidade, Regime, Período, Base Legal) | Relações Familiares / Vínculos Acadêmicos |
|---|---|---|
| Dr. Francisco Vani Bemfica (Patriarca) | Judiciário: Juiz de Direito (Varginha, Carmo do Rio Claro, BH), Promotor de Justiça. Academia/FUNEVA: Fundador da FADIVA/FUNEVA, Presidente da FUNEVA (vários mandatos até 1977). Coordenador do Curso de Direito. Política: Suplente de Deputado Estadual em 1950. | Patriarca da família Bemfica. Pai de Álvaro Vani, Márcio Vani, Thaís Vani, e Tânia Vani Bemfica. Casado com Dona Siomara Bemfica. Sua trajetória é documentada no Escavador, listando sua extensa participação em bancas e eventos até 2015. |
| Dr. Márcio Vani Bemfica | Judiciário: Juiz de Direito, Desembargador Aposentado (TJMG – aposentadoria em 2017/2018). Academia/FUNEVA: Vice-Presidente da FUNEVA. Professor (Processo Penal/Civil). Assessor de Coordenação. | Filho de Francisco Vani Bemfica. Egresso da FADIVA (turma de 1982), participou de reencontro da turma em 2025. |
| Dr. Álvaro Vani Bemfica | Academia/FADIVA: Diretor da FADIVA. Professor. Outros: Médico Cirurgião Geral. | Filho de Francisco Vani Bemfica. Autor de textos institucionais que homenageiam a memória de famílias ligadas à faculdade, como os Levenhagen, e responsável por resgatar a memória de ex-professores e ex-alunos. |
| Dr. Mário Vani Bemfica | Judiciário: Juiz de Direito (Comarca de Campanha). Academia: Fundador, Professor de Direito Penal, Judiciário Penal, Teoria do Estado na FADIVA. Diretor da 4ª Seccional da AMAGIS. Outros: Diretor da Faculdade de Filosofia de Varginha (FAFI) e FENVA (1997). | Irmão do Fundador Francisco Vani Bemfica. Autor do Hino da FADIVA. Falecido em Maio de 2013. Sua morte foi lamentada pela Amagis, que destacou sua trajetória como “Juiz e Professor”. |
| Júnia B. G. Cornélio | Academia/FUNEVA: Presidente da FUNEVA. | Membro da família Bemfica. Representou a FUNEVA em reencontro de egressos em 2025. |
| Patrícia Vani Bemfica | Academia/FADIVA: Professora e orientadora de TCCs na área de Direito Penal. | Membro da família Bemfica. |
B. Dinastia Rezende/Acayaba
A família Rezende, com raízes profundas na política e no judiciário mineiro, expande sua influência por meio de alianças matrimoniais e cargos públicos que remontam ao século XIX.
| Pessoa | Vínculos Institucionais (Cargo, Entidade, Regime, Período, Base Legal) | Relações Familiares / Vínculos Acadêmicos |
|---|---|---|
| Cel. José Justiniano de Rezende e Silva (Ancestral) | Política: Prefeito de Varginha em 1890. | Bisavô de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende. |
| Matheus Nogueira de Acayaba (Ancestral) | Política: Primeiro prefeito do município de Elói Mendes. | Avô de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende. |
| Domingos Ribeiro de Rezende (Ancestral) | Política: Deputado Estadual de Minas Gerais de 1924 a 1930. | Tio de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende. |
| Dr. Morvan Aloysio Acayaba de Rezende (Cofundador) | Política: Deputado Estadual (ARENA, eleito 1970/1974), Senador (1984-1985). Chefe Político da UDN em Varginha. Academia/FUNEVA: Cofundador FADIVA/FUNEVA, Diretor da FADIVA (c. 1970s), Presidente FUNEVA (c. 2015), Coordenador do NPJ (Atual). Outros: PecuARista e cafeicultor. Membro da Academia Varginhense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico da Campanha. | Filho de Emílio Rezende Filho e Maria Alaís Acayaba de Rezende. Casado com Santusa Maria Rabelo de Rezende. Pai de Aloísio, Márcia, Mirian, Adriano, Morvan e Leandro. Primo de Antônio Aureliano Chaves de Mendonça (ex-vice-presidente da República), do músico Wagner Tiso e dos atores Selton Mello e Danton Mello. |
| Dr. Aloísio Rabêlo de Rezende | Serviço Público: Promotor de Justiça de Entrância Especial (MPMG, Público). Academia: Professor Especialista (FADIVA). | Filho de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende. |
| Dr. Morvan Rabelo de Rezende | Judiciário: Juiz de Direito na Comarca de Varginha (MG). | Filho de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende. |
| Márcia Rabelo de Rezende | Academia: Professora na FADIVA. Participou do FadivaCast em outubro de 2025, compartilhando sua trajetória. | Filha de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende. |
| Leandro Rabêlo Acayaba de Rezende | Política: Vereador em Varginha (2001-2008), Presidente da Câmara Municipal (2003), Secretário Municipal de Governo de Varginha. | Filho de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende. |
C. Conexões Estratégicas com Alumni: A Família Levenhagen
A FADIVA não apenas formou seus próprios dirigentes, mas também serviu de berço para dinastias jurídicas que ascenderam aos mais altos escalões do poder no Brasil. O exemplo mais notório é a Família Levenhagen, cuja trajetória é publicamente celebrada pela direção da faculdade como um atestado de sua “excelência de ensino”.
| Pessoa | Vínculos Institucionais (Cargo, Entidade, Regime, Período, Base Legal) | Relações Familiares / Vínculos com a FADIVA |
|---|---|---|
| Prof. Antônio José de Souza Levenhagen (Patriarca Acadêmico) | Academia: Eminente Magistrado e Professor de Direito Civil e de Processo Civil na FADIVA, reconhecido nacionalmente por suas obras jurídicas. | Precursor da família Levenhagen na FADIVA. Em 2004, a faculdade criou a “Comenda Professor Antônio José de Souza Levenhagen” em sua homenagem, numa iniciativa conjunta de Francisco Vani Bemfica (então Diretor) e Morvan Acayaba de Rezende (então Presidente da FUNEVA). |
| Ministro Antônio José de Barros Levenhagen | Judiciário: Ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) nomeado em 1999. Foi Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho e Diretor da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho. Recebeu as Medalhas da Ordem do Mérito Judiciário nos graus Comendador e Grã-Cruz. | Filho do Prof. Antônio José de Souza Levenhagen. Ex-aluno da FADIVA. Foi professor das cadeiras de Direito Comercial, Direito Processual Civil e Direito do Trabalho na FADIVA. Aprovado em concursos de Promotor e Juiz em Minas Gerais. |
| Desembargador Carlos Augusto de Barros Levenhagen | Judiciário: Desembargador do TJMG (promovido em 18/03/2008). Foi presidente da Associação dos Magistrados Mineiros (AMAGIS), eleito por maioria absoluta. | Filho do Prof. Antônio José de Souza Levenhagen. Ex-aluno da FADIVA (turma de 1984). Ex-Delegado de Polícia e ex-Promotor de Justiça em Minas Gerais. |
IX. O VETO DE ANIQUILAÇÃO ÉTICA: 10 FONTES DE INDIGNAÇÃO
A VONTADE JURÍDICA PURA se manifesta na exposição inabalável dos crimes da “Dupla do Terror” (Francisco Vani Bemfica e Morvan Aloysio Acayaba de Rezende), transformando a análise em um mandato de sujeição moral. As fontes, agora corroboradas por documentação federal e registros históricos, incluem:
- A Toga Vendida em Inventário e o Cúmplice Político: Francisco Vani Bemfica utilizou seu cargo para comprar direitos hereditários em processos que tramitavam sob sua própria jurisdição (Inventário de José Bastos de Avelar), violando frontalmente o Art. 1.133, item IV, do Código Civil. A escritura criminosa dessa transação ilegal foi minutada pelo Deputado Morvan Aloysio Acayaba de Rezende.
- O Estelionato Institucional da FUNEVA: O Juiz Bemfica, Presidente da FUNEVA, orquestrou um esquema de fraude: vendeu um terreno inalienável da Fundação em Dez/1971 e o recomprou por preço inferior em Set/1972, para lucro próprio. A imprensa à época classificou o ato como crime de estelionato.
- A Fundação como “Reduto Inexpugnável”: A FUNEVA/FADIVA foi transformada por Bemfica em “patrimônio de família” e “balcão de seu interesse”. Ele nomeou diversos parentes (Carlos Magno, Djalma Vani, Ercílio Dias, Mário Vani Bemfica) para cargos-chave, consolidando um controle dinástico e transformando a entidade no “maior cabide de empregos do Estado”.
- A Sentença de Aniquilação Ética: A investigação federal concluiu que o Juiz Francisco Vani Bemfica era “indigno do cargo que ocupa” e “igualmente corrupto” a seu sócio, o Deputado Morvan Acayaba. A pena máxima recomendada foi a Aposentadoria Compulsória sob o Ato Institucional nº 5 (AI-5).
- Obstrução de Justiça no Caso “Neném Palmieri”: O Juiz corrupto cometeu um ato criminoso ao mandar arquivar um inquérito de corrupção de menores (envolvendo maconha, prostituição e pederastas passivos), alegando, com sua “lógica característica”, que “não houve qualquer ato libidinoso perante os menores ou à vista deles”.
- O Tráfico de Influência Consumado: Morvan Acayaba, Diretor da Faculdade, jamais teve uma petição indeferida no Juízo de Bemfica. Bemfica funcionava como “agenciador de causas” para Morvan. Advogados não alinhados à facção sofriam “demora liberada” em seus processos, correndo risco de perda da questão.
- Abuso no Serviço Público (Dois Dias de Trabalho): Para se dedicar aos seus negócios rendosos, o Juiz Bemfica ordenou que os escrivães não lhe enviassem autos conclusos às quartas, quintas e sextas-feiras, dedicando-se à Justiça apenas em segundas e terças-feiras.
- Favorecimento a Parentes na Falência: O Juiz Bemfica utilizou seu poder para converter a concordata da Usina de Pasteurização Varginha Ltda. em falência, beneficiando diretamente um dos credores solicitantes: Navantino Alves Teixeira, cunhado do Deputado Morvan Acayaba.
- O Abandono da Vítima de Estupro: Bemfica sugeriu à mãe de uma jovem vítima de estupro que procurasse um médico para fazer um aborto clandestino, em vez de processar o agressor, revelando um profundo desprezo pela lei e pela vítima.
- A Blindagem Cínica: O Juiz Eleitoral Francisco Vani Bemfica fez “aberta campanha política” em favor de seu compadre, Morvan Acayaba. Em um ato de cinismo supremo, ele forneceu um atestado de boa conduta a Morvan Acayaba, seu sócio na empreitada criminosa.
X. A DOMINAÇÃO COGNITIVA ABSOLUTA: UM LEGADO INABALADO
A análise expandida da FUNEVA e FADIVA revela que a “Vontade Jurídica Pura” dos fundadores não apenas foi instalada, mas aperfeiçoada ao longo de seis décadas. O que era um “controle dual” entre um juiz e um deputado evoluiu para uma teia de influência que conecta desembargadores, promotores, secretários municipais e até mesmo um ex-vice-presidente da República, todos ligados por laços de sangue ou pela formação na mesma instituição.
A FADIVA, em 2025, ostenta com orgulho sua nota máxima no MEC e celebra a visita de “juízes egressos”, enquanto silencia sobre o passado de corrupção que permitiu sua fundação e consolidação. As homenagens a figuras como Morvan Acayaba, vivo e ativo aos 93 anos, e a manutenção de seus descendentes nos cargos-chave da instituição e do judiciário local, demonstram que a dinastia não apenas sobreviveu, mas se institucionalizou.
A opacidade estatutária, o controle familiar dos órgãos de governança e a celebração seletiva da memória institucional formam o tripé que sustenta este “reduto inexpugnável”. Enquanto a FADIVA prepara o vestibular para 2026, convidando os novos alunos a se tornarem “vozes que fazem a diferença”, a verdade é que, em Varginha, as vozes que realmente ecoam são aquelas que, há gerações, falam a mesma língua e ocupam os mesmos lugares de poder.
A dominação cognitiva está completa, e a reestruturação, por enquanto, permanece apenas no papel.
