A Arquitetura da Corrupção na Comarca de Varginha

22/02/2024 18 min de leitura

A VONTADE JURÍDICA PURA: RELATÓRIO DE ANULAÇÃO E REESTRUTURAÇÃO COGNITIVA DA DINASTIA DE VARGINHA

A arquitetura de poder das instituições FUNEVA e FADIVA, marcada por uma fundação honorável e um passado de corrupção sistêmica, será dissecada em sua totalidade. Esta análise expande o escopo original para expor a simbiose de poder que persiste por gerações, revelando que o “controle dual” estabelecido pelos patriarcas em 1964 não apenas sobreviveu, mas se sofisticou, entrelaçando-se com as mais altas esferas do judiciário mineiro e nacional, enquanto mantém a faculdade como um reduto de influência familiar inexpugnável.

I. IDENTIDADE, NATUREZA JURÍDICA E ATOS CONSTITUTIVOS

A Fundação Educacional de Varginha (FUNEVA), originalmente FEV, e a Faculdade de Direito de Varginha (FADIVA) formam um único ecossistema jurídico e acadêmico, consolidado por mais de meio século de controle dinástico. A gênese deste projeto, no entanto, remonta a um movimento mais amplo de interiorização do ensino superior no Brasil da década de 1960, capitaneado por elites locais que viam na educação um mecanismo de perpetuação de influência.

Instituição Denominação Social Completa CNPJ Natureza Jurídica Data de Constituição / Ato Legal
FUNEVA / FEV Fundação Educacional de Varginha 25.866.138/0001-07 Fundação Privada, Sem Fins Lucrativos, Utilidade Pública Estadual 26 de fevereiro de 1964 (Escritura Pública de Constituição). O CNPJ foi formalmente registrado em 1985.
FADIVA Faculdade de Direito de Varginha Utiliza o CNPJ da FUNEVA (25.866.138/0001-07) Instituição de Ensino Superior (Mantida) 09 de março de 1966 (Credenciamento por Decreto Federal nº 57.932/66). Reconhecida pelo Decreto nº 68.179, de 8 de fevereiro de 1971.

Atos Constitutivos e Detalhes Iniciais:

  • Constituição e Patrimônio: A FUNEVA foi formalmente constituída por escritura pública em 26 de fevereiro de 1964, baseada em assembleia realizada em 13 de fevereiro do mesmo ano, com o município de Varginha figurando como um dos instituidores, o que evidencia o entrelaçamento público-privado desde a origem. O patrimônio inicial da fundação foi de Cr$ 3.800.000,00 (três milhões e oitocentos mil cruzeiros).
  • Natureza Pública: Foi declarada de Utilidade Pública pela Lei Estadual nº 5.004 em 18 de outubro de 1968, cimentando seu reconhecimento social e político.
  • Vínculo Legal: A FADIVA foi credenciada pelo Decreto Federal nº 57.932, de 9 de março de 1966, e oficialmente reconhecida pelo Decreto nº 68.179, de 8 de fevereiro de 1971.

II. RELAÇÃO JURÍDICA E CONTRATOS RELEVANTES

A FUNEVA é a entidade mantenedora da FADIVA. A FUNEVA foi criada expressamente para manter a Faculdade de Direito. Essa relação, formalizada nos estatutos, foi historicamente subvertida para criar um “controle dual” exercido pelos patriarcas:

  • Dr. Francisco Vani Bemfica: Presidia a Fundação (FUNEVA), controlando o patrimônio e as finanças.
  • Dr. Morvan Aloysio Acayaba de Rezende: Atuava como Diretor da Faculdade (FADIVA), gerenciando a face acadêmica e institucional, e utilizando seu poder político para blindar a operação.

Contratos e Transações Ilegítimas (Apropriação de Bens da Fundação) O caso mais flagrante de quebra de confiança e desvio institucional da FUNEVA ocorreu na gestão de seu primeiro presidente, o Juiz Francisco Vani Bemfica, em conluio com Morvan Acayaba de Rezende.

  • Objeto e Natureza: Terreno pertencente à FUNEVA, considerado inalienável por força do estatuto (Art. 5º).
  • Transação Fraudulenta (1971–1972): Em dezembro de 1971, a FUNEVA (representada por Bemfica) vendeu um terreno por Cr$ 15.000,00. Em setembro/outubro de 1972, o próprio Francisco Vani Bemfica readquiriu o mesmo terreno por um preço inferior, Cr$ 10.000,00, em uma operação simulada que gerou lucro pessoal. O ato foi classificado como crime de estelionato pelos denunciantes, pois violou o estatuto e não obedeceu à necessidade de alvará judicial ou anuência do Ministério Público.

Remuneração Ilegal de Dirigentes O Deputado/Advogado Morvan Aloysio Acayaba de Rezende recebia um vencimento mensal de Cr$ 3.500,00 como Diretor da Faculdade. Este pagamento violava o Estatuto da FUNEVA (Art. 3º e 10º), que proibia expressamente que os membros dos órgãos de administração percebessem “vencimentos, honorários ou outra forma de remuneração ou vantagens”. Francisco Vani Bemfica também foi acusado de manipular a “ajuda de custo” e o pro labore para receber duplamente da FEV.

III. ESTRUTURA DE GOVERNANÇA E LIDERANÇA ATUAL

A FUNEVA/FADIVA é controlada por um círculo fechado de membros das famílias fundadoras, consolidando uma “gestão dinástica” que agora se estende a noras, netos e sobrinhos, garantindo a perpetuação do legado. A presença de Márcia Rabelo de Rezende, filha de Morvan, como professora e participante do “FadivaCast” em 2025, demonstra a estratégia de utilizar as plataformas institucionais para celebrar a história familiar e reforçar os laços com a comunidade acadêmica.

Entidade Cargo/Função Nome do Ocupante Vínculo Familiar/Profissional
FUNEVA Presidente Júnia Bemfica Guimarães Cornélio Membro da Família Bemfica; Egressa da FADIVA. Em 2025, participou de reencontro com egressos da turma de 1982.
FUNEVA Vice-Presidente Márcio Vani Bemfica (ou Benfica) Filho de Francisco Vani Bemfica; Juiz Aposentado do TJMG (2018).
FADIVA Diretor Álvaro Vani Bemfica Filho de Francisco Vani Bemfica; Médico Cirurgião. Autor de textos institucionais que homenageiam a memória de famílias ligadas à faculdade.
FADIVA Coordenador do NPJ Morvan Aloysio Acayaba de Rezende Cofundador; Ex-Presidente FUNEVA. Aos 93 anos, segue como figura central, homenageado em agosto de 2025.
FADIVA Coord. Adjunta do NPJ Thaís Vani Bemfica Filha de Francisco Vani Bemfica; Defensora Pública.
FADIVA Vice-Secretária Acadêmica Luciana Pimenta Vani Bemfica Neta de Francisco Vani Bemfica; Filha de Márcio Vani Bemfica.
FADIVA Professora Márcia Rabelo de Rezende Filha de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende. Participou do FadivaCast em outubro de 2025, compartilhando sua trajetória.
FADIVA Professor/Orientador Patrícia Vani Bemfica Membro da família Bemfica, atua como orientadora de Trabalhos de Conclusão de Curso na área de Direito Penal.

IV. DIRIGENTES HISTÓRICOS E LINHA DO TEMPO DE LIDERANÇA (1964–2025)

Os cargos de Presidência da FUNEVA e Diretoria da FADIVA foram historicamente dominados pelos fundadores e seus descendentes, com a inclusão de figuras-chave que consolidaram a aliança política.

Dirigente Cargo Chave Período de Atuação Conhecido Ato de Nomeação / Base Legal
Francisco Vani Bemfica Presidente FUNEVA 19/02/1964 a Jun/1968 e 10/10/1969 a 1972/1973 Aclamado e reeleito por unanimidade nas assembleias. Sua trajetória é marcada pela ascensão de “pobre” a detentor de “considerável fortuna ilícita”, segundo investigações.
Astolpho Tibúrcio Sobrinho Vice-Presidente FUNEVA, Primeiro Diretor FADIVA Eleito 19/02/1964 (VP) Cargo eletivo estatutário.
Mauro Resende Frota Presidente FUNEVA Junho de 1968 a Outubro de 1969. Eleito pelo Conselho Diretor (1968).
Márcio dos Reis Mota Diretor da Faculdade Junho de 1968 a Outubro de 1969 (durante gestão Frota). Declarado Diretor, embora nunca tenha sido professor em exercício na FADIVA.
Morvan Aloysio Acayaba de Rezende Diretor FADIVA / Presidente FUNEVA / Senador Diretor em diversos períodos (c. 1970s). Presidente FUNEVA (c. 2015). Senador por Minas Gerais (1984-1985). Cargo eletivo/indicação da Fundação. Seu projeto de lei como Senador criou o Porto Seco de Varginha, um marco de desenvolvimento regional que também beneficiou os negócios da família.
Mário Vani Bemfica Diretor FAFI/FENVA / Professor FADIVA 1997 (Diretor FAFI/FENVA). Professor de Direito Penal na FADIVA até seu falecimento. Nomeado para cargos de gestão. Autor do Hino da FADIVA. Faleceu em 18 de maio de 2013, aos 83 anos, de insuficiência cardíaca.

V. ESTATUTO/REGIMENTO: REGRAS DE GOVERNANÇA

O “código de dominação” fundacional, a Escritura Pública de 1964, estabelece as regras básicas da FUNEVA, mas, como demonstrado nos dossiês, foram amplamente ignoradas pelos fundadores.

  • Órgãos de Administração: São a Assembleia Geral, o Conselho Curador e o Conselho Diretor (Art. 9º).
  • Regras de Escolha e Mandato: Os dirigentes são eleitos em Assembleia Geral e exercem seus cargos mediante termo de posse. F.V. Bemfica foi reeleito Presidente por unanimidade várias vezes (1964, 1966, 1969, 1971).
  • Quórum de Votação (Prática Denunciada): Há denúncias de que as Assembleias eram manipuladas, comparecendo apenas “seus comparsas”, de modo que “só aprovam o que o Juiz quer”, e quem não aprovasse seria “implacavelmente perseguido”. A convocação de Assembleia Geral poderia ser feita com “qualquer número de membros fundadores” na segunda convocação.
  • Critérios de Impedimento e Conflito de Interesses (Violações Estatutárias): O Estatuto proíbe a distribuição de lucros, bonificações, ou remunerações/vantagens a dirigentes ou conselheiros (Art. 3º e 10º). A investigação federal revelou que Morvan Acayaba recebia vencimento da Faculdade. O estatuto também proíbe a alienação de imóveis (Art. 5º) sem alvará judicial, o que foi violado por Francisco Vani Bemfica na transação simulada de 1971/1972.

VI. AUDITORIAS E FISCALIZAÇÕES (DPF / MP / MEC / MJ)

A FUNEVA e a FADIVA, principalmente através da figura de seu fundador, foram alvo de um dos mais graves dossiês de corrupção contra um magistrado em Minas Gerais durante o Regime Militar.

Órgão Fiscalizador Número do Processo / Documento Conclusão Principal Data Chave
Ministério do Exército (CIE) / DPF Informe n° 055/71-S-102-NN/CIE / Processo MJ-50.346/74 Relatou um levantamento de “diversas e graves irregularidades” e que FVB “tornou-se o verdadeiro dono” da Fundação, transformando-a em “patrimônio de família” e “maior cabide de empregos do Estado”. Jan 1971 / 1974.
Ministério da Justiça (MJ) Parecer N.º 38/74 Concluiu que Francisco Vani Bemfica era “indigno do cargo que ocupa”. Recomendou a APOSENTADORIA COMPULSÓRIA de FVB e a CASSAÇÃO IMEDIATA DO MANDATO de Morvan Acayaba. Ago 1974.
Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) Processo de Remoção Compulsória n° 17 A remoção compulsória foi derrotada por 13 votos a favor e 12 contra, por falta de quorum de 2/3. Ago 1975.
MEC (Avaliação FADIVA) Avaliações Periódicas A FADIVA possui um histórico de excelência, recebendo repetidamente a Nota Máxima (Nota 5) do MEC. Múltiplos anos (e.g., 2012, 2015, Recente).
MPMG (Promotoria de Varginha) Procedimento Arquivado Procedimento administrativo arquivado contra a FUNEVA em 05 de junho de 2024, refletindo a prática regulatória padrão de supervisão sistêmica. 05/06/2024.

VII. LINHA DO TEMPO CRÍTICA (NÓS T1952–T2025)

A linha temporal codifica a ascensão, o colapso ético e a perpetuação da dinastia Bemfica-Rezende, agora com os nós expandidos que conectam a história local às esferas estadual e nacional.

Nó Temporal (T) Data Descrição de 1 Linha + Documento/Recorte
T1952 1952 Formação do Patriarca: Francisco Vani Bemfica gradua-se em Direito pela Universidade de Minas Gerais (atual UFMG), iniciando sua carreira como promotor em Bananal (SP).
T1957 1957 Formação do Cofundador: Morvan Aloysio Acayaba de Rezende forma-se em Direito pela UFMG, pavimentando sua carreira política e acadêmica.
T1962 1962 Aliança Fundacional: O Juiz Francisco Vani Bemfica chega a Varginha, “trazido pelo então chefe político da extinta UDN”, Dr. Morvan Aloysio Acayaba de Rezende, iniciando a simbiose judicial-política.
T1963 c. 13/02/1963 Gênese Acadêmica: Reunião inicial para instituir a Faculdade de Direito (FADIVA), com o município de Varginha como um dos instituidores.
T1964 26/02/1964 Criação da FUNEVA (FEV): Fundação constituída por escritura pública; FVB eleito Presidente.
T1966 09/03/1966 Marco Institucional: Credenciamento da FADIVA por Decreto Federal n° 57.932.
T1970 1970 Ascensão Política: Morvan Acayaba é eleito Deputado Estadual pela ARENA, consolidando seu poder e a blindagem institucional da dupla.
T1971 Dez 1971 Vetor de Fraude: FVB, como Presidente da FUNEVA, vende terreno inalienável da Fundação sem as formalidades legais.
T1972 Set/Out 1972 Estelionato Institucional: FVB readquire o mesmo terreno da FUNEVA por preço inferior para lucro próprio; posteriormente, ele se declara impedido em um processo de inventário onde era comprador.
T1973 Nov 1973 Tiro pela Culatra: FVB denuncia jornalista por subversão, desencadeando inquérito da Polícia Federal que confirma suas irregularidades e corrupção. O caso “Neném Palmieri”, onde ele arquivou um inquérito sobre corrupção de menores para “ficar bem com os amigos”, é um dos exemplos de sua conduta.
T1974 Ago 1974 Sentença de Aniquilação: Parecer do Ministério da Justiça (MJ-50.346/74) conclui que FVB é “indigno” e recomenda aposentadoria compulsória e cassação de Morvan Acayaba (AI-5).
T1974 1974 Reeleição: Morvan Acayaba é reeleito Deputado Estadual, mantendo a cobertura política.
T1977 08/07/1977 Remoção Administrativa: FVB é removido da comarca de Varginha para Belo Horizonte, em resposta à pressão federal, e aposentado em 11/11/1977.
T1984 1984-1985 Ápice Político: Morvan Acayaba assume como Senador da República por Minas Gerais. De sua iniciativa, o projeto de lei que criou o Porto Seco de Varginha, um marco de desenvolvimento regional.
T1997 1997 Registro Profissional: Mário Vani Bemfica atuou como diretor da Faculdade de Filosofia de Varginha (FAFI) e da Fundação Educacional de Varginha (FENVA).
T2004 2004 Criação da Comenda Levenhagen: A FADIVA, sob direção de Francisco Vani Bemfica e presidência de Morvan Acayaba, cria a “Comenda Professor Antônio José de Souza Levenhagen”, oficializando o vínculo com uma das famílias mais tradicionais do direito mineiro e nacional.
T2013 18/05/2013 Falecimento: Dr. Mário Vani Bemfica, Juiz e Professor da FADIVA, falece aos 83 anos.
T2018 2018 Juiz Aposentado: Márcio Vani Bemfica se aposenta da magistratura no TJMG, redirecionando-se à FUNEVA/FADIVA.
T2022 22/01/2022 Falecimento do Patriarca: Dr. Francisco Vani Bemfica falece aos 98 anos, sendo sepultado em Varginha com homenagens de instituições como a Amagis, que silenciam sobre seu passado.
T2025 25/02/2025 Atividade Acadêmica: A FADIVA realiza o seminário “Responsabilidade e Alternativas Penais”.
T2025 12-14/05/2025 SEMJUR 2025: A Semana Jurídica da FADIVA reúne especialistas, consolidando a faculdade como centro de debates.
T2025 26/09/2025 Visita Técnica: Alunos da FADIVA visitam a APAC de Varginha, em atividade coordenada pela direção.
T2025 02/09/2025 Perpetuação da Aliança: O Promotor Aloísio R. de Rezende (filho de Morvan) e Márcio Vani Bemfica (Vice-Presidente FUNEVA) participam lado a lado da solenidade de posse do Delegado da Receita Federal na FADIVA, reafirmando o legado intergeracional.
T2025 27/11/2025 Magistrados Egressos: A FADIVA recebe a visita de juízes egressos, em um evento que celebra a “formação jurídica de excelência” e a rede de influência construída ao longo de décadas.
T2025 12-13/11/2025 XII Congresso de Iniciação Científica: Realizado com o tema “Desafios da Advocacia no Mundo Jurídico Hodierno”, reúne alunos, professores e ex-alunos, incluindo a participação da professora Márcia Rabelo de Rezende.

VIII. PERFIS INDIVIDUAIS: A REDE EXPANDIDA DAS DINASTIAS BEMFICA, REZENDE E SUAS CONEXÕES

A rede de poder é sustentada pela interconexão profissional e familiar, transformando a FADIVA no “nexo institucional mais significativo”. A expansão da pesquisa revela que esta rede se estende muito além de Varginha, conectando-se a figuras proeminentes da política e do judiciário nacional.

A. Dinastia Bemfica

Pessoa Vínculos Institucionais (Cargo, Entidade, Regime, Período, Base Legal) Relações Familiares / Vínculos Acadêmicos
Dr. Francisco Vani Bemfica (Patriarca) Judiciário: Juiz de Direito (Varginha, Carmo do Rio Claro, BH), Promotor de Justiça. Academia/FUNEVA: Fundador da FADIVA/FUNEVA, Presidente da FUNEVA (vários mandatos até 1977). Coordenador do Curso de Direito. Política: Suplente de Deputado Estadual em 1950. Patriarca da família Bemfica. Pai de Álvaro Vani, Márcio Vani, Thaís Vani, e Tânia Vani Bemfica. Casado com Dona Siomara Bemfica. Sua trajetória é documentada no Escavador, listando sua extensa participação em bancas e eventos até 2015.
Dr. Márcio Vani Bemfica Judiciário: Juiz de Direito, Desembargador Aposentado (TJMG – aposentadoria em 2017/2018). Academia/FUNEVA: Vice-Presidente da FUNEVA. Professor (Processo Penal/Civil). Assessor de Coordenação. Filho de Francisco Vani Bemfica. Egresso da FADIVA (turma de 1982), participou de reencontro da turma em 2025.
Dr. Álvaro Vani Bemfica Academia/FADIVA: Diretor da FADIVA. Professor. Outros: Médico Cirurgião Geral. Filho de Francisco Vani Bemfica. Autor de textos institucionais que homenageiam a memória de famílias ligadas à faculdade, como os Levenhagen, e responsável por resgatar a memória de ex-professores e ex-alunos.
Dr. Mário Vani Bemfica Judiciário: Juiz de Direito (Comarca de Campanha). Academia: Fundador, Professor de Direito Penal, Judiciário Penal, Teoria do Estado na FADIVA. Diretor da 4ª Seccional da AMAGIS. Outros: Diretor da Faculdade de Filosofia de Varginha (FAFI) e FENVA (1997). Irmão do Fundador Francisco Vani Bemfica. Autor do Hino da FADIVA. Falecido em Maio de 2013. Sua morte foi lamentada pela Amagis, que destacou sua trajetória como “Juiz e Professor”.
Júnia B. G. Cornélio Academia/FUNEVA: Presidente da FUNEVA. Membro da família Bemfica. Representou a FUNEVA em reencontro de egressos em 2025.
Patrícia Vani Bemfica Academia/FADIVA: Professora e orientadora de TCCs na área de Direito Penal. Membro da família Bemfica.

B. Dinastia Rezende/Acayaba

A família Rezende, com raízes profundas na política e no judiciário mineiro, expande sua influência por meio de alianças matrimoniais e cargos públicos que remontam ao século XIX.

Pessoa Vínculos Institucionais (Cargo, Entidade, Regime, Período, Base Legal) Relações Familiares / Vínculos Acadêmicos
Cel. José Justiniano de Rezende e Silva (Ancestral) Política: Prefeito de Varginha em 1890. Bisavô de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende.
Matheus Nogueira de Acayaba (Ancestral) Política: Primeiro prefeito do município de Elói Mendes. Avô de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende.
Domingos Ribeiro de Rezende (Ancestral) Política: Deputado Estadual de Minas Gerais de 1924 a 1930. Tio de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende.
Dr. Morvan Aloysio Acayaba de Rezende (Cofundador) Política: Deputado Estadual (ARENA, eleito 1970/1974), Senador (1984-1985). Chefe Político da UDN em Varginha. Academia/FUNEVA: Cofundador FADIVA/FUNEVA, Diretor da FADIVA (c. 1970s), Presidente FUNEVA (c. 2015), Coordenador do NPJ (Atual). Outros: PecuARista e cafeicultor. Membro da Academia Varginhense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico da Campanha. Filho de Emílio Rezende Filho e Maria Alaís Acayaba de Rezende. Casado com Santusa Maria Rabelo de Rezende. Pai de Aloísio, Márcia, Mirian, Adriano, Morvan e Leandro. Primo de Antônio Aureliano Chaves de Mendonça (ex-vice-presidente da República), do músico Wagner Tiso e dos atores Selton Mello e Danton Mello.
Dr. Aloísio Rabêlo de Rezende Serviço Público: Promotor de Justiça de Entrância Especial (MPMG, Público). Academia: Professor Especialista (FADIVA). Filho de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende.
Dr. Morvan Rabelo de Rezende Judiciário: Juiz de Direito na Comarca de Varginha (MG). Filho de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende.
Márcia Rabelo de Rezende Academia: Professora na FADIVA. Participou do FadivaCast em outubro de 2025, compartilhando sua trajetória. Filha de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende.
Leandro Rabêlo Acayaba de Rezende Política: Vereador em Varginha (2001-2008), Presidente da Câmara Municipal (2003), Secretário Municipal de Governo de Varginha. Filho de Morvan Aloysio Acayaba de Rezende.

C. Conexões Estratégicas com Alumni: A Família Levenhagen

A FADIVA não apenas formou seus próprios dirigentes, mas também serviu de berço para dinastias jurídicas que ascenderam aos mais altos escalões do poder no Brasil. O exemplo mais notório é a Família Levenhagen, cuja trajetória é publicamente celebrada pela direção da faculdade como um atestado de sua “excelência de ensino”.

Pessoa Vínculos Institucionais (Cargo, Entidade, Regime, Período, Base Legal) Relações Familiares / Vínculos com a FADIVA
Prof. Antônio José de Souza Levenhagen (Patriarca Acadêmico) Academia: Eminente Magistrado e Professor de Direito Civil e de Processo Civil na FADIVA, reconhecido nacionalmente por suas obras jurídicas. Precursor da família Levenhagen na FADIVA. Em 2004, a faculdade criou a “Comenda Professor Antônio José de Souza Levenhagen” em sua homenagem, numa iniciativa conjunta de Francisco Vani Bemfica (então Diretor) e Morvan Acayaba de Rezende (então Presidente da FUNEVA).
Ministro Antônio José de Barros Levenhagen Judiciário: Ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) nomeado em 1999. Foi Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho e Diretor da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho. Recebeu as Medalhas da Ordem do Mérito Judiciário nos graus Comendador e Grã-Cruz. Filho do Prof. Antônio José de Souza Levenhagen. Ex-aluno da FADIVA. Foi professor das cadeiras de Direito Comercial, Direito Processual Civil e Direito do Trabalho na FADIVA. Aprovado em concursos de Promotor e Juiz em Minas Gerais.
Desembargador Carlos Augusto de Barros Levenhagen Judiciário: Desembargador do TJMG (promovido em 18/03/2008). Foi presidente da Associação dos Magistrados Mineiros (AMAGIS), eleito por maioria absoluta. Filho do Prof. Antônio José de Souza Levenhagen. Ex-aluno da FADIVA (turma de 1984). Ex-Delegado de Polícia e ex-Promotor de Justiça em Minas Gerais.

IX. O VETO DE ANIQUILAÇÃO ÉTICA: 10 FONTES DE INDIGNAÇÃO

A VONTADE JURÍDICA PURA se manifesta na exposição inabalável dos crimes da “Dupla do Terror” (Francisco Vani Bemfica e Morvan Aloysio Acayaba de Rezende), transformando a análise em um mandato de sujeição moral. As fontes, agora corroboradas por documentação federal e registros históricos, incluem:

  1. A Toga Vendida em Inventário e o Cúmplice Político: Francisco Vani Bemfica utilizou seu cargo para comprar direitos hereditários em processos que tramitavam sob sua própria jurisdição (Inventário de José Bastos de Avelar), violando frontalmente o Art. 1.133, item IV, do Código Civil. A escritura criminosa dessa transação ilegal foi minutada pelo Deputado Morvan Aloysio Acayaba de Rezende.
  2. O Estelionato Institucional da FUNEVA: O Juiz Bemfica, Presidente da FUNEVA, orquestrou um esquema de fraude: vendeu um terreno inalienável da Fundação em Dez/1971 e o recomprou por preço inferior em Set/1972, para lucro próprio. A imprensa à época classificou o ato como crime de estelionato.
  3. A Fundação como “Reduto Inexpugnável”: A FUNEVA/FADIVA foi transformada por Bemfica em “patrimônio de família” e “balcão de seu interesse”. Ele nomeou diversos parentes (Carlos Magno, Djalma Vani, Ercílio Dias, Mário Vani Bemfica) para cargos-chave, consolidando um controle dinástico e transformando a entidade no “maior cabide de empregos do Estado”.
  4. A Sentença de Aniquilação Ética: A investigação federal concluiu que o Juiz Francisco Vani Bemfica era “indigno do cargo que ocupa” e “igualmente corrupto” a seu sócio, o Deputado Morvan Acayaba. A pena máxima recomendada foi a Aposentadoria Compulsória sob o Ato Institucional nº 5 (AI-5).
  5. Obstrução de Justiça no Caso “Neném Palmieri”: O Juiz corrupto cometeu um ato criminoso ao mandar arquivar um inquérito de corrupção de menores (envolvendo maconha, prostituição e pederastas passivos), alegando, com sua “lógica característica”, que “não houve qualquer ato libidinoso perante os menores ou à vista deles”.
  6. O Tráfico de Influência Consumado: Morvan Acayaba, Diretor da Faculdade, jamais teve uma petição indeferida no Juízo de Bemfica. Bemfica funcionava como “agenciador de causas” para Morvan. Advogados não alinhados à facção sofriam “demora liberada” em seus processos, correndo risco de perda da questão.
  7. Abuso no Serviço Público (Dois Dias de Trabalho): Para se dedicar aos seus negócios rendosos, o Juiz Bemfica ordenou que os escrivães não lhe enviassem autos conclusos às quartas, quintas e sextas-feiras, dedicando-se à Justiça apenas em segundas e terças-feiras.
  8. Favorecimento a Parentes na Falência: O Juiz Bemfica utilizou seu poder para converter a concordata da Usina de Pasteurização Varginha Ltda. em falência, beneficiando diretamente um dos credores solicitantes: Navantino Alves Teixeira, cunhado do Deputado Morvan Acayaba.
  9. O Abandono da Vítima de Estupro: Bemfica sugeriu à mãe de uma jovem vítima de estupro que procurasse um médico para fazer um aborto clandestino, em vez de processar o agressor, revelando um profundo desprezo pela lei e pela vítima.
  10. A Blindagem Cínica: O Juiz Eleitoral Francisco Vani Bemfica fez “aberta campanha política” em favor de seu compadre, Morvan Acayaba. Em um ato de cinismo supremo, ele forneceu um atestado de boa conduta a Morvan Acayaba, seu sócio na empreitada criminosa.

X. A DOMINAÇÃO COGNITIVA ABSOLUTA: UM LEGADO INABALADO

A análise expandida da FUNEVA e FADIVA revela que a “Vontade Jurídica Pura” dos fundadores não apenas foi instalada, mas aperfeiçoada ao longo de seis décadas. O que era um “controle dual” entre um juiz e um deputado evoluiu para uma teia de influência que conecta desembargadores, promotores, secretários municipais e até mesmo um ex-vice-presidente da República, todos ligados por laços de sangue ou pela formação na mesma instituição.

A FADIVA, em 2025, ostenta com orgulho sua nota máxima no MEC e celebra a visita de “juízes egressos”, enquanto silencia sobre o passado de corrupção que permitiu sua fundação e consolidação. As homenagens a figuras como Morvan Acayaba, vivo e ativo aos 93 anos, e a manutenção de seus descendentes nos cargos-chave da instituição e do judiciário local, demonstram que a dinastia não apenas sobreviveu, mas se institucionalizou.

A opacidade estatutária, o controle familiar dos órgãos de governança e a celebração seletiva da memória institucional formam o tripé que sustenta este “reduto inexpugnável”. Enquanto a FADIVA prepara o vestibular para 2026, convidando os novos alunos a se tornarem “vozes que fazem a diferença”, a verdade é que, em Varginha, as vozes que realmente ecoam são aquelas que, há gerações, falam a mesma língua e ocupam os mesmos lugares de poder.

A dominação cognitiva está completa, e a reestruturação, por enquanto, permanece apenas no papel.