Relatos e Cartas

MN Livro

246 min de leitura

A PERFEIÇÃO. Lanço-me inteiramente em Teus braços, e coloco-me sem reservas sob Tua santa proteção, Amém. Que a bênção de Deus Pai Todo-Poderoso, do Filho e do Espírito Santo esteja sempre comigo, Amém. Que a bênção de Deus Pai, que por sua única Palavra fez todas as coisas, esteja comigo para sempre, Amém. Que a bênção de nosso Senhor Jesus Cristo, Filho do grande Deus vivo, esteja comigo para sempre, Amém. Que a bênção e os sete Dons do Espírito Santo estejam comigo para sempre, Amém. Que a bênção da Virgem Maria, e de seu Filho, esteja comigo para sempre, Amém.

TERÇA-FEIRA.

Que a bênção e a consagração do pão e do vinho, que nosso Senhor Jesus Cristo fez quando os deu a seus discípulos e lhes disse: Tomai e comei todos vós disto, porque este é o Meu Corpo, que será entregue por vós, em memória de Mim e para remissão de todos os pecados, esteja comigo para sempre. Que a bênção dos Santos Anjos, Arcanjos, Virtudes, Potestades, Tronos, Dominações, Querubins e Serafins esteja comigo para sempre, Amém. Que a bênção dos patriarcas e profetas, apóstolos, mártires, confessores, virgens e de todos os santos de Deus esteja comigo para sempre, Amém. Que a bênção de todos os céus de Deus esteja comigo para sempre, Amém. Que a majestade de Deus Onipotente me sustente e proteja; que Sua bondade eterna me guie; que Sua caridade ilimitada me inflame; que Sua divindade suprema me dirija; que o poder do Pai me preserve; que a sabedoria do Filho me vivifique; que a virtude do Espírito Santo sempre se coloque entre mim e meus inimigos, visíveis e invisíveis. Poder do Pai, fortalecei-me; sabedoria do Filho, iluminai-me; consolação do Espírito Santo, confortai-me. O Pai é a paz, o Filho é a Vida, o Espírito Santo é o remédio consolador e salvador, Amém. Que a Divindade de Deus me abençoe, Amém. Que Sua piedade me aqueça; que Seu amor me preserve. Ó Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, tende piedade de mim, pobre pecador.

QUARTA-FEIRA.

Ó Emanuel, defende-me contra o inimigo maligno, e contra todos os meus inimigos, visíveis e invisíveis, e livra-me de todo o mal. Jesus Cristo, o Rei, veio em paz, Deus feito homem, que padeceu pacientemente por nós. Que Jesus Cristo, o Rei manso, esteja sempre em minha defesa entre mim e meus inimigos, Amém. Jesus Cristo triunfa, Jesus Cristo reina, Jesus Cristo comanda. Que Jesus Cristo me livre de todos os males para sempre, Amém. Que Jesus Cristo me conceda a graça de triunfar sobre todos os meus adversários, Amém. Eis a Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Fugi, portanto, ó meus inimigos, à sua vista; o Leão da Tribo de Judá e da Raça de Davi venceu. Aleluia, Aleluia, Aleluia. Conjuro-Te, meu Deus. Ó Agios, Ó Theos, Agios, Ischyros, Merci, A e tom, Deus, Deus forte, Deus verdadeiro, tu, N. Sustenta-me, ó Senhor; não me abandones, não rejeites minhas orações, ó Tu, o Deus da minha salvação. Auxilia-me sempre, ó Deus da minha salvação.

O LIVRO DA MAGIA NEGRA

QUINTA-FEIRA.

Ilumina meus olhos com a luz verdadeira, para que nunca prevaleçam contra ele. Enquanto o Senhor estiver comigo, dobro meus joelhos, no céu, na terra e no inferno, e que toda língua confesse abertamente que Jesus Cristo está na glória de seu Pai, Amém. Sei, sem dúvida, que em qualquer dia em que invocar o Senhor, na mesma hora serei salvo. Ó dulcíssimo Senhor Jesus Cristo, Filho do grande Deus vivo, realizaste os mais poderosos milagres pelo poder exclusivo de Teu precioso Nome, e enriqueceste os pobres abundantemente, de modo que, pela força dele, os demônios fogem, os cegos veem, os surdos ouvem, os coxos andam eretos, os mudos falam, os leprosos são purificados, os enfermos curados, os mortos ressuscitados; pois onde quer que o dulcíssimo Nome de Jesus seja pronunciado, o ouvido é arrebatado e a boca se enche de suave sabor; com essa única pronúncia, repito, os demônios fogem, todo joelho se dobra, todas as tentações, mesmo as piores, são dispersas, todas as enfermidades são curadas, todas as disputas e conflitos entre o mundo, a carne e o diabo são terminados, e a alma se enche de todo o deleite celestial; pois todo aquele que invoca ou invocar este santo Nome de Deus é e será salvo.

SEXTA-FEIRA.

Ó Nome sagrado, Nome que fortalece o coração do homem, Nome de vida, de salvação, de alegria, Nome precioso, resplandecente, glorioso, agradável, que fortalece o pecador, Nome que salva, conserva, conduz e governa tudo. Que Te agrade, portanto, ó dulcíssimo Jesus, pelo poder deste mesmo (Nome de) Jesus, afastar de mim o demônio; ilumina-me, ó Senhor, pois sou cego; remove minha surdez; endireita-me, que sou coxo; dá-me fala, que sou mudo; purifica minha lepra; restaura-me a saúde, que estou doente; levanta-me, pois estou morto; dá-me vida novamente e enriquece-me em todas as minhas partes, por dentro e por fora, para que, munido e fortalecido por Teu santo Nome, eu permaneça sempre em Ti, louvando-Te e honrando-Te, porque tudo Te é devido, e só Tu és digno de ser glorificado, o Senhor e eterno Filho de Deus, em quem todas as coisas se alegram, e por quem todas são governadas. Louvor, honra e glória sejam dados a Ti para sempre, Amém. Que Jesus esteja sempre em meu coração e em meu peito, Amém. Que nosso Senhor Jesus Cristo esteja sempre dentro de mim, que Ele me estabeleça para sempre, que esteja ao meu redor e me preserve; que esteja diante de mim e me guie; que esteja atrás de mim e me guarde; que esteja acima de mim e me abençoe; que esteja dentro de mim e me dê vida; que esteja perto de mim e me governe; que esteja abaixo de mim e me fortaleça; que esteja sempre comigo e me livre de todas as dores da morte eterna, que vive e reina para todo o sempre, Amém.

SÁBADO.

Jesus, Filho de Maria, salvação do mundo, que o Senhor olhe favoravelmente para mim, com mansidão e propiciação; que Ele me dê um espírito santo e voluntarioso, para respeitar e honrar somente a Ele, que é o Libertador do mundo. Nele ninguém pôde pôr a mão, pois sua hora ainda não havia chegado. Ele que é, que era, que permanecerá, Deus e homem, o princípio e o fim. Que esta oração que Lhe ofereço me livre eternamente de meus inimigos, Amém. Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus, título honroso, Filho da Virgem Maria, tem piedade de mim, pobre pecador, e guia-me, segundo Tua benignidade, no caminho da salvação eterna, Amém. Agora Jesus, sabendo o que havia de acontecer com Ele, adiantou-se e disse-lhes: A quem buscais? Responderam-Lhe: A Jesus de Nazaré. Mas Jesus lhes disse: Eu sou. E Judas, que o havia de entregar, estava com eles. Logo que Ele lhes disse: Eu sou, recuaram e caíram por terra. Então lhes perguntou de novo: A quem buscais? E eles disseram: A Jesus de Nazaré. Jesus respondeu: Já vos disse que sou Eu; se, pois, Me buscais, deixai ir estes (falando de Seus discípulos). A lança, os pregos, a cruz, os espinhos, a morte que suportei provam que apaguei e expiei os crimes dos infelizes. Preserva-me, ó Senhor Jesus Cristo, de todas as aflições da pobreza e dos laços de meus inimigos. Que as cinco chagas de nosso Senhor sejam para mim um remédio eterno. Jesus é o Caminho, Jesus é a Vida, Jesus é a Verdade, Jesus sofreu, Jesus foi crucificado, Jesus, Filho do Deus vivo, tem piedade de mim. Agora, Jesus, passando pelo meio deles, retirou-se, e ninguém pôde pôr sobre Jesus sua mão assassina, porque sua hora ainda não havia chegado.

Embora essas orações sejam curiosas em alguns aspectos, elas se comparam desfavoravelmente com o bom senso simples que caracteriza as da Liturgia Romana; são imprecisas em suas referências e confusas em seu método, e nenhuma pessoa que as considere seriamente sustentará a data antiga que é reivindicada para elas. Seu período é posterior ao Renascimento, e a ignorância das fórmulas litúrgicas que mostram, em comum com todas as falsificações semelhantes, torna duvidoso se são obra de um eclesiástico. Em todo caso, são imitações grosseiras, produto de uma mão inábil.

§ 5. RESUMO DA MAGIA TRANSCENDENTAL.

Conclui-se assim o exame dos Rituais da Magia Transcendental, compreendendo todos aqueles que tiveram alguma circulação. Existem, sem dúvida, outros tratados que só existem em manuscrito e não possuem história literária, mas dificilmente se enquadram no escopo da presente investigação. Tal é possivelmente o “Livro da Magia Sagrada” na Biblioteca do Arsenal, em Paris, enquanto alguns outros, que se conectam parcialmente com os ramos superiores da prática cerimonial, foram brevemente mencionados no primeiro capítulo.

A conclusão geral que deve seguir-se ao exame não é de um tipo favorável. Como foi dito no início, os Rituais com que lidamos não são dignos do nome Transcendental. Temos, por um lado, uma coleção de orações, falsamente atribuídas e de origem moderna, às quais nenhum significado oculto pode ser razoavelmente atribuído. Devoção, são inofensivas o suficiente; aplicadas à maneira de um amuleto, são ofícios de observância vã. Por outro lado, temos um ritual nu para a Invocação dos Espíritos Olímpicos, que, apesar das reivindicações grandiloquentes do autor desconhecido, é mais infantil do que exaltado, pois pode-se supor que ninguém é ingênuo o suficiente nos dias de hoje para tomar os ofícios angelicais literalmente, e acreditar, por exemplo, que pela evocação de Aratron o conteúdo de sua carvoeira será transformado em verdadeiros tesouros. A Magia Transcendental é, portanto, hiperbólica em suas promessas, enquanto estas, do ponto de vista místico, seriam frívolas se pudessem ser interpretadas literalmente. O estudante de ocultismo não derivará luz de tais processos, mas o assunto é ao mesmo tempo um ramo muito curioso e fantástico da pesquisa bibliográfica, no qual pudemos, além disso, esclarecer alguns pontos duvidosos, e neste sentido valeu a pena prossegui-lo.

CAPÍTULO III

RITUAIS COMPOSTOS

§ I. A CHAVE DE SALOMÃO, O REI.

A classe mais importante de Rituais Mágicos é aquela que incorpora elementos tanto de procedimentos da Magia Branca quanto da Negra. Para conveniência de tratamento, estes são aqui chamados de Compostos. À frente de todos, e, dentro de certos limites, a inspiração e a fonte de todos, está a “Chave de Salomão”, com seu complemento, em muitos aspectos mais importante do que ela mesma, o “Lemegeton, ou Chave Menor”, às vezes atribuído a Salomão, o Rabino; o rabino e o monarca são, no entanto, um e o mesmo. Os outros Rituais que serão tratados nesta classe são o chamado “Quarto Livro de Cornélio Agripa” e os “Elementos Mágicos” de Pedro de Abano. O estudante de ocultismo foi ensinado a considerar essas obras como tratando exclusivamente de Magia Branca, e faz parte do presente projeto indicar pela primeira vez o caráter misto de seus procedimentos. Os inúmeros Rituais de Magia que permanecem em manuscrito e provavelmente nunca serão impressos pertencem também, com poucas exceções, à classe composta, mas, deixando de lado o “Lemegeton”, ao qual se deve dar todo o destaque, eles tiveram pouca influência e, sendo, portanto, sem importância para a história das ciências ocultas, não exigirão mais consideração do que a já concedida a alguns deles no breve esboço no final do primeiro capítulo.

A existência da admirável edição do Sr. Mathers da “Chave de Salomão”, que ainda está impressa, embora cara e, portanto, não tão prontamente acessível, deve ser considerada como eliminando a necessidade de entrar em uma descrição detalhada do conteúdo dessa curiosa obra. Na medida em que foi incorporada pelos fabricantes posteriores de Grimórios, ela será encontrada, com suas variações goéticas, na Segunda Parte. Temos aqui apenas que considerar a questão de sua antiguidade e estabelecer seu verdadeiro caráter.

A “Chave de Salomão” propriamente dita é familiar aos estudiosos em latim, francês, italiano e em um ou dois manuscritos alemães. O manuscrito mais antigo usado pelo editor inglês está em latim contraído e pertence ao século XVI. É preservado no Museu Britânico. É possível que manuscritos mais antigos existam em bibliotecas continentais, mas os da Biblioteca Nacional e do Arsenal de Paris são de data posterior. A maioria dos manuscritos conhecidos está em língua francesa. Alega-se, no entanto, que a obra foi escrita originalmente em hebraico. Nesta afirmação não há nada essencialmente improvável, e, supondo que seja bem fundamentada, não é improvável que o original ainda exista. A vasta literatura hebraica da Idade Média foi apenas imperfeitamente explorada, especialmente na parte que se conecta com a Magia prática. Os métodos fraudulentos que têm regido a fabricação da maioria dos livros mágicos descontam em grande parte a probabilidade com que estamos lidando, e a mera afirmação em um manuscrito não pode, sob tais circunstâncias, ser considerada como evidência. Nenhum estudioso de hebraico conhece atualmente tal original, e trezentos anos atrás, segundo P. Christian, a questão estava envolta na mesma incerteza, pois no final do século XVI o erudito jesuíta Gretser afirma que era desconhecido, mas que havia uma tradução grega na biblioteca do Duque da Baviera. O paradeiro atual deste manuscrito altamente importante não conseguimos rastrear. No século XVIII, o Abade d’Artigny menciona vários exemplares em latim, e também uma edição impressa em 1655, que não é apenas desconhecida para o Sr. Mathers, mas aparentemente para todos os bibliógrafos modernos.

Deixando a questão da língua do original em aberto, é claro que, em qualquer caso, não há fundamento para atribuir à “Chave de Salomão” em sua forma atual uma antiguidade superior ao século XIV ou XV, época em que a literatura hebraica estava se desenvolvendo rapidamente. Se foi escrita primeiro em latim, está, de qualquer forma, permeada de ideias judaicas tardias, e o estado corrupto do hebraico nas conjurações e talismãs – que é praticamente o mesmo, e tão ruim quanto possível, em todas as cópias existentes – dificilmente poderia ter sido alcançado em menos de dois séculos de transcrição descuidada e ignorante. Podemos, portanto, fixar a data de sua fabricação, ou de sua tradução, por volta do período mencionado.

A atribuição da obra a Salomão é óbvia; não poderia deixar de ter sido sugerida a um compilador com tendências cabalísticas, e é bastante consistente com uma literatura que não fez nada além de atribuir falsamente. Que seja levada a sério por qualquer pessoa bem equipada nos dias de hoje parece, é claro, completamente inescrutável, mas como é o caso, deve ser explicada de uma das duas maneiras: por uma predisposição a aceitar declarações com base na fé da tradição oculta, na sequência de uma convicção sobre a realidade da ciência oculta; ou, alternativamente, por um conhecimento derivado das tradições de iniciação. A primeira é lamentável porque está aberta ao abuso, mas nem por isso é menos prontamente compreendida em casos particulares; a segunda é improvável de existir, porque é prejudicial à inteligência do Rei de Israel supor que ele escreveu a Clavícula.

Até agora, sobre a antiguidade da obra e a soberana mistificação de sua autoria. Resta agora dizer algo sobre seu caráter. A “Chave de Salomão” dificilmente pode ser julgada com precisão à luz de sua versão inglesa, pois o tradutor, considerando-a sinceramente como um memorial altamente honroso da magia lícita, eliminou o máximo possível as porções goéticas, com o fundamento de que são interpolações posteriores. Ele ainda retém, no entanto, o que é geralmente estigmatizado como uma das marcas distintivas da Magia Negra; o Ritual está permeado pelo sacrifício sangrento, que o Sr. Mathers condena com razão, mas não achou possível rejeitar. Sua versão também inclui várias referências à realização de obras de ódio e destruição – isto é, obras que traem um propósito maligno, ou um propósito que se conecta diretamente com a Magia Negra. O capítulo que detalha o método de efetuar tais objetivos é omitido, mas é encontrado em cinco dos sete códices em que a versão se baseia. Além disso, onde a intenção não é maligna, é frívola, hiperbólica ou eminentemente tola. É (a.) frívola em experimentos como a detecção de bens roubados, pelos quais é colocada no mesmo nível da literatura de adivinhação de mascates; é (b.) hiperbólica e fantástica no experimento da invisibilidade, na composição das Ligas Mágicas e do Bordão Mágico; é (c.) tola em capítulos como o que trata de impedir um caçador de matar qualquer caça. M. Papus, o porta-voz dos ocultistas franceses, distingue entre as Chaves de Salomão e os embustes da colportagem; mas em que aspecto, pode-se perguntar, esses processos são superiores aos livretos dos colportores?

A maior ambição das Clavículas é idêntica à dos Grimórios – tornar-se senhor de um tesouro possuído por espíritos. Deve-se observar também que os experimentos que têm por objetivo interferir no livre-arbítrio de outra pessoa, como o de buscar favor e amor, são essencialmente experimentos malignos.

Acabamos de enumerar todos os processos que são apresentados nesta “fonte e depósito da Magia Cabalística”; é para tais propósitos triviais que o Mago é instruído a empreender sua laboriosa preparação, e para tais também a por em movimento os poderes considerados inerentes aos Nomes Divinos, em longas páginas de orações pretensiosas, e em conjurações “mais fortes e mais poderosas”. Por mais que a justiça do crítico possa ser temperada pela misericórdia do transcendentalista para com um memorial da ciência oculta que foi indevidamente honrado – isto é, honrado de outra forma senão como uma curiosidade literária – deve-se concluir que a “Chave de Salomão” é uma combinação grotesca do pomposo e do ridículo; é, de fato, a velha história da montanha e do rato, mas tão grande é o trabalho de parto que, neste caso, o rato nasce morto.

§ 2. A CHAVE MENOR DE SALOMÃO.

O “Lemegeton, ou Chave Menor de Salomão”, Rabino e Rei, é uma obra de pretensões muito mais elevadas, que desdobra todas as hierarquias e evoca espíritos aos bilhões. Sobre sua antiguidade não há necessidade de disputa séria; afirma ser traduzido do hebraico, mas seus exemplares perfeitos mais antigos estão em francês do século XVII, e ninguém ouviu falar do original. Deve ter existido, no entanto, em uma forma muito anterior; é objeto de referência contínua por demonologistas como Wierus, sob o estilo de Liber Spirituum do feiticeiro, e é desta fonte que o cético escarnecedor que foi discípulo de Agripa derivou sua Pseudo-Monarchia Daemonum, com, no entanto, variações significativas das cópias conhecidas.

O “Lemegeton” é dividido em quatro partes, que controlam os ofícios de todos os espíritos à vontade do operador, de quem as condições ordinárias são exigidas. Com exceção da primeira parte, que forneceu materiais a Wierus, esta notável e, em muitos aspectos, atraente obra nunca foi impressa, embora tenha sido taxada furtivamente para contribuições pela maioria dos fabricantes de Rituais e Grimórios. Ela trata, como dissemos, da evocação de todas as classes de espíritos, malignos, indiferentes e bons; seus Ritos de abertura são os de Lúcifer, Bel, Astarote e toda a coorte do Inferno; intitula-se Goetia, que se explica por si mesma, e contém as fórmulas de conjuração para setenta e dois demônios principais e seus ministros, com um relato de seus poderes e ofícios. A segunda parte, ou Teurgia Goetia, trata dos espíritos dos pontos cardeais e seus inferiores. Estas são naturezas mistas, alguns bons e alguns maus. O terceiro livro é chamado de “Arte Paulina”, para cujo significado do nome não podemos dar conta. Diz respeito aos Anjos das Horas do Dia e da Noite e dos Signos do Zodíaco. A quarta parte, ou Almadel, enumera quatro outros coros de espíritos de maneira um tanto obscura. Há um ponto significativo sobre toda a obra – os poderes residentes nos ofícios dos Espíritos Infernais são minuciosamente descritos, mas o Ritual é quase silencioso quanto aos benefícios especiais que podem ser esperados do intercâmbio com as classes superiores de inteligência; portanto, é óbvio a quem o mago recorreria se tivesse um fim definido em vista. É, de fato, de modo algum improvável que a primeira ou porção Goética constitua o verdadeiro “Lemegeton”, e que as outras, aparentemente desconhecidas por Wierus, sejam acréscimos de data posterior. Esta divisão, em qualquer caso, não só está expressamente ligada à Magia Negra, ou melhor, exclusivamente dedicada a ela, mas indubitavelmente divide com a chamada Chave Maior a honra proibitiva de ter sido a principal inspiração de todos os manuais posteriores de cerimonial infernal. Desprovida de qualquer parte doutrinal, não tem nada que exija citação neste lugar, mas, como nenhum Grimório pode pretender completude sem ela, todas as suas tabulações hierárquicas e todos os seus processos evocatórios serão dados na Segunda Parte.

§ 3. O QUARTO LIVRO DE CORNÉLIO AGRIPA.

É hoje quase de conhecimento geral que um Quarto Livro de “Filosofia Oculta” é atribuído a Cornélio Agripa, e que é rejeitado como espúrio. A autenticidade dos famosos três livros nunca foi questionada, e está de fato além de qualquer dúvida; o quarto é talvez menos interessante pelo conteúdo do que por esta questão de sua autoria. É, ao mesmo tempo, uma obra muito mais hábil do que a média das imposturas mágicas; conecta-se com e surge da obra genuína de uma maneira muito curiosa; e, tendo em vista a complexão mágica especial desta última, não há razão inerente para que não pudesse ter sido produção de Agripa. As dificuldades sobre ele podem ser reduzidas a três pontos. Uma é de tempo; apareceu após a morte do filósofo especulador e inquieto de Nettesheim. Ora, uma publicação póstuma não é necessariamente suscetível de suspeita, a menos que seja um tratado sobre Magia, mas um tratado sobre Magia do período em questão, não aparecendo em vida de seu escritor, está aberto à mais grave suspeita, por causa da companhia escandalosa a que pertence. A segunda dificuldade é interna, e é justo possível que possa ser anulada. É, em grande medida, um refogado de várias partes dos três livros indiscutíveis, e, mesmo nos dias de Agripa, não é provável que qualquer autor se tivesse reproduzido tão liberalmente. A terceira dificuldade é que foi rejeitado como falsificação por Wierus, o discípulo de Agripa, que deve ter tido uma boa oportunidade de saber; sua rejeição por escritores posteriores simplesmente segue a liderança de Wierus, e, portanto, não tem importância. A força do caso contra ele reside principalmente na terceira dificuldade, e mesmo essa não é totalmente conclusiva. Se não é obra de Agripa, foi evidentemente produzida em imediata proximidade de seu período.

O livro em si, que é bastante informalmente escrito, divide-se em várias partes. Há, em primeiro lugar, um elaborado tratado sobre o método de extrair os nomes dos espíritos bons e maus referidos aos sete planetas. Este é um desenvolvimento adicional de um assunto tratado com alguma extensão no terceiro livro da “Filosofia Oculta”. O método não tem importância para nossa investigação, mas aqueles que procuraram desvendá-lo confessam que foram frustrados. Possivelmente Agripa e seu sucessor estavam apenas enganando seus leitores, e não revelaram o segredo. O tratado sobre Nomes é seguido por um sobre Caracteres, e, dependendo do primeiro, também não é prontamente inteligível. Depois vem uma tabulação formal de todas as formas conhecidas familiares aos espíritos dos planetas, após o que há uma dissertação sobre Pentáculos e Selos, outra sobre a consagração de instrumentos usados em cerimônias mágicas, como também de fogo, água e assim por diante. A obra conclui com métodos para a invocação de espíritos bons e maus e um breve processo em Necromancia. Como teremos ocasião de citá-la frequentemente na Segunda Parte, a análise pode aqui ser confinada a estabelecer sua conexão com o diabolismo, e o tipo de manifestações que se supõe serem obtidas por seus processos.

Como o “Lemegeton”, dá instruções específicas para comunicar-se com espíritos malignos, e não há dúvida alguma quanto à natureza lícita do experimento. Refinamentos deste tipo estavam evidentemente fora da magia do século XV. Na seguinte citação, nos afastaremos de nosso costume habitual de traduzir em primeira mão, e faremos uso, com algumas podas necessárias, da versão de Robert Turner, que é bastante fiel e tem, além disso, o agradável sabor da antiguidade.

SOBRE A INVOCAÇÃO DOS ESPÍRITOS MALIGNOS.

Se quisermos chamar algum Espírito maligno ao círculo, primeiro devemos considerar e conhecer sua natureza, a qual planeta pertence, e quais funções lhe são distribuídas pelo planeta. Sabendo isso, deve-se procurar um lugar adequado e próprio para sua invocação, de acordo com a natureza do planeta e a qualidade das funções do mesmo Espírito, tanto quanto possível. Por exemplo, se seu poder é sobre o mar, rios ou inundações, então que seja escolhida uma praia, e assim por diante. Da mesma forma, deve-se escolher um tempo conveniente, tanto para a qualidade do ar – que deve ser sereno, claro, calmo e adequado para os Espíritos assumirem corpos – quanto para a qualidade e natureza do planeta, e também do Espírito, a saber, em seu dia, observando o tempo em que ele rege, seja ele afortunado ou infortunado, dia ou noite, como as estrelas e os espíritos exigem. Consideradas estas coisas, deve-se fazer um círculo no local eleito, tanto para a defesa do invocante quanto para a confirmação do Espírito. No próprio círculo devem ser escritos os nomes divinos gerais, e aquelas coisas que nos concedem defesa; os nomes divinos que regem o dito planeta, com as funções do próprio Espírito; os nomes, finalmente, dos bons Espíritos que governam, e são capazes de amarrar e constranger aquele Espírito que pretendemos chamar. Se quisermos fortificar ainda mais nosso círculo, podemos acrescentar caracteres e pentáculos que concordam com a obra. Assim também, e dentro ou fora do círculo, podemos fazer uma figura angular, inscrita com tais números que são congruentes entre si para nossa obra. Além disso, o operador deve ser provido de luzes, perfumes, unguentos e medicamentos compostos de acordo com a natureza do planeta e do Espírito, que em parte concordam com o Espírito em razão de sua virtude natural e celestial, e em parte são exibidos ao Espírito para culto religioso e supersticioso. O operador também deve ser fornecido com coisas santas e consagradas, necessárias tanto para a defesa do invocante e seus companheiros quanto para servir como laços que amarrarão e constrangerão os Espíritos. Tais são papéis sagrados, lâminas, imagens, pentáculos, espadas, cetros, vestes de matéria e cor convenientes, e coisas do mesmo tipo. Providas todas estas coisas, estando o mestre e seus companheiros no círculo, e todas aquelas coisas que ele usa, comece ele a orar em voz alta e com gesto e semblante convenientes. Faça uma oração a Deus, e depois suplique aos bons Espíritos. Se quiser ler algumas orações, salmos ou evangelhos para sua defesa, devem eles ocupar o primeiro lugar. Depois, comece a invocar o Espírito que deseja, com uma encantação suave e amorosa para todas as costas do mundo, comemorando sua própria autoridade e poder. Descanse então até que o tenha feito três vezes. Se o Espírito ainda for pertinaz e não aparecer, comece a conjurá-lo com o poder divino, mas de tal modo que todas as conjurações e comemorações concordem com a natureza e funções do próprio Espírito. Repita o mesmo três vezes, de mais forte para mais forte, usando objurgações, contumálias, maldições, punições, suspensões de seu ofício e poder, e coisas semelhantes.

Terminados todos os cursos, cesse novamente um pouco, e se algum Espírito aparecer, volte-se o invocante para ele, receba-o cortesmente e, suplicando-lhe seriamente, pergunte seu nome. Prosseguindo, pergunte o que quiser. Mas se em alguma coisa o Espírito se mostrar obstinado ou mentiroso, seja ele amarrado por conjurações convenientes, e se ainda duvidar de alguma mentira, faça fora do círculo, com a espada consagrada, a figura de um triângulo ou pentáculo, e obrigue o Espírito a entrar nele. Se quiser que alguma promessa seja confirmada sob juramento, estenda a espada para fora do círculo, e faça o Espírito jurar, pondo a mão sobre a espada. Tendo então obtido do Espírito o que deseja, ou estando de outro modo satisfeito, dê-lhe licença para partir com palavras corteses, dando-lhe ordem para que não faça mal. Se ele não quiser partir, obrigue-o por poderosas conjurações e, se necessário, expulse-o por exorcismo e fazendo fumaças contrárias. Partido ele, não saia do círculo, mas fique, fazendo oração para sua defesa e conservação, e dando graças a Deus e aos bons anjos. Feitas ordenadamente todas estas coisas, pode partir.

Mas se suas esperanças forem frustradas, e nenhum Espírito aparecer, não desespere por isso, mas, deixando o círculo, volte em outras ocasiões, fazendo como antes. E se julgar que errou em alguma coisa, emende, acrescentando ou diminuindo, pois a constância da reiteração muitas vezes aumenta sua autoridade e poder, e infunde terror nos Espíritos, humilhando-os à obediência. Por isso, alguns costumam fazer uma porta no círculo, por onde entram e saem, que abrem e fecham como querem, e a fortificam com nomes sagrados e pentáculos. Devemos também notar que, quando nenhum Espírito aparece, mas o Mestre, cansado, determinou a cessar e desistir, não parta ele, portanto, sem dar licença aos Espíritos, pois os que negligenciam isso estão em grande perigo, a menos que estejam fortificados com alguma defesa sublime. Muitas vezes também os Espíritos vêm, embora não sejam visíveis (para causar terror àquele que os chama), seja na coisa que ele usa ou na própria operação. Mas este tipo de licença não é dado simplesmente, mas por uma espécie de dispensação com suspensão, até que se mostrem obedientes.

Quando pretendemos executar algum efeito por Espíritos malignos onde uma aparição não é necessária, isso deve ser feito fazendo o instrumento ou objeto do experimento em si, seja uma imagem, um anel, ou um escrito, qualquer vela, caráter, ou sacrifício, ou qualquer coisa do gênero. O nome do Espírito deve ser escrito nele, com seu caráter, de acordo com a exigência do experimento, seja escrevendo com sangue ou usando algum perfume agradável ao Espírito, fazendo também frequentes orações a Deus e aos bons anjos antes de invocarmos o Espírito maligno, e conjurando-o pelo poder divino.

Além do diabolismo formal deste processo, há instruções para compor um livro de espíritos malignos, a ser preparado cerimoniosamente de acordo com o Espírito cujo nome está escrito nele, supostamente para assegurar sua obediência. O livro em si deve ser formado de papel puríssimo e limpo, que nunca tenha sido usado antes – uma estipulação que pode ter sido de importância nos dias do palimpsesto, mas é, naturalmente, desnecessária em nossa época. A imagem do Espírito deve ser desenhada no lado esquerdo, e seu caráter no direito, precedido pelo juramento contendo o nome do Espírito, com sua dignidade, lugar, ofício e poder. A operação deve ser realizada no dia e na hora do planeta ao qual o Espírito é atribuído. Quando o livro estiver composto, deve ser bem encadernado e embelezado, sendo também provido de marcadores e selos, pois abri-lo ao acaso após sua consagração poderia pôr em perigo o operador. Deve ser guardado reverentemente e livre de profanação, caso contrário perderá sua virtude. Sua consagração é uma questão de alguma dificuldade, pois todo Espírito cujo nome aparece nele deve ser chamado perante o círculo, os laços lidos em sua presença, e cada um sucessivamente deve ser obrigado a impor sua mão onde seu respectivo selo é desenhado, e a ‘consagrar o mesmo com um juramento especial e comum’. Em uma palavra, o documento deve ser regular e legalmente entregue como a escritura de cada um. Durante esta cerimônia, o livro deve ser colocado dentro de um triângulo descrito fora do círculo.

Não pode haver dúvida de que estas instruções são obra de um escritor bem familiarizado com o “Lemegeton”, ou que o Liber Spirituum em questão é idêntico àquele mencionado por Wierus. As formas assumidas pelos Espíritos evocados diferem um pouco das da “Chave Menor”, que, além disso, pelo menos em sua porção Goética, não tem atribuição planetária. Segundo o pseudo-Agripa, os Espíritos de Saturno geralmente aparecem com um corpo alto e magro e uma expressão zangada, tendo quatro faces, das quais uma está na posição usual, outra atrás da cabeça, e duas, com bicos, de cada lado. Eles também têm uma face em cada joelho, de um preto brilhante. Seu movimento é como o do vento, e é acompanhado por uma espécie de terremoto. Seu sinal é terra branca, ‘mais branca que qualquer neve’. Suas formas particulares são um rei barbudo montado em um dragão; um velho barbudo; uma velha apoiada em um cajado; um menino; um dragão; uma coruja; uma veste preta; um gancho ou foice; um zimbro. Como as três últimas manifestações são providas das seis faces é uma perplexidade que deve ser deixada aos comentadores ocultos.

Os Espíritos de Júpiter aparecem com um corpo sanguíneo e colérico; são de estatura média; seu movimento é ‘horrível e temeroso’, mas são de semblante manso e fala gentil. São da cor do ferro, o que deveria tê-los conectado com Marte; seu movimento é o de relâmpagos cintilantes, e com isso trovejante; seu sinal é a aparição de homens ao redor do círculo que parecem ser devorados por leões. Suas formas particulares são um rei com espada desembainhada montado em um leão; um personagem mitrado em uma longa vestimenta; uma donzela coroada de louros e adornada com flores; um touro; um veado; um pavão; uma veste azul; uma espada; uma árvore de buxo.

Os Espíritos de Marte têm um corpo alto e colérico, rosto sujo, moreno, pardo ou vermelho; têm chifres como o veado, garras como um grifo, e rugem como touros selvagens. Têm o movimento de fogo ardente, e seu sinal é trovão e relâmpago ao redor do círculo. Suas formas particulares são um rei armado montado em um lobo; um homem armado; uma mulher segurando um escudo na coxa; uma cabra; um cavalo; um veado; uma veste vermelha; lã; uma castanha. Lã de disposição colérica é talvez uma forma goética de algodão-pólvora.

Os Espíritos de Vênus têm um corpo de estatura mediana e membros, sanguíneo, grosso e de cor dourada tinta com sangue – o que lembra a romã da Sra. Browning. Seu movimento é o de relâmpago; seu sinal é produzir suor no operador, o que poderia, no entanto, ser a propriedade normal de todos esses tipos estelares do mundo infernal. Suas formas particulares são um rei com cetro montado em um leão; um rei coroado; uma rainha com um cetro; um pássaro – não descrito de outra forma, mas provavelmente qualquer coisa, exceto o paraíso; um leão; um galo; uma veste dourada; um cetro; e, por último, algo que Robert Turner sabiamente deixou intraduzido – caudatus, isto é, com cauda.

Os Espíritos de Vênus têm um corpo de estatura mediana e um semblante agradável, cuja parte superior é dourada e a inferior branca ou verde. Seu movimento é como o de uma estrela brilhante. Seu sinal é a semelhança de donzelas brincando ao redor do círculo, e atraindo o Mago a se juntar a elas. Suas formas particulares são um rei com cetro montado em um camelo; uma donzela nua; uma cabra; um camelo – provavelmente o atroz demônio de Cazotte; uma pomba; uma veste branca ou verde; a erva sabina.

Os Espíritos de Mercúrio aparecem comumente com um corpo de estatura média, frio, líquido, úmido, o que soa redundante, mas a referência é às propriedades do mercúrio – isto é, o Mercúrio dos filósofos era suposto não molhar a mão, mas os espíritos mercuriais do feiticeiro aparentemente o faziam. São, com isso, belos, afáveis na fala, de forma humana, e semelhantes a cavaleiros armados. São como nuvens cor de prata em seu movimento. Seu sinal é que causam horror e medo ao operador. Suas formas especiais são um rei montado em um urso; um jovem belo; uma mulher segurando uma roca – é difícil entender como tal aparição pode ser como um cavaleiro armado, observação que, se valesse a pena, poderia se aplicar aos modos de manifestação restantes; um cão; uma ursa; uma pega; uma veste de muitas cores cambiantes; uma vara; e um pequeno cajado.

Finalmente, os Espíritos da Lua têm um corpo grande, mole, fleumático, como uma nuvem escura em cor. Seu rosto é inchado, sua cabeça calva, seus olhos vermelhos e lacrimejantes, seus dentes como os de um javali selvagem. Seu movimento é como o de uma grande tempestade varrendo o mar. Seu sinal é um forte aguaceiro ao redor do círculo. Suas formas particulares são um rei montado em um veado; uma pessoa de rosto inchado; uma vaca leiteira; um cão; uma criatura com muitos pés – talvez uma centopeia.

A imbecilidade desta tabulação confusa coloca o falsificado Quarto Livro em uma luz mais absurda do que o merece. Ele realmente reproduz o estilo do tratado de Agripa com uma fidelidade que não é inábil, e tem tanto direito de ser levado a sério quanto qualquer um dos Rituais compostos.

§ 4. O HEPTÂMERON.

O Quarto Livro de Cornélio Agripa era muito informal e deixava muito ao critério do operador para ser satisfatório para uma ciência tão exata quanto a da Magia Cerimonial. Uma forma de procedimento que não legasse nada à imaginação e não exigisse outra habilidade além da exatidão paciente do método prático era necessária para a fraqueza do feiticeiro comum. O “Heptâmeron, ou Elementos Mágicos” de Pedro de Abano é uma tentativa de suprir a necessidade, e de oferecer ao neófito um gabinete completo de feiticeiro. Cornélio Agripa, diz a introdução, parece ter escrito para os eruditos, para os bem experimentados nesta arte; ele não trata especialmente das cerimônias, mas as menciona de modo geral. Aqueles que não ‘provaram as superstições mágicas’ podem aqui encontrá-las prontas em suas mãos. ‘Em resumo, neste livro estão guardados os princípios das transmissões mágicas.’ Pode-se conceder desde já que a empresa é escrupulosamente cumprida; o que o operador deve fazer e como deve realizá-lo, para ‘atrair espíritos ao discurso’, são questões expostas tão claramente que o viajante comum não precisa errar nelas. Assumindo o ofício sacerdotal do operador, ou um padre como cúmplice, é tudo tão simples que o fracasso não poderia ser atribuído a um erro de sua parte.

Seria odioso supor que o “Heptâmeron” é mais autêntico em relação à sua atribuição do que a obra à qual é professamente uma continuação; sua autoria real é tão incerta quanto a do espúrio Quarto Livro de Agripa. Como não há razão grave para que o discípulo de Agripa não tivesse escrito o espúrio Quarto Livro, também Pedro de Abano não é um personagem improvável para se conectar com os “Elementos Mágicos”. A única objeção é que o “Heptâmeron” nunca foi ouvido falar por quase duzentos anos após a morte de seu suposto autor, que ocorreu em 1316, e é muito obviamente tardio em seu tom, muito obviamente uma continuação de uma obra muito mais recente, para que pudesse ter sido possivelmente um memorial do século XIV. Pedro de Abano nasceu em 1250 e foi um médico erudito de seu período, que tentou conciliar os diferentes sistemas médicos, e é suposto ter sido o primeiro europeu a citar Averróis. Estabeleceu-se em Paris, mas por instigação de confrades profissionais ciumentos foi acusado de heresia, e fugiu para sua terra natal. Em Pádua, uma cátedra de medicina foi criada para ele, mas a acusação o seguiu; por alguns ele foi acusado de negar a existência de demônios, por outros de obter seu conhecimento de sete diabinhos que mantinha em uma garrafa. Seja como for, a Inquisição iniciou seu processo, mas a vítima pretendida foi libertada pela morte – segundo alguns, na véspera de sua execução. A intervenção enfureceu o Tribunal, embora o testamento deixado por Pedro de Abano afirmasse sua crença na fé ortodoxa. Os magistrados da cidade foram ordenados, sob pena de excomunhão, a exumar seu corpo, mas ele foi removido por um servo fiel e enterrado secretamente em outra igreja. A Inquisição clamou pelo castigo do ofensor, mas contentou-se em queimar o médico morto em efígie. Como contrapeso, um século depois seu busto foi colocado na prefeitura de Pádua. Suas obras indubitáveis, que são francamente ilegíveis, não traem nenhum conhecimento das ciências ocultas além de uma crença na astrologia, que naqueles dias era tão católica quanto Roma e poderosa quanto o Santo Tribunal. Ele permanece, no entanto, um dos mártires morais da Magia, faussement accusé, como Gabriel Naudé o tem. Sua acusação e o modo de sua acusação permanecem também entre as menores glórias do Santo Ofício.

Aceitando o “Heptâmeron” como uma obra pertencente ao período de sua primeira publicação, ele é aqui colocado entre os Rituais de caráter composto, não porque professadamente lide com demônios, mas porque a natureza de seus anjos e espíritos é indicada pelo modo de sua conjuração: em uma palavra, eles são descritos como anjos e ameaçados como demônios. O procedimento é dividido em duas partes – um método geral para a evocação dos Espíritos do Ar, que são indubitavelmente demônios, e um conjunto de conjurações angelicais próprias para cada dia da semana. A segunda presumivelmente pertence ao departamento da Magia Branca, pois as inteligências em questão são ditas boas e grandes, mas seus ofícios são mistos e confusos, incluindo a descoberta de tesouros, a detecção de segredos, fomento de guerra, abertura de fechaduras e ferrolhos, procura do amor das mulheres, inclinação dos homens à luxúria e semeadura de ódio e mau pensamento. Obviamente, a Magia Branca deste tipo é muito mais negra do que é pintada. Embora todo o “Heptâmeron” apareça sob uma única atribuição, a primeira parte só é atribuída no texto a Pedro de Abano. Nela, a preparação pessoal do operador corresponde àquela dada na Segunda Parte da presente obra, e o cerimonial em si, que, se citado, teria que ser impresso na íntegra, pois não contém partes destacáveis, é muito elaborado para ser inserido neste lugar, especialmente porque o do “Lemegeton” fornecerá mais adiante uma noção bastante completa do escopo e propósito dos Rituais Compostos.

CAPÍTULO IV

OS RITUAIS DA MAGIA NEGRA

§ 1. O GRIMORIUM VERUM.

Os quatro manuais específicos e não dissimulados de Magia Negra, todos em língua francesa, mas em três casos, como grande parte da literatura Cerimonial, possuindo conexões italianas, reais ou imputadas, são:—

GRIMORIUM VERUM, ou as Chaves Mais Aprovadas de Salomão, o Rabino Hebraico, nas quais os Segredos Mais Ocultos, tanto Naturais quanto Sobrenaturais, são imediatamente exibidos, mas é necessário que os Demônios fiquem satisfeitos por sua parte. Traduzido do hebraico por Plaingiére, um jesuíta dominicano, com uma Coleção de Segredos Curiosos. Publicado por Alibeck, o Egípcio. 1517.

VERDADEIRA MAGIA NEGRA, ou o Segredo dos Segredos, um Manuscrito encontrado em Jerusalém no Sepulcro de Salomão, contendo: 1. Quarenta e cinco Talismãs com sua representação, bem como o modo de usá-los, juntamente com suas Propriedades Maravilhosas. 2. Todos os Caracteres Mágicos conhecidos até hoje. Traduzido do hebraico do Mago Iroe-Grego. Roma. No ano da graça de 1750.

O GRANDE GRIMÓRIO, com a Poderosa Clavícula de Salomão e da Magia Negra; ou os Dispositivos Infernais do Grande Agripa para a Descoberta de todos os Tesouros Ocultos e a Subjugação de toda Denominação de Espíritos, juntamente com um Compêndio de todas as Artes Mágicas. (Em sua edição mais antiga, sem local ou data.)

A CONSTITUIÇÃO DO PAPA HONÓRIO, O GRANDE, na qual podem ser encontradas as Conjurações Arcanas que devem ser usadas contra os Espíritos das Trevas. Com uma Coleção dos Segredos Mais Raros. Roma, 1670.

São todos volumes minúsculos, nominalmente em duodécimo, mas muito menores de acordo com as medidas modernas.

A data especificada no título do Grimorium Verum é inegavelmente fraudulenta; a obra pertence a meados do século XVIII, e Memphis é Roma. O “Grande Grimório” não é de antiguidade superior. O de Honório diz-se que apareceu originalmente em 1629, mas tem sido por vezes erroneamente referido ao mesmo período do século anterior.

Como indicado pela autoria que lhe é atribuída, o Grimorium Verum baseia-se em certa medida na “Chave de Salomão”, sendo os principais pontos de semelhança na descrição dos instrumentos mágicos, e em algumas das fórmulas de oração. Distingue claramente os poderes que se propõe invocar pelo nome de Demônios. Ao mesmo tempo, refere-os nominalmente aos quatro elementos, o que os conectaria com os Silfos, Salamandras e assim por diante, mas a classificação em questão, feita de modo um tanto incidental, não se sustenta realmente. Há um relato da Hierarquia dos Espíritos, com Lúcifer, Belzebu e Astarote como potentados principais. Uma parte deste relato é extraída do “Lemegeton”, talvez através da Pseudo-Monarchia de Wierus. A obra pretende ser dividida em três seções, contendo: (a.) Os Caracteres e Selos dos Demônios, com as fórmulas para sua Evocação e Despedida. (b.) Uma descrição dos Segredos Naturais e Sobrenaturais que podem ser operados pelo poder dos Demônios, e isso sem qualquer engano. (c.) A Chave da obra, e a aplicação adequada da mesma. Passando por cima de erros tipográficos, o manuscrito do qual foi impresso deve ter estado em um estado muito confuso; não há realmente divisões distintas, e o pequeno volume abunda em passagens latinas que muitas vezes desafiam a tradução, como, por exemplo, sic pro ratione voluntas; ut illud sit hoc in opere inclusum minimo clerum in doctis; quia amicus fiet capitalis, fiet inimicus. Assim também temos Sanctum Regum em todo lugar por Sanctum Regnum. Há duas placas dobráveis de Caracteres e Selos, das quais muitas não têm referência ao texto, enquanto outras essenciais para os processos estão faltando, sendo as deficiências supridas nas versões italianas modernas, que provavelmente seguem outra edição, também italiana, e fonte da tradução francesa, mas desconhecida do presente escritor, como de fato para a maioria dos bibliógrafos. A obra, como está, é realmente em duas partes apenas, o Grimorium Verum propriamente dito, e certos “Segredos Mágicos Raros e Surpreendentes”. A primeira pode ser analisada como se segue:—(a.) Instruções para a preparação do Operador, todas de tipo pessoal, e análogas às da Clavícula. (b.) Instruções para a fabricação dos instrumentos mágicos exigidos na obra, também análogas à Clavícula. (c.) A composição do pergaminho virgem sobre o qual os caracteres e selos devem ser inscritos, mostrando variações distintas da Clavícula. (d.) Os processos de evocação e a despedida. Além do fato de que os Espíritos evocados são Lúcifer, Belzebu, Astarote, e os inferiores e ministros destes, esta primeira e principal parte não é mais repulsiva, como de fato dificilmente é mais uninteligente, do que a maioria dos processos em seu protótipo.

A segunda parte contém as curiosidades usuais comuns a todos os Grimórios posteriores, incluindo os “Segredos Admiraveis” do pretenso Alberto Magno, o “Pequeno Alberto”, etc. Na medida em que apresenta variações consideráveis, tais variações são geralmente na direção da Magia Negra. Algumas são venéreas no sentido objetável do termo, outras meramente revoltantes, enquanto outras, como a das Ligas Mágicas, são derivadas da Clavícula. Finalmente, há certos processos que são obviamente de Magia Branca, e se ocupam com a indução cerimonial de clarividência simples.

Podemos, portanto, concluir que o Grimorium Verum propriamente dito não é mais diabólico do que a primeira parte do “Lemegeton”, que de fato contém o cerimonial para a evocação precisamente dos mesmos espíritos.

§ 2. VERDADEIRA MAGIA NEGRA.

O Grimório intitulado “Verdadeira Magia Negra” é simplesmente uma versão adaptada da “Chave de Salomão”, com os mesmos preâmbulos, o mesmo ritual, os mesmos talismãs, e caracteres análogos quando não são idênticos. Com a apresentação inteligível e cuidadosa do Sr. Mathers, naturalmente se compara muito mal; como o Grimorium Verum, é extremamente confuso, e é tornado quase sem sentido pela omissão de toda a parte prática. Seu elemento malicioso ou diabólico consiste, no entanto, unicamente em sua introdução do capítulo sobre obras de ódio e destruição, que, como já vimos, e como será mais plenamente estabelecido adiante, deve indubitavelmente ser considerado como uma porção integrante da obra original.

§ 3. O GRANDE GRIMÓRIO.

O “Grande Grimório” é o mais fantástico do ciclo, e é introduzido com grande pompa por seu pretenso editor, Antonio Venitiana del Rabina, um personagem cujo nome indica a origem italiana da obra. Por sua raridade e pela grande demanda em que é, somos informados de que deve ser considerado como o verdadeiro Magnum Opus – uma visão que pode parecer inconsequente, mas para a qual a autoridade de escritores rabínicos é citada. É a estes autores que devemos o tesouro inestimável que inúmeros charlatães têm procurado imitar, mas nunca conseguiram descobrir. A cópia utilizada por Antonio na preparação de sua edição foi transcrita dos escritos genuínos do poderoso Rei Salomão, que foram obtidos por puro acaso. ‘Em verdade, que outro homem, senão este invencível gênio, teria tido a ousadia de revelar as palavras murchas que Deus usa para infundir terror nos anjos rebeldes e obrigá-los à obediência? Tendo remontado às altitudes celestiais para dominar os segredos e aprender as palavras omnipotentes que constituem todo o poder de uma Deidade terrível e venerável, a essência daqueles arcanos íntimos, usados por uma Divindade infinita, foi extraída por este grande rei, que passou todos os dias de sua vida nas mais laboriosas pesquisas, e na busca dos mais obscuros e desesperados segredos. Ele conseguiu, finalmente, em todos os seus empreendimentos, penetrando nos recônditos mais remotos dos espíritos, aos quais amarrou, um por um, e forçou a obedecê-lo pelo poder de seu Talismã ou Clavícula. Nela ele nos descobriu as influências estelares, a constelação dos planetas, e o método para a evocação de todas as hierarquias de espíritos, pela recitação das Sublimes Apelações, como estão abaixo estabelecidas para você neste livro, bem como a verdadeira composição e efeitos da terrível Vara Devastadora, que faz os espíritos tremerem; que Deus também usou para armar seu Anjo quando Adão e Eva foram expulsos do Paraíso Terrestre; com a qual, finalmente, feriu os Anjos rebeldes, precipitando suas ambições nos mais horríveis abismos pelo poder desta mesma Vara – desta Vara que reúne as nuvens, dispersa as tempestades, desvia o relâmpago, ou os precipita, cada um e todos, sobre qualquer porção da terra à vontade de seu diretor.’

Tal é o preâmbulo do “Grande Grimório”. A obra está dividida em duas partes, a primeira contendo a evocação de Lucifuge Rofocale por meio da Vara Devastadora, a segunda o que Antonio, insondavelmente, considera o Sanctum Regnum, a saber, o Rito de fazer Pactos; mas uma das características mais notáveis de todos os Grimórios não é sua malícia diabólica, mas sua ingenuidade inconsciente, e o caráter devoto, quase louvável, de todas as operações parece ter sido bastante sinceramente defendido.

O “Grande Grimório” é, no entanto, considerado um dos mais atrozes de sua classe; tem um processo em Necromancia que é possível, dizem os escritores ocultos, apenas para um maníaco perigoso ou um criminoso irrecuperável. Deve-se admitir que o Rito é altamente irracional, mas ao lidar com tal literatura parece inseguro avançar com a objeção, pois ela se aplica muito amplamente. Quanto à sua criminalidade, esta se centra na criação de uma perturbação na Missa da meia-noite na Véspera de Natal. Há também um relato de um veneno intitulado ‘A Composição da Morte, ou Pedra Filosofal’, que se supõe indicar um grau avançado de diabolismo. Eliphas Lévi diz que pretende ser o Pó de Projeção, o grande Mistério dos Sábios, mas é realmente o Pó de Consecução – quanto ao significado do qual uma imagem vaga pode apenas ser invocada. Pode, em qualquer caso, ser acrescentado que não pode ser bem um nem outro, visto que a composição é um líquido. Quanto ao resto, é simplesmente uma receita estúpida, e como não é sugerida qualquer aplicação ilegal, não é diabólica de todo, a menos que a toxicologia, como tal, seja satânica simplesmente porque não lida com anódinos.

Não há, claro, dúvida de que o “Grande Grimório” é um livro de Magia Negra, e é contrário à natureza das coisas que um livro de Magia Negra seja de outra forma que não diabólica. As obras mais objetáveis não são aquelas que anunciam abertamente que são más, mas aquelas que ensinam o mal sob o pretexto da excelência. O ponto notável, no que diz respeito ao “Grande Grimório” e obras de sua classe, é que o diabolismo do confessadamente diabólico é muitas vezes extremamente tênue, e que o elemento angélico em Rituais supostamente angélicos muitas vezes beira tão perigosamente o Satânico. A primeira parte do “Grande Grimório”, tal como o Grimorium Verum, é simplesmente um processo para a evocação de espíritos malignos para obter a rendição forçada de um tesouro escondido. Na segunda parte, espera-se certamente que o mago se entregue, corpo e alma, ao demônio que o serve entretanto, e não pode haver hesitação em admitir que isso cria uma distinção nítida, não apenas entre o “Grande Grimório” e todos os Rituais Compostos, mas também entre o “Grande Grimório” e as outras Liturgias da Magia Negra. É apenas uma atenuação dizer que o pacto é redigido como um subterfúgio, e na realidade não dá nada ao demônio, que aqui, como tão frequentemente no folclore, é ludibriado, recebendo a sombra em lugar da substância.

§ 4. O GRIMÓRIO DE HONÓRIO.

Apesar das iniquidades dos Pacta Conventa Daemonum, o “Grande Grimório” não conseguiu, no entanto, invocar sobre si uma condenação tão severa como o ‘Grimório de Honório, o Grande’, de outra forma Honório III. É quase demais dizer que quase todas as acusações apresentadas contra esta notável obra são falsas geral e especificamente, sendo a principal distinção entre elas que algumas são deturpações da ignorância, e outras as falsas interpretações do preconceito. O ocultista francês, Papus, parece ser o único a tomar a visão média, embora fale com alguma vagueza quando diz que a feitiçaria deste Grimório é mais perigosa para experimentalistas fracos do que para os inimigos do feiticeiro. Eliphas Lévi observa que a obra não é sem importância para os estudantes da ciência oculta. À primeira vista parece ser nada além de um tecido de absurdos repulsivos, mas para aqueles que são iniciados nos signos e segredos da Cabala, torna-se um verdadeiro monumento da perversidade humana. Raramente houve uma afirmação com menos fundamento; nunca houve uma obra mágica que menos se conectasse com o Cabalismo; a conexão na medida em que existe, e está confinada a algumas palavras que ocorrem nas Conjurações, é comum a toda Magia Cerimonial, e este é o único Grimório que é mais permeado por elementos cristãos. Aqueles, no entanto, que estão bem familiarizados com os princípios de interpretação que prevalecem nos escritos de Lévi, não levarão a sério uma acusação que depende do significado de palavras ou signos cabalísticos, pois é notório que com o ocultista francês eles significavam muitas coisas de acordo com seu humor. Mas Eliphas Lévi não se contentou com a acusação geral; em uma obra posterior, ele elaborou uma acusação mais particular. Em comum com a “Chave de Salomão” e todos os Grimórios, a obra de Honório prescreve o sacrifício de um cabrito virgem, com o objetivo de assegurar a posse de um pergaminho virgem pelo operador. Ora, Lévi afirma que quando o ‘autor abominável’ menciona um cabrito, ele quer dizer realmente uma criança humana. Nesta interpretação, ele não tinha sequer a desculpa da analogia humorística que foi instituída em inglês vulgar, pois seu conhecimento, se o tivesse, de nossa língua era extremamente escasso. Não há um pingo de fundamento para a acusação; o sacrifício no caso do “Grimório de Honório” significa, e pode significar, nada mais do que no caso da “Chave de Salomão”. Havia um propósito definido em conexão com o abate da vítima, que era o mesmo em ambos os casos.

Até agora, quanto às deturpações de escritores que pretendem algum conhecimento de primeira mão da obra em questão. Outros que a mencionaram nos últimos anos contentaram-se em seguir a autoridade francesa sem exame. Assim é que encontramos o Sr. J. H. Slater, em um artigo lido perante a Sociedade Bibliográfica, e impresso em suas Transações, descrevendo o Grimório como um defensor do assassinato e de todos os tipos de crimes. Além disso, ele o confunde ao longo do texto com o “Grande Grimório”.

Tomando a obra em primeira mão, a questão inicial sobre ela é a atribuição da autoria. Pelo que sabemos da literatura mágica, para não dizer da dignidade pontifícia, é antecedente improvável que seja obra de um Bispo Romano, mais especialmente de tal bispo como Honório. Eliphas Lévi, que procurava justamente vindicar a Igreja de sua infância, atacada, na pessoa de um de seus pontífices soberanos, por uma acusação uninteligente, mas a vindicou mal como de costume, lançou um olhar sobre a história da época, e descobriu que durante o pontificado de Honório houve um antipapa erguido por Henrique IV da Alemanha, e que ele era um homem de vida má. Imediatamente conjecturou que este personagem era o provável autor do objetável Grimório. Novamente não há um pingo de evidência para tal suposição, e é um vilain procédé, como M. Papus poderia dizer, aumentar, sem boa razão, a responsabilidade que recai sobre a memória do prelado ímpio em questão.

Se chegarmos aos fatos, são estes. Diz-se que a primeira edição do Grimório apareceu em 1629, e não é provável que tenha sido forjada muito antes do final do século XVI, sendo, grosso modo, novecentos anos após a morte de seu suposto autor. O Papa, deve-se confessar, foi um escritor volumoso; seus sermões e sua vasta correspondência apareceram em dois grandes volumes em Paris, sob auspícios que dificilmente admitiriam mesmo uma referência desdenhosa à constituição forjada. Não há nenhuma, portanto, o que é de lamentar do ponto de vista bibliográfico. Mas o editor também excluiu com o mesmo silêncio outra obra muito mais razoavelmente atribuída, e à qual nenhum ódio pode ser imputado. É uma também que é importante para nossa investigação, e intitula-se Honorii Papo adversus tenebrarum Principem et ejus Angelos Conjurationes ex originale Romo servato, Roma, 1529. A autenticidade desta obra é evidentemente questionada por sua exclusão, e é impossível falar com certeza sobre ela, pois, devido à sua extrema raridade, poucas bibliotecas públicas, aparentemente nenhuma na Inglaterra, possuem um exemplar. Mas é evidentemente as fórmulas de exorcismo, um rito da Igreja, e possuindo um corpo considerável de literatura, ao qual mesmo um Papa de épocas passadas poderia não inconcebivelmente ter contribuído. Seja como for, a atribuição em um caso explicará a no outro. O livro de Magia Negra pode ser meramente uma perversão das conjurações ortodoxas, e se não for isso, é uma recompilação feita com elas.

Tendo dito algo para justificar o Grimório de condenações infundadas, é necessário agora acrescentar, com base em suas próprias evidências, que é uma impostura maliciosa e hábil, que foi indubitavelmente calculada para enganar pessoas ignorantes de seu período que possam ter sido magicamente inclinadas, mais especialmente padres ignorantes, uma vez que pretende transmitir a sanção expressa da Sé Apostólica para as operações da Magia Infernal e da Necromancia. Toda a reivindicação é exposta de maneira mais curiosa no início do livro, e deve ser citada em extensão considerável para transmitir toda a sua força.

‘A Santa Sé Apostólica, à qual foram dadas as chaves do Reino dos Céus por aquelas palavras que Cristo Jesus dirigiu a São Pedro: Dou-te as Chaves do Reino dos Céus, e a ti só o poder de comandar o Príncipe das Trevas e seus anjos, que, como escravos de seu Mestre, lhe devem honra, glória e obediência, por aquelas outras palavras de Jesus Cristo: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Ele servirás; daí pelo poder destas Chaves o Chefe da Igreja foi feito Senhor do Inferno. Mas vendo que até o presente os Pontífices Soberanos só possuíram o poder de usar invocações e comandar Espíritos, Sua Santidade Honório III, movido por seu cuidado pastoral, benignamente desejou comunicar os métodos e a faculdade de invocar e controlar Espíritos a seus Veneráveis Irmãos em Jesus Cristo, acrescentando as Conjurações que devem ser usadas em tal caso, estando tudo contido na Bula que aqui se segue.

HONÓRIO.

Servo dos Servos de Deus, a todos e a cada um de nossos Veneráveis Irmãos da Santa Igreja Romana, Cardeais, Arcebispos, Bispos, Abades; a todos e a cada um de nossos filhos em Jesus Cristo, Sacerdotes, Diáconos, Subdiáconos, Acólitos, Exorcistas, Cantores, Pastores, Clérigos tanto Seculares quanto Regulares, Saúde e Bênção Apostólica. Naqueles dias em que o Filho de Deus, Salvador do Mundo, gerado na plenitude dos tempos, e nascido, segundo a carne, da Raça de Davi, viveu nesta terra, cujo Santíssimo Nome é Jesus, diante do qual os céus, a terra e o inferno dobram os joelhos; vimos com que poder Ele comandava os demônios, poder que também foi transmitido a São Pedro por aquela palavra: Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Estas palavras foram dirigidas a São Pedro como Cabeça e Fundamento da Igreja. Nós, então, que, pela misericórdia de Deus, e apesar da pobreza de nosso mérito, sucedemos ao Soberano Apostolado, e, como legítimo sucessor de São Pedro, temos as Chaves do Reino dos Céus confiadas em nossas mãos, desejando comunicar o poder de invocar e comandar Espíritos, que nos foi reservado somente, e que nossos possuidores só gozaram; desejando, repito, por inspiração divina, compartilhá-lo com nossos Veneráveis Irmãos e caros filhos em Jesus Cristo, e temendo que no exorcismo dos possuídos, eles pudessem de outra forma ser aterrorizados pelas figuras horríveis daqueles anjos rebeldes que em pecado foram lançados no abismo, temendo também que fossem insuficientemente instruídos naquelas coisas que devem ser realizadas e observadas, e que aqueles que foram redimidos pelo sangue de Jesus Cristo não sejam atormentados por qualquer feitiçaria ou possuídos pelo demônio, incluímos nesta Bula o modo de sua invocação, devendo o mesmo ser observado inviolavelmente. E porque é justo que os ministros do Altar tenham autoridade sobre os Espíritos rebeldes, por esta lhes deputamos todos os poderes que possuímos, em virtude da Santa Sé Apostólica, e os exortamos por nossa autoridade Apostólica a observar inviolavelmente o que se segue, para que por alguma negligência indigna de seu caráter não atraiam sobre si a ira do Altíssimo.’

O Grimorium Verum foi reimpresso uma vez em francês. Da versão italiana houve duas edições modernas, ambas mal produzidas. O livro da “Verdadeira Magia Negra” só é conhecido pela edição de 1750. O “Grande Grimório” reapareceu em Nîmes em 1823, e é, além disso, em todos os aspectos idêntico à obra intitulada o “Dragão Vermelho”, da qual há várias edições. O “Grimório de Honório” é extremamente raro no original, mas é mais conhecido pelas reimpressões de 1660 e 1670, embora estas também sejam escassas. Há, finalmente, uma edição datada de 1760, e esta mesmo comanda um preço alto entre colecionadores. Resta afirmar que o Abade d’Artigny recebeu, por volta de meados do século passado, uma cópia manuscrita deste Grimório, que era muito mais completa do que as edições impressas. Ele não dá relato satisfatório dela, nem pode ser rastreada nos dias de hoje. Possivelmente representava a transição do “Livro Juramentado de Honório” para a espúria Constituição Papal.

§ 5. RITUAIS MENORES E ESPÚRIOS DA MAGIA NEGRA.

Distinguir em uma massa de literatura forjada certos livros como mais espúrios do que outros, parece à primeira vista uma engenhosidade desnecessária de crítica. Há, no entanto, alguns Rituais de Magia Negra que são meramente as especulações fraudulentas de livreiros gananciosos, e há outros, anteriores ao período, e estranhos aos centros da colportagem, que nunca exerceram influência, e são, de fato, geralmente desconhecidos. Ambas as classes não possuem história bibliográfica, e algumas notas sobre elas devem ser dadas neste lugar.

O Verus Jesuitarum Libellus, ou «Verdadeira Obra Mágica dos Jesuítas, contendo as mais poderosas conjurações para todos os espíritos malignos, de qualquer estado, condição e ofício que sejam, e uma conjuração poderosíssima e aprovada do Espírito Uriel; à qual se acrescenta a Invocação dos Anjos de Cipriano, e sua Conjuração dos Espíritos que guardam Tesouros Ocultos, juntamente com uma fórmula para sua despedida», —diz-se ter sido publicado em Paris em língua latina, e no ano de 1508. Foi reimpresso por Scheible em Estugarda em 1845, fazendo parte da curiosa coleção de documentos de Fausto já mencionada. Finalmente, no ano de 1875, o falecido Major Herbert Irwin fez uma tradução inglesa, que permanece em manuscrito. A data colocada na página de título da edição original trai imediatamente a impostura. Será quase desnecessário dizer que na primeira década do século XVI não havia jesuítas; a Sociedade originou-se com Santo Inácio, que morreu em 1556, sendo dois anos após a confirmação da Sociedade pelo Papa Paulo III. As Conjurações são extremamente curiosas. A primeira é dirigida a um espírito cujo nome não é indicado, mas ele é suposto ter sido obediente a Abraão e Isaac, e é dirigido a trazer o mago para fora das profundezas do mar tantos milhões – o número não é especificado, e depende da cupidez do operador – do melhor ouro espanhol; caso contrário, diz a Conjuração, condenarei teu corpo (sic) e tua alma. Na segunda fórmula, o espírito é citado pelo conhecimento e poder exorcizante de Agripa, o que novamente põe um limite definitivo à antiguidade da coleção, se fosse de outra forma necessário. A terceira Invocação é dirigida ao espírito Zayariel, que é conjurado por Agla Scheffert e pelo grande Jehova Podashocheia. As restantes, em número de sete no total, são quase idênticas em caráter e bastante em propósito, sendo o demônio invariavelmente exigido a trazer o que é desejado pelo operador das profundezas do mar, ou do abismo das águas, ou do abismo espiritual. A Despedida ou Absolvição que conclui a série é realmente uma conjuração adicional.

A “Citação de São Cipriano” é presumivelmente um experimento em Magia Branca, visto que é dirigida a um Anjo que foi hóspede de Ló e Abraão. Como o objetivo é “ajuda em necessidade”, é aparentemente apropriado para qualquer aperto na vida, e deveria ser, portanto, anotado para referência por aqueles que possam pensar que vale a pena; é demasiado complicado e tedioso para estas páginas. Uma observação semelhante se aplicaria com demasiada verdade ao “Processo para a Aquisição Mágica de Tesouros Ocultos”, mas é muito mais completo que o resto, e tem tanta conexão com o Summum Bonum, o desejo dos olhos de toda a Magia Cerimonial, que é necessário dá-lo. É, no entanto, uma operação de Necromancia, e será encontrada em seu lugar próprio na Segunda Parte. O Verus Jesuitarum Libellus termina com uma conjuração fuliginosa de toda a hierarquia do Inferno, que continua por muitas páginas, e contém mais palavras uninteligíveis do que vários Grimórios combinados. Na ausência de todo conhecimento de sua edição original, é impossível lançar qualquer luz sobre esta singular impostura.

A Praxis Magica Fausti, ou “Elementos Mágicos do Doutor João Fausto, Praticante de Medicina”, afirma ter sido impressa a partir do manuscrito original na Biblioteca Municipal de Weimar, e é datada de 1571, época em que deve ser respeitosamente afirmado que não havia Biblioteca Municipal na cidade natal de Goethe. Além disso, a coleção existente não inclui o manuscrito. Se a edição original foi antedatada não pode ser afirmado com certeza, pois é extremamente escassa, e dela só temos conhecimento na reimpressão de Scheible, e em uma transcrição não impressa pelo Major Irwin. A obra consiste em algumas placas curiosas, ao modo do século XVII, e algumas conjurações uninteligíveis, todas extremamente breves. A terceira destas exorta o Espírito Maligno com o fundamento peculiar de que agora é o tempo do Grande Nome Tetragrammaton. O propósito da citação não é indicado; as fórmulas são cristãs, quebradas por inúmeras cruzes, e por nomes e termos que desafiam a conjectura quanto ao seu significado. A hierarquia do espírito é determinada pelas palavras finais: “Eu te ordeno, ó Espírito Rumoar, mesmo por Lúcifer, teu poderoso soberano.”

§ 6. A GALINHA NEGRA.

“A Galinha Negra”, o “Druida de Menapienne”, Magia Vermelha, ou o Creme das Ciências Ocultas”, com derivados da primeira destas obras, como a “Rainha das Moscas Peludas”, a “Borboleta Verde”, etc., formam uma classe à parte e, com uma exceção, são publicações bastante não sérias, que dificilmente podem ser chamadas de espúrias, pois são quase sem pretensão. Pertencem ao final do século XVIII. O Dr. Encausse, o chefe dos Martinistas franceses, sugere que foram todas fabricadas em Roma, e daí infere que as devemos à indústria de padres, o que parece seguir-se um tanto frouxamente da evidência, e é de fato de muito do mesmo valor que a declaração em “Ísis Sem Véu”, de que a prática habitual da Magia Negra no Vaticano poderia ser “facilmente provada”.

A “Galinha Negra” reapareceu durante seu próprio período em várias datas, com ligeiras alterações – uma vez como o “Tesouro do Velho das Pirâmides”, quando foi seguida por uma sequela ou companheira sob o título de “A Coruja Preta”. Foi reimpressa nos últimos anos em Paris numa edição destinada a bibliófilos, mas sem indicações de pesquisa bibliográfica. Embora modesta nas reivindicações que foram especificadas, o título da edição original é suficientemente portentoso, a saber, “A Galinha Negra, ou a Galinha dos Ovos de Ouro, compreendendo a Ciência dos Talismãs e Anéis Mágicos, a Arte da Necromancia e da Cabala, para a Conjuração de Espíritos Aéreos e Infernais, de Silfos, Ondinas e Gnomos, para a aquisição das Ciências Secretas, para a Descoberta de Tesouros, para obter poder para comandar todos os seres, e para desmascarar todas as Ciências e Enfeitiçamentos. Tudo seguindo as Doutrinas de Sócrates, Pitágoras, Zoroastro, Filho do Grande Aromasis, e outros filósofos cujas obras em manuscrito escaparam à conflagração da Biblioteca de Ptolomeu. Traduzido da Língua dos Magos e da dos Hieróglifos pelos Doutores Mizzaboula-Jabamía, Danhuzerus, Nehmahmiah, Judahim, e Eliaeb. Traduzido para o francês por A. J. S. D. R. L. G. F.” O local de publicação é o Egito, que provavelmente significa Roma, e a data é 740, significando 1740, o que, no entanto, é falso, como veremos. Pode-se dizer desde já que não há pretensão no texto de cumprir as magníficas promessas do título.

O prefácio suplica que a “Galinha Negra” não seja confundida com as coleções de devaneios e erros que tantos têm procurado acreditar anunciando efeitos sobrenaturais. Este pedido, após devida consideração, a maioria dos leitores achará impossível atender. A obra, disse-se, é um romance, e a primeira coisa que deixa claro é que mesmo a adição de mil anos à data no título é insuficiente. É a narrativa de um homem que “fez parte da expedição ao Egito”, e era “um oficial no exército do gênio”. A referência é, claro, a Napoleão, e a data de composição é menos de um século atrás. Enquanto no Egito, o narrador foi enviado numa expedição às Pirâmides, acompanhado por alguns caçadores montados. Almoçaram à sombra do grande colosso, quando foram atacados por uma horda de árabes do deserto, os companheiros do escritor foram mortos, e ele próprio foi deixado como morto no chão. Ao recuperar a consciência, entregou-se a reflexões melancólicas na imediata antecipação de seu fim, e proferiu um discurso de despedida ao sol poente, quando uma pedra foi rolada para trás na Pirâmide, e um homem venerável saiu, que foi proclamado ser um turco por seu turbante. Este personagem não deixou de descobrir os cadáveres que cobriam o deserto, nem de identificar sua nação. Quando o oficial, por sua vez, foi examinado, manifestou vida beijando a mão do ancião, que, superior a todos os preconceitos que poderiam ter sido ditados ao muçulmano comum pelo patriotismo ou religião, teve piedade dele, reviveu-o com um licor maravilhoso que pôs o homem ferido de pé, e ele seguiu seu salvador para dentro da Pirâmide, que era a casa do ancião, e com tudo uma casa de Magia. Havia vastos salões e galerias intermináveis, câmaras subterrâneas cheias de tesouros, aparições de lâmpadas flamejantes, espíritos ministradores inumeráveis, ceias mágicas; acima de tudo, havia a Galinha Negra. Em uma palavra, a vida diária era ilustrada ao longo pelo sobrenatural; era uma versão metódica de Aladim com um significado interior por Astarote. O sábio provou ser o único herdeiro dos Magos e o período não era posterior a meados do século XIX, podendo ser os fabricantes daqueles hieróglifos egípcios que são o “desespero dos eruditos”, e, não menos, ele próprio estava à procura de um herdeiro, pois sentia que estava prestes a partir. Em suma, o oficial francês, tendo adquirido a língua turca por meio de uma gramática que tinha sua raiz na feitiçaria, e estando assim habilitado a comunicar-se com seu protetor, o que no geral parece supérfluo, visto que seu protetor possuía um talismã que conferia proficiência imediata em todas as línguas, foi instruído nos poderes e maravilhas de vinte e duas figuras talismânicas e nos anéis correspondentes, bem como no segredo da fabricação da Galinha Negra, que possuía mais habilidade em encontrar ouro do que a vara de adivinhação na descoberta de água. Após estas instruções, apesar de muitas preces, e dos ministérios do gênio Odous, o justo homem expirou num sofá, enquanto o afortunado parente em filosofia desmaiou aos pés de seu benfeitor. Devidamente, acompanhado pelo gênio que tinha sido transferido para seu serviço, o oficial francês conseguiu partir do Egito, carregado de tesouros, e com as cinzas do sábio numa urna cara. Embarcou para Marselha, acalmou a tempestade na viagem, e voltou ao seu país natal. Fez sua morada na Provença, passando seus dias em experimentos com a Galinha Negra, ou em estudo, meditação e passeios. Empreendeu finalmente escrever este memorial de sua boa fortuna, no qual ameaça os editores de qualquer edição pirata a adorná-los, por meio de um talismã, com orelhas seis polegadas mais longas do que as de Midas. Mas isto não parece ter impedido os editores.

A Galinha Negra reivindica não ter conexão com a Magia Negra, e devidamente se conecta com ela, em primeiro lugar por seus caracteres, embora se deva observar que os seres infernais mencionados no título não são demônios, mas Salamandras – isto é, Espíritos Elementares do Fogo. Mas enquanto transcende a Magia Negra, não é superior ao plágio, e incorpora muitas páginas do Conde de Gabalis.

Para a evocação dos gênios que serviram o Velho da Pirâmide, basta dizer: THOMAROS, BENESSER, FLIANTEL. Você está então sujeito a ser cercado por trinta e três inteligências diferentes. Para obter seu respeito, diga: LITAN, IZAR, OSNAS, e eles se curvarão diante de você, individualmente observando: NANTHEL. As palavras SOUTRAM, UBARSINENS farão com que eles o transportem pelo ar para onde quer que esteja inclinado. Com a única palavra RABIAM eles o devolverão à sua própria morada. É necessário, no entanto, estar fortificado pelos talismãs e anéis do mestre, mas eles podem ser obtidos por um processo barato. No gabinete do Velho da Pirâmide, eram formados de metais preciosos e resplandeciam com gemas, mas servirão para todos os fins práticos se os anéis forem compostos de aço bronzeado e os talismãs de cetim, em estrita conformidade com a descrição que se segue.

§ 7. TALISMÃS DO SÁBIO DAS PIRÂMIDES.

I. Serve para a conjuração de poderes celestiais e infernais. Deve ser bordado em prata sobre cetim azul-celeste. As palavras evocatórias são SIRAS, ERAR, BESANAR, com as quais multidões de espíritos aparecerão.

II. Dá o amor e a complacência de todo o sexo feminino. Deve ser bordado em prata sobre cetim preto. As palavras evocatórias são NADES, SURADIS, MANINER, pronunciadas com o anel, que deve estar no dedo médio da mão esquerda, pressionado contra os lábios. Elas asseguram a manifestação de um gênio com asas cor de rosa, que, se for abordado com as palavras SADER, PROSTAS, SOLASTER, percorrerá todo o espaço para transportá-lo à senhora do seu coração, mesmo que ela fosse a rainha do serralho do Califa. Com as palavras MAMMES, LAHER, ela será removida por quatro escravos.

III. Descobre todos os tesouros e assegura a sua posse. A figura do talismã deve ser bordada em ouro sobre cetim verde. As palavras ONAIM, PERANTES, RASONAS TOS, farão aparecer sete gênios de tez morena, cada um dos quais despejará ducados de ouro de grandes sacos de couro aos pés do feiticeiro, sendo as operações deste Grimório realizadas em grande escala. Item, um pássaro preto encapuzado estará empoleirado no ombro de cada espírito.

IV. Descobre os segredos mais ocultos e permite ao seu possuidor penetrar em toda parte invisível. O talismã deve ser de cetim violeta, com as figuras bordadas em prata. Deve ser segurado na mão esquerda, onde também o anel deve ser usado, e deve ser colocado perto do ouvido, pronunciando as palavras NITRAE, RADOU, SUNANDAM, quando uma voz distinta proferirá o segredo desejado.

V. Fará o homem mais taciturno abrir o coração ao seu possuidor, cujos inimigos também serão forçados a confessar todas as suas maquinações. O talismã deve ser de cetim cor de ouro com as figuras bordadas em ouro. Colocando o anel no dedo mínimo da mão esquerda, o talismã contra a orelha direita, e pronunciando as palavras NOCTAR, RAIBAN, o homem mais discreto será obrigado a desvendar seus pensamentos mais secretos. A adição da palavra BIRANTHER forçará os inimigos do possuidor a declarar seus projetos em voz alta.

VI. Põe em ação gênios suficientes para a realização imediata de qualquer trabalho que o possuidor possa desejar empreender, e para a paralisação de qualquer um que possa se opor a ele. O talismã deve ser de cetim lilás com a figura bordada em seda matizada. As palavras mágicas são ZORAMI, ZATTUX, ELASTOT.

VII. Tem o poder de destruir tudo; de causar a queda de granizo, raios e estrelas do céu; de ocasionar terremotos, tempestades, e assim por diante. Ao mesmo tempo, preserva os amigos do possuidor de acidentes. A figura do talismã deve ser bordada em prata sobre cetim vermelho-ouro. As palavras mágicas são: (1) DIRAU, HURANDOS, para obras de destruição; (2) RIDAS, TALIMOL, para comandar os elementos; (3) ATROSIS, NARPIDA, para a queda de granizo, etc.; (4) UUSUR, ITAR, para terremoto; (5) HISPEN, TROMADOR, para furacões e tempestades; (6) PARANTHES, HISTANOS, para a preservação de amigos.

VIII. Dá invisibilidade, mesmo aos olhos dos gênios, de modo que só Deus testemunhará as ações do possuidor. É acompanhado pelo poder de penetrar em toda parte e atravessar paredes de tijolo. As palavras mágicas são BENATIR, CARARKAU, DEDOS, ETINARMI. Para cada operação, o anel deve ser colocado em um dedo diferente da mão direita. O talismã é de cetim amarelo bordado com seda preta.

IX. Transporta o possuidor para qualquer parte do mundo, e isso sem perigo. As palavras potentes são RADITUS, POLASTRIEN, TERPANDU, OSTRATA, PERICATUR, ERMAS. O talismã é de cetim cor de pulga bordado com ouro.

X. Abre todas as fechaduras com um toque, quaisquer que sejam as precauções tomadas para segurá-las. As palavras mágicas são SARITAP, PERNISOX, OTARI. O talismã é de cetim azul-escuro bordado com prata.

XI. Coloca o possuidor em qualquer casa desejada sem o preliminar de entrar, e lê os pensamentos de todas as pessoas, para que possam ser ajudadas ou prejudicadas à vontade. O talismã é de cetim cinza-claro bordado com ouro. Para saber pensamentos, coloque-o na cabeça, sopre sobre o anel, e diga: O TAROI, NIZAEL, ESTARNAS, TANTAREZ. Para servir aqueles que o merecem: NISTA, SAPER, VISNOS, e eles gozarão imediatamente de toda espécie de prosperidade. Para punir seus inimigos ou pessoas más: XATROS, NIFER, ROXAS, TORTOS, e eles serão imediatamente entregues a tormentos horríveis.

XII. Subjuga todos os espíritos maléficos que possam ser levantados contra o possuidor. O talismã é de cetim cor de pêssego bordado com prata. Deve ser colocado sobre uma mesa, a mão esquerda imposta sobre ele; o anel deve estar no dedo médio da mão direita, e o operador, com a cabeça curvada, deve repetir em voz baixa as palavras: SENAPOS, TERETTA, ESTAMOS, PERPTTER, NOTARIN.

XIII. Dota o possuidor de toda virtude e talento, bem como do desejo de fazer o bem. Todas as substâncias de qualidade maligna podem ser tornadas excelentes por meio dele. Para a primeira vantagem, basta erguer o talismã, tendo o anel na primeira articulação do terceiro dedo da mão direita, e pronunciar as palavras: TURAN, ESTONOS, FUZA. Para a segunda, diga: VAZORAS, TESTANAR. O talismã deve ser de cetim açafrão bordado com prata.

XIV. Dá o conhecimento de todos os minerais e vegetais, com suas virtudes e propriedades; dá também a medicina universal, e a faculdade de curar todos os enfermos. O talismã é de cetim cor de laranja bordado com prata. Deve ser usado sobre o peito, e o anel num relicário (lenço) ao pescoço por meio de uma fita de seda cor de chama. As palavras operativas são: RETERREM, SALIBAT, CRATARES, HISASTER.

XV. Dá imunidade contra os animais mais ferozes; dá os meios de vencê-los; dá o conhecimento de sua língua; e afasta os animais raivosos. O talismã deve ser de cetim verde-escuro bordado com ouro. Para os três primeiros objetivos, diga: HOCATOS, IMORAD, SURATER, MARKILA. Para o último: TRUMANTREM, RICONA, ESTUPIT, OXA.

XVI. Dá discernimento para as boas ou más intenções de qualquer pessoa. O talismã é de cetim preto bordado com ouro. Deve ser colocado sobre o coração, e o anel no dedo mínimo da mão direita. As palavras são: CBOSTES, FURINOT, RATIPA, GARINOS.

XVII. Dá todos os talentos e um profundo conhecimento de todas as artes, de modo que o possuidor superará seus professores. O talismã, que deve ser levado sobre a pessoa, deve ser de cetim branco bordado com seda preta. As palavras operativas são: RITAS, ONALUN, TERSORIT, OMBAS, SERPIJAS, QUITATHAR, ZAMARATH, especificando a arte que se deseja possuir.

XVIII. Dá boa sorte em qualquer loteria. O talismã é de cetim cor de cereja, bordado com ouro e prata. Deve ser amarrado no braço esquerdo por meio de uma fita branca, e o anel deve estar no dedo mínimo da mão direita. As palavras são: ROKES para um número vencedor, PILATUS para um duque, ZOROAS para uma dezena, TULITAS para uma quaternária, XATANTROS para uma quinquina, tendo o cuidado de pronunciar todas as palavras na quina. Nas cartas, devem ser repetidas ao embaralhar para si ou para o parceiro. Antes de começar, toque seu braço esquerdo com a mão direita na vizinhança do talismã, e beije o anel. Estes pequenos artifícios podem ser efetuados, diz o honesto Grimório, sem excitar a atenção de seu oponente.

XIX. Dá o poder de dirigir todas as hostes infernais contra os inimigos de seu possuidor. O talismã é de cetim cinza-esbranquiçado matizado. Pode ser usado de qualquer maneira, e as palavras são: OSTHARIMAN, VISANTIPAROS, NOCTATUR.

XX. Dá o conhecimento dos conselhos do Inferno e os meios de tornar seus projetos abortivos. O talismã é de cetim vermelho, com o centro bordado em ouro, a borda em prata, e as figuras em seda preta e branca. Deve ser usado sobre o peito, e o anel na primeira articulação do dedo mínimo da mão esquerda. As palavras são: ACTATOS, CATIPTA, BEJOURAN, ITAPAN, MARNUTTS.

A gama da ambição humana reconhecida pela Magia Cerimonial sendo sempre um tanto restrita, não é surpreendente que os ofícios destes talismãs frequentemente se sobreponham uns aos outros, ou que alguns deles correspondam muito de perto aos poderes atribuídos ao Mago pela ciência transcendental do “Arbatel”. Os talismãs são precedidos no original pela figura de uma vara mágica, manchada, diz a legenda que a acompanha, com o sangue de um cordeiro, e tendo a forma de uma serpente. A descrição é um tanto obscura, mas a vara pode ser aparentemente dobrada, e a boca e a cauda unidas por meio de uma corrente de ouro, de modo a formar um círculo. A vara deve ter dois metros de comprimento, e quando dobrada pode ser usada como um círculo de evocação. A figura do grande círculo mágico não está descrita no texto. Há, portanto, vinte e duas figuras no total, e a inclusão da palavra TAROT na lista de termos evocatórios não é sem significado nesta conexão. Uma certa correspondência entre os talismãs e os trunfos do Tarô é de fato inconfundível, pelo menos em alguns casos, e parece indicar que a obra tem um aspecto oculto mais sério do que pareceria à primeira vista.

§ 8. A GALINHA ENCONTRADOURA DE OURO.

Devemos nos apressar, no entanto, para a incubação da galinha encontrádoura de ouro, que é a cabeça e coroa do procedimento. O grande Oromasis, o pai de Zoroastro, foi a primeira pessoa a possuir uma destas maravilhosas aves, que são chocadas a partir de um ovo da seguinte maneira. Pegue madeiras aromáticas, como aloés, cedro, laranjeira, cidreira, louro, raiz de íris, com folhas de rosa secas ao sol. Coloque-as num turíbulo de ouro; despeje óleo balsâmico sobre elas; adicione o melhor incenso e goma clara. Em seguida, diga: ATHAS, SOLINAM, ERMINATOS, PASAIM; coloque um vidro sobre o turíbulo; dirija os raios do sol sobre ele, e a madeira se acenderá, o vidro derreterá, um odor doce encherá o lugar, e o composto queimará rapidamente em cinzas. Coloque estas cinzas num ovo de ouro ainda em brasa; deite o ovo sobre uma almofada preta; cubra-o com uma redoma de cristal de rocha facetado; então erga os olhos e estenda os braços para o céu e grite: Ó SANATAPER, ISMAI, NONTAPILUS, ERTIVALER, CANOPISTUS. Exponha o vidro aos raios mais ferozes do sol até que pareça envolto em chama, o ovo deixe de ser visível, e um ligeiro vapor se levante. Em breve discernirá uma galinha preta apenas começando a se mover, quando se disser: BINUSAS, TESPIRAS, ela tomará asas e se aninhará em seu seio.

Embora este seja o verdadeiro processo das Pirâmides, e fácil sem dúvida para um herdeiro direto de Oromasis, é óbvio que tem suas dificuldades para aqueles nascidos apenas sob a lua comum da feitiçaria, e, misericordioso, como todos os seus companheiros, para com as limitações humanas, o Grimório fornece um método alternativo adequado para pessoas de pequenos recursos. Pegue um ovo sem mácula; exponha-o aos raios meridianos do sol; então selecione a galinha mais preta que puder encontrar; se tiver quaisquer penas coloridas, arranque-as. Caso a Sociedade Protetora dos Animais não intervenha oportunamente, arranje para encapuzar esta ave com uma espécie de capuz preto puxado sobre os olhos para que não possa ver. Deixe-lhe o uso do bico. Encerre-a numa caixa também forrada com algum material preto, e suficientemente grande para acomodá-la confortavelmente. Coloque a caixa num quarto onde não penetre luz do dia; dê comida apenas à noite à ave; veja que nenhum ruído a perturbe, e coloque-a para chocar o ovo. Como tudo será preto para a ave, sua imaginação, o que é provável, será dominada pela sensação de negrume, e se sobreviver ao encarceramento, acabará por incubar um pintinho perfeitamente preto, desde que o operador pela sua sabedoria e virtude seja digno de participar de tais sagrados e divinos mistérios. Não parece como ou por que uma ave incubada após esta moda desconfortável deveria ter um instinto particular para detectar os lugares onde o ouro está escondido, mas tal é a faculdade que lhe é atribuída, e só se pode concluir que a “Galinha Negra” é um grau mais tola do que a sua ociosa companhia de Grimórios.

O processo simplificado não parecia, no entanto, na opinião da feitiçaria, ser a última palavra que era possível dizer sobre o assunto. Apesar da vingança ameaçada do herdeiro de Oromasis, o mistério foi adaptado pelos editores posteriores do “Dragão Vermelho”, e reaparece como a Grande Cabala, sem a qual nenhuma outra pode ter sucesso. Nesta, a vítima do processo deve ser despedaçada viva? As instruções dizem que se deve ter cuidado para apanhar a galinha, e fazê-lo de tal maneira que ela não cacareje; o melhor é agarrá-la enquanto dorme, segurando-a pelo pescoço, mas não mais do que o necessário para evitar que grite. Deve-se ir à estrada, caminhar até chegar a uma encruzilhada, e lá, à meia-noite, descrever um círculo com uma vara de cipreste, colocar-se no meio dele, e rasgar a ave em duas, pronunciando três vezes as palavras, Eloim, Essaim, frugativi et appellavi. Em seguida, virar-se para o leste, ajoelhar-se, recitar uma oração, e concluí-la com a Grande Apelação, quando o Espírito Imundo aparecerá a você num gibão escarlate, um colete amarelo, e calças verde-pálido. Sua cabeça se assemelhará à de um cão, mas suas orelhas serão de asno, com dois chifres acima delas; terá pernas e cascos de bezerro. Ele perguntará por suas ordens, que você dará como quiser, e como não pode deixar de obedecê-lo, você pode se tornar rico na hora, e assim o mais feliz dos homens. Tal é, pelo menos, o julgamento do Grimório. Se a vítima do processo deve ser despedaçada viva não aparece explicitamente, mas pode ser inferida da precaução inicial.

PARTE II

O GRIMÓRIO COMPLETO

CAPÍTULO I

A PREPARAÇÃO DO OPERADOR

§ 1. SOBRE O AMOR DE DEUS.

Os ritos da Magia Transcendental são ritos divinos e religiosos, e os conselhos, espirituais e morais, que se encontram em suas instruções são, à sua maneira, os conselhos da perfeição, seja qual for o elemento de puerilidade que possa radicalmente obter em seus experimentos. Os Rituais Compostos, apesar do resultado de sua análise, também participam em grande parte da natureza das observâncias religiosas, por vezes judaicas, por vezes cristãs. Em ambos os casos, este fato é prontamente inteligível; para comunicar-se com os fictícios Espíritos do Firmamento, e para praticar uma arte que oferece aos seus adeptos a regeneração de Enoque, Rei do Mundo Inferior, “que não foi, porque Deus o tomou”, pode muito bem exigir um alto grau de santidade dos seus candidatos; enquanto para dominar os chamados Espíritos dos Elementos, os Cabalísticos Klippoth e os Demônios Malignos, é razoável supor que o Mago deve estar livre da fraqueza comum, do vício comum, e deve estar fortificado pela graça e favor do mundo superior. Dado o ponto de vista mágico em cada caso, as condições essenciais à operação parecem, a este respeito, acima de qualquer contestação. Mas certamente parecerá, à primeira vista, uma anomalia mais bizarra que a Magia Negra envolva também observâncias religiosas e exija condições semelhantes, tanto internas quanto externas, daqueles que empreenderiam seus empreendimentos. Não é, como geralmente se supõe, ou o Cristianismo ao contrário ou uma religião invertida de Israel; não é a profanação intencional do ritual e da observância religiosos; é algo menos ultrajante, mas logicamente mais insensato; na medida em que recorre a tal ritual e tal observância, não é para ultrajar a Deus no interesse do diabolismo, mas para derivar poder e virtude do alto para um controle mais bem-sucedido dos Espíritos Malignos, e isto se aplica indiferentemente quer o propósito do operador seja de outra forma lícito ou não.

O Amor Divino, diz o livro da “Verdadeira Magia Negra”, deve preceder a aquisição da Ciência de Salomão, filho do Rei Davi, que disse: O princípio e a Chave da minha Sabedoria são o temor de Deus, para Lhe prestar honra, para O adorar com grande contrição de coração, e para invocar Sua ajuda em todas as nossas intenções e aspirações; o que cumprindo, Deus nos conduzirá pelo bom caminho.

Para dar conta desta anomalia, não basta dizer que o livro da “Verdadeira Magia Negra” é simplesmente a “Chave de Salomão” adaptada a intenções goéticas. Em primeiro lugar, como já vimos, é impossível ler a intenção goética em qualquer uma das Clavículas; e, em segundo lugar, as mesmas características são encontradas nos Grimórios que menos derivam das Clavículas, nomeadamente, o de Honório, e o chamado “Grande Grimório”. Meditar continuamente no empreendimento e centrar toda a esperança na infinita bondade do Grande Adonay, é a regra estabelecida por este último como o primeiro princípio do sucesso.

Nem a natureza insensata dos processos da Magia Negra oferece explicação por si só. A tentativa de propiciar a Divindade por meio de orações, sacrifícios e abstinências, e assim obter a assistência divina para a consumação bem-sucedida de ofensas horríveis e empreendimentos prepostos ou impossíveis, é, claro, loucura; pois o Deus reconhecido e invocado pela Magia Goética não é o Princípio do Mal, como supõe o mito do Satanismo Moderno, mas o “Deus terrível e venerável” que destruiu o poder dos anjos rebeldes, o Jeová dos rituais judaicos e a Trindade do ciclo mágico cristão. A observância insensata seguida na realidade a partir da interpretação colocada pela Teurgia Goética sobre a doutrina fundamental da magia prática, a saber, o poder das palavras divinas para compelir a obediência de todos os espíritos àqueles que as pudessem pronunciar. Coleções destas palavras e nomes foram recitadas como fórmulas invocatórias e vinculativas, e, incorporadas num cenário adequado de orações oficiais, foram usadas em todas as cerimônias mágicas. A Magia Negra era simplesmente a sua aplicação a propósitos ilícitos. A pronúncia do Nome Divino, que se supunha fazer os demônios tremer e colocá-los à vontade do Mago, era, argumentava-se, pelo menos igualmente poderosa para impor a sua obediência para um propósito em consonância com a sua própria natureza. Então, visto que a oração a Deus e a invocação dos Nomes Divinos pressupõem um espírito adequado de reverência, devoção e amor como a condição para que a oração seja ouvida, tornou-se uma condição na Goetia. A primeira impossibilidade exigida do adepto da Magia Negra é, portanto, que ele ame a Deus antes de enfeitiçar o seu próximo; que ele ponha todas as suas esperanças em Deus antes de fazer pacto com Satanás; que, numa palavra, ele seja bom para fazer o mal.

§ 2. SOBRE A FORTALEZA.

Sendo assim determinada a intenção espiritual do operador, o seu próximo passo foi a aquisição da atitude mental apropriada ao seu trabalho futuro. Podemos imaginá-lo no estado tradicional do feiticeiro – pobre, proscrito, invejoso, ambicioso, e sem capacidade para empreendimentos legítimos. Incapaz de ganhar dinheiro, ele deseja tesouros escondidos, e ronda aqueles lugares no campo que são reputados de os esconder. Ele tem feito isto presumivelmente por muito tempo antes de determinar-se a recorrer à Magia, mas a terra não quer entregar os seus tesouros, pois os gnomos e os Espíritos da Terra, os Alastores e os Demônios das Solidões, montam guarda sobre os segredos dos avarentos mortos quando o fantasma humano já não vagueia nas proximidades. Ele não hesita por muito tempo quando descobre que os Grimórios da Magia Negra estão cheios de ritos sombrios e palavras misteriosas e terríveis que compelir ou expulsar aqueles guardiões. A Igreja e o Estado podem ameaçá-lo com um fogo para a sua carne e um fogo para a sua alma, mas pela vigilância e sigilo ele espera iludir um, e o outro é um perigo distante. Obviamente, porém, para chegar à sua determinação, ele deve armar-se com intrepidez e prudência, e este é o primeiro conselho dos seus guias para o sanctum regnum da Goetia.

“Ó homens! Ó mortais impotentes!” exclama o autor do “Grande Grimório”, “tremei diante da vossa própria temeridade quando aspirais cegamente à posse de uma ciência tão profunda. Erguei as vossas mentes além da vossa esfera limitada, e aprendei comigo que antes de empreenderdes qualquer coisa é necessário que vos torneis firmes e imóveis, além de serdes escrupulosamente atentos na observação exata, passo a passo, de todas as coisas que vos direi, sem o que toda operação se voltará para a vossa desvantagem, confusão e destruição total; enquanto, pelo contrário, seguindo as minhas injunções com precisão, vos elevareis da vossa mesquinhez e pobreza, alcançando um sucesso completo em todos os vossos empreendimentos. Armai-vos, portanto, com intrepidez, prudência, sabedoria e virtude, como qualificações para esta grande e ilimitada obra, na qual passei sessenta e sete anos, trabalhando noite e dia para alcançar o sucesso neste sublime objetivo.”

§ 3. SOBRE A CONTINÊNCIA E ABSTINÊNCIA.

O Quarto Livro da Filosofia Oculta, atribuído a Cornélio Agripa, mas composto e espúrio na atribuição, como já vimos, dá uma explicação extremamente curiosa da regra de santidade prescrita por todas as formas de Magia Cerimonial. Os instrumentos usados na Arte são ineficazes sem consagração. O ato de consagração é o ato pelo qual a virtude lhes é transmitida, e esta virtude deriva de duas fontes, o poder de santificação residente nos Nomes Divinos e nas orações que os incorporam, e o poder de santificação residente na santidade da pessoa que consagra. Uma parte indispensável desta santidade era a preservação da castidade por um período definido que precedia a operação, e um jejum de gravidade graduada. Nas suas instruções sobre estes pontos, os Rituais da Magia Negra diferem pouco dos seus protótipos, as Chaves anteriores de Salomão, a obra do pseudo-Agripa, ou os “Elementos Mágicos” de Pedro de Abano. Aqui está a direção do Neófito que ocorre no “Grande Grimório”: “Deveis abster-vos durante um quarto inteiro da lua da sociedade das fêmeas, de modo a proteger-vos da possibilidade de impureza. Deveis começar o vosso quarto mágico no mesmo momento em que o do próprio luminar, por um compromisso com o Grande Adonay, que é o Mestre de todos os Espíritos, de não fazer mais do que duas colações diárias, isto é, em cada vinte e quatro horas do dito quarto da Lua, que colação deve ser tomada ao meio-dia e à meia-noite, ou, se melhor vos aprouver, às sete horas da manhã e à hora correspondente da noite, usando a seguinte oração antes de cada refeição durante todo o dito quarto.”

ORAÇÃO

Imploro-Te, ó Tu, Grande e Poderoso ADONAT, Mestre de todos os Espíritos! Rogo-Te, ó ETORIM! Imploro-Te, ó JEOVAM! Ó Grande ADONAX, dou-Te a minha alma, o meu coração, as minhas entranhas, as minhas mãos, os meus pés, os meus desejos, todo o meu ser! Ó Grande ADONAT, dignai-vos ser-me favorável! Assim seja. Amém.

Então tomai a vossa refeição, despi-vos o mais raramente possível e dormi o menos possível durante todo o dito período, mas meditai continuamente no vosso empreendimento, e centrai todas as vossas esperanças na infinita bondade do Grande Adonay!

O “Grimório de Honório”, que é exclusivamente destinado a pessoas em Ordens Sagradas, restringe o período de jejum a três dias, como se verá mais adiante, e não faz condição de continência naqueles que são devotados ao celibato. O Grimorium Verum prescreve um período semelhante, e acrescenta que o jejum deve ser o mais austero, que a sociedade humana e as comunicações humanas devem ser evitadas tanto quanto possível, mas as das mulheres especialmente. O “Livro da Verdadeira Magia Negra” varia a instrução como se segue: Se o Sacerdote-Exorcista quiser ter sucesso na operação, ele deve, quando todas as outras coisas estiverem preparadas, abster-se de todo labor de alma e corpo, de muito comer e beber, de toda luxúria, de todo vício, e deve meditar naquelas coisas que ele está prestes a pôr em prática por nove dias completos antes de começar o trabalho; os seus assistentes—se houver—devem fazer o mesmo, para que tudo seja verdadeiramente cumprido. Que eles comecem pela seguinte oração, que deve ser recitada duas vezes na noite e uma vez no dia.

ORAÇÃO.

Ó Senhor Deus Todo-Poderoso, sê-nos favorável, embora indignos de erguer os olhos ao Céu por causa da multidão das nossas ofensas! Ó Deus todo-misericordioso, que não queres a morte do pecador, mas a sua verdadeira conversão, concede-nos a Tua graça! Ó Senhor, ó Deus, cheio de compaixão, ajuda-nos nesta obra que estamos prestes a realizar, para que o Teu Nome seja bendito para sempre! Amém.

Os últimos dias do jejum devem ser adicionalmente rigorosos, limitando-se as refeições a pão e água, com abstinência de todo pecado e repetição da oração acima.

§ 4. SOBRE A PREPARAÇÃO EXTERNA DO OPERADOR, E PRIMEIRAMENTE SOBRE A ABLUIÇÃO.

O rito da lustração, sendo a marca sacramental da pureza interior, é prescrito em todas as cerimónias mágicas, e é igualmente importante na arte goética. A própria ablução diária comum torna-se simbólica. Quando o operador se levanta de manhã durante o tríduo preparatório prescrito pelo Grimorium Verum, as suas mãos e rosto devem ser lavados com um pano branco limpo, usando água previamente exorcizada segundo as indicações do Ritual e recitando a

ORAÇÃO PREPARATÓRIA.

Senhor Deus ADONAY, que formaste o homem do nada à Tua imagem e semelhança, e a mim também, pecador indigno que sou, digna-Te, rogo-Te, abençoar e santificar esta água, para que seja salutar ao meu corpo e à minha alma, para que toda a ilusão se afaste de mim. Ó Senhor Deus, Todo-Poderoso e Inefável, que conduziste o Teu povo para fora da terra do Egito, e o fizeste passar a seco pelo Mar Vermelho! Concede que eu seja purificado por esta água de todos os meus pecados, e que apareça inocente diante de Ti. Amém.

O “Livro da Verdadeira Magia Negra” observa que o banho é mais necessário para a Arte Mágica, e que deve ser tomado no dia final do jejum, quando o exorcista tiver sido purificado de todos os pecados, quando tiver escrito com a pena da Arte, em papel ou pergaminho virgem, todas as conjurações e exorcismos exigidos na prática, e tiver realizado todas as outras cerimónias preparatórias. Do alto da sua cabeça à planta dos seus pés, deve purificar-se com água morna exorcizada, dizendo enquanto o faz: “Ó Senhor ADONAY, que me formaste à Tua imagem e à Tua semelhança, digna-Te de abençoar e santificar esta água, para que ela se torne para mim a salvação da minha alma e do meu corpo, e que nenhuma maldade jamais encontre lugar em mim.” Os Salmos Dominus illuminatio mea e Dixit insipiens in corde suo devem ser acrescentados. Depois, deve secar-se.

A oração seguinte deve ser repetida cinco vezes durante o dia e quatro vezes durante a noite, durante três dias: ASTROSCHIO, ASATH, a sacra BEDRIMUBAI, FELUT, ANABOTOS, SERABILEM, SERGEN, GEMEN, DOMOS. Ó Senhor Deus, que estás sentado acima dos céus, que vês as profundezas, concede-me, rogo-Te, que aquelas coisas que concebo na minha mente possam também ser executadas por mim, através de Ti, ó Grande Deus, que vives e reinas para todo o sempre! Amém.

§ 5. SOBRE A PREPARAÇÃO EXTERNA DO OPERADOR, E EM SEGUNDO LUGAR SOBRE AS VESTES.

O uso de vestes especiais nas cerimónias da Magia segue-se razoavelmente do caráter religioso atribuído a estas operações. Pedro de Abano recomenda uma veste sacerdotal, se possível, por onde se pode entender uma alva. O “Livro da Magia Negra”, seguindo a “Chave de Salomão”, e representando o rito judaico, prescreve uma veste exterior como a dos Levitas, com os seguintes caracteres bordados em seda vermelha no peito.

Todas as vestes, mesmo a camisa, devem ser de linho, e ao vesti-las devem ser recitadas estas palavras: ANTON, AMATOR, EMITES, THEODONIEL, PONCOR, PAGOR, ANITOR; pela virtude destes santíssimos Nomes Angélicos me visto, ó Senhor, nas minhas vestes sabáticas, para que assim possa cumprir, até ao seu termo, todas as coisas que desejo efetuar através de Ti, Santíssimo ADONAY, cujo reino e domínio duram para todo o sempre. Amém.

Os sapatos e o chapéu devem ser de couro branco, com os mesmos caracteres escritos em cinábrio diluído em água de goma, usando a pena da Arte. Os seguintes nomes devem ser escritos à volta do chapéu: JEHOTAN, atrás; ADONAY, à direita; EROX, à esquerda; e GIBOR, à frente.

CAPÍTULO II

OS RITOS E CERIMÔNIAS INICIAIS

§ 1. SOBRE AS VIRTUDES DOS PLANETAS.

A “Chave de Salomão, o Rei” é o único Ritual Mágico que regula as operações da Arte Mágica de acordo com uma atribuição formal de certas horas do dia e da noite ao domínio e influência de certos planetas, e o livro da “Verdadeira Magia Negra” é o único Grimório Goético que segue a Clavícula de perto nisto como noutros aspectos. As instruções dadas são, no entanto, extremamente confusas. A atribuição comum dos sete dias aos sete planetas obtém-se em ambos os casos, e é estabelecida no Grimório da seguinte forma.

Mas como há desigualdade na duração dos dias, diz o Grimório, isto é, a duração comparativa do dia e da noite varia de acordo com os tempos do nascer e pôr do sol, assim também as horas dos planetas são desiguais. Quando o dia é, digamos, quinze horas, para saber quantos minutos compõem uma hora do planeta, multiplicam-se as quinze horas por cinco; o resultado é setenta e cinco, e tantos minutos formarão a hora do planeta daquele dia. As horas correspondentes da noite são nove; estas multiplicadas por cinco produzem quarenta e cinco, e tantos minutos formarão a hora do planeta da noite. O mesmo método pode ser seguido através de todas as estações do ano.

Mas em qualquer dia de vinte e quatro horas, o número de minutos é 1410, contra 1530 no cálculo acima, e o método é, portanto, absurdo. A atribuição aceite por todos os escritores de Magia Natural, e correspondente à sucessão angélica em Pedro de Abano, será encontrada na seguinte tabela.

TABELA DAS HORAS PLANETÁRIAS CALCULADAS DA MEIA-NOITE À MEIA-NOITE

HORAS DO DIA

  1. Saturno…Júpiter…Marte…Sol…Vênus…Mercúrio…Lua
  2. Vênus…Saturno…Júpiter…Marte…Sol…Vênus…Mercúrio
  3. Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno…Marte…Sol…Vênus
  4. Lua…Marte…Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno…Sol
  5. Saturno…Sol…Lua…Marte…Mercúrio…Júpiter…Vênus
  6. Júpiter…Vênus…Saturno…Sol…Lua…Marte…Mercúrio
  7. Marte…Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno…Sol…Lua
  8. Sol…Lua…Marte…Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno
  9. Vênus…Saturno…Sol…Lua…Marte…Mercúrio…Júpiter
  10. Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno…Sol…Lua…Marte
  11. Lua…Marte…Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno…Sol
  12. Saturno…Sol…Lua…Marte…Mercúrio…Júpiter…Vênus

HORAS DA NOITE

  1. Júpiter…Vênus…Saturno…Sol…Lua…Marte…Mercúrio
  2. Marte…Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno…Sol…Lua
  3. Sol…Lua…Marte…Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno
  4. Vênus…Saturno…Sol…Lua…Marte…Mercúrio…Júpiter
  5. Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno…Sol…Lua…Marte
  6. Lua…Marte…Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno…Sol
  7. Saturno…Sol…Lua…Marte…Mercúrio…Júpiter…Vênus
  8. Júpiter…Vênus…Saturno…Sol…Lua…Marte…Mercúrio
  9. Marte…Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno…Sol…Lua
  10. Sol…Lua…Marte…Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno
  11. Vênus…Saturno…Sol…Lua…Marte…Mercúrio…Júpiter
  12. Mercúrio…Júpiter…Vênus…Saturno…Sol…Lua…Marte

Vê-se por esta tabela que há uma regra recorrente dos planetas em sucessão ininterrupta através de toda a semana, após a qual a sequência recomeça na mesma ordem, sendo cada planeta durante a primeira e a oitava das horas do dia e a terceira e a décima das horas da noite do dia referido a esse planeta. Estas constituem as horas planetárias.

O “Livro da Magia Negra”, seguindo ainda e confundindo as afirmações da Clavícula, estabelece que as horas de Saturno, Marte e Vênus são boas para a comunhão com os espíritos; a hora de Saturno serve para invocar almas no inferno, e para ter notícias daqueles que morreram naturalmente. As almas daqueles que foram mortos devem ser invocadas na hora e também no dia de Marte. Acrescenta que os experimentos feitos com fidelidade e grande diligência, observando tudo o que está estabelecido, serão invariavelmente verificados, mas falhar no menor pormenor anulará a perfeição em qualquer um.

As horas de Saturno e de Marte também são boas para a preparação naqueles dias em que estão em conjunção com a Lua, ou mesmo um com o outro. Num aspecto contrário ou quadrado, são boas para experiências de ódio, litígios, inimizades, discórdias, e assim por diante. As horas do Sol, Júpiter e Vênus, especialmente a sua hora planetária, são favoráveis tanto a experiências ordinárias como extraordinárias não incluídas nas já mencionadas. As da Lua são especialmente adequadas à conjuração de espíritos, obras de necromancia, e à descoberta de bens roubados; mas o luminar deve estar colocado e num signo terrestre – isto é, (em conjunção) com Mercúrio para o amor, favores e invisibilidade; para obras de ódio e discórdia num signo pertencente à triplicidade ígnea – Carneiro, Leão, Sagitário; para experiências extraordinárias num signo aquático – Caranguejo, Escorpião ou Peixes. Se, porém, a observação destas regras parecer demasiado difícil, faça apenas isto – veja que a Lua crescente está num número igual de graus com o Sol; é então muito bom para a realização das experiências acima mencionadas. Quando a Lua Cheia está em oposição ao Sol, é excelente para experiências bélicas, turbulentas e discordantes; no seu último quarto favorece as obras que lidam diretamente com operações de destruição e ruína. A melhor época para as experiências de morte e invisibilidade é quando a Lua está quase privada de luz.

Quando a Lua está em conjunção com o Sol, nada deve ser empreendido, porque é uma época infeliz e tudo falha nela; mas quando no seu período crescente, atuada pela luz, quaisquer experiências podem ser preparadas e quaisquer escritos e operações realizadas, especialmente para conversar com espíritos. Deve, no entanto, ser o dia de Mercúrio e na hora desse planeta, estando a Lua num signo terrestre ou aéreo, como acima dito, e num número par com o Sol.

§ 2. UMA INSTRUÇÃO GERAL SOBRE OS INSTRUMENTOS EXIGIDOS PARA A ARTE.

A maioria dos rituais goéticos especifica com considerável minúcia os instrumentos que são exigidos para as operações, e nestes aspectos, mas com variações peculiares a eles próprios e distinguindo-os também uns dos outros, seguem a autoridade da “Chave de Salomão”. Pedro de Abano não nos diz nada sobre eles, nem ainda o pseudo-Agripa, com a única exceção da espada, que, seguindo uma analogia física, parece ser universal na magia prática. Nos Grimórios, no entanto, embora por vezes seja a primeira arma a ser mencionada, a sua posição é comparativamente insignificante, pois a faca é um instrumento mais pronto, e, falando em geral, há pouco na literatura para justificar as complexas elaborações modernas de Eliphas Lévi e de Christian.

Entre as propriedades necessárias mencionadas pelo livro da “Verdadeira Magia Negra” estão a espada, o bordão, a vara, o lanceta, o arctrave ou gancho, a bolline ou foice, a agulha, o punhal, uma faca de cabo branco, e outra faca de cabo preto usada para descrever o círculo. O mais importante de fazer é o chamado bolline; deve ser forjado no dia e na hora de Júpiter, pegando num pequeno pedaço de aço não usado. Coloque-o três vezes no fogo e extinga-o no sangue de uma toupeira misturado com o sumo da pimpinela. Que isto seja feito quando a Lua estiver na sua plena luz e curso. No mesmo dia e na hora de Júpiter, monte um cabo de chifre no aço, moldando-o com uma nova espada forjada três vezes como acima no fogo. Quando feito e aperfeiçoado, recite sobre ele esta

ORAÇÃO OU CONJURAÇÃO.

Conjuro-Te, ó forma deste instrumento, pela autoridade de Deus Pai Todo-Poderoso, pela virtude do Céu e das estrelas, pela virtude dos Anjos, pela dos elementos, pela das pedras e ervas, e da mesma maneira pela virtude das tempestades de neve, trovões e ventos, que recebas todo o poder para a realização daquelas coisas em truque, falsidade ou engano, pelo comando de Deus, Criador das eras e Imperador dos Anjos. Amém.

As saudações seguintes devem então ser pronunciadas sobre o instrumento: Domine, Deus meus, in te speravi; Confitebor tibi, Domine, in toto corde meo: Quemadmodum desiderat cervus ad fontes aquarum, &c., acrescentando as seguintes palavras: DAMAHI, LUMECH, GADAL, PANCIA, VELOAS, MEOROD, LAMIDOCH, BALDACH, ANERETHON, MITATRON, santíssimos Anjos, sede guardiões deste instrumento, porque dele farei uso para várias obras necessárias.

Coloque-o num novo invólucro de seda vermelha, fazendo sufumigação com perfumes odoríferos, como será adiante descrito. Tome cuidado para não aperfeiçoar o instrumento senão no dia de Vénus, e na sua hora, quando também a agulha e outros instrumentos semelhantes podem ser preparados.

Posteriormente, no dia de Vénus, estando a Lua no signo de Capricórnio, ou de outro modo no da Virgem, se tal for possível, farás a primeira faca, e a mergulharás no sangue da toupeira e no sumo da pimpinela. Que a Lua esteja num tempo agudo de curso e luz, começando a operação na primeira hora de Vénus e terminando na nona hora do mesmo dia. Monte a faca com um cabo de madeira branca cortada de um só golpe com uma nova espada ou faca, e neste cabo grave os seguintes caracteres.

Fumigue como antes, e com esta faca faça todas as coisas necessárias à Arte, exceto o círculo. Mas se tal faca for demasiado difícil de fabricar, compre uma da mesma forma já feita; mergulhe-a no sangue e sumo como acima; monte-lhe o mesmo cabo com os mesmos caracteres, e na lâmina, procedendo da ponta para o cabo, escreva com uma pena de ganso macho as palavras: AQLS, ON. Perfume como antes, polvilhe com água exorcizada, e coloque no invólucro de seda já mencionado.

Aquela com o cabo preto, destinada a descrever o círculo e intimidar os espíritos, e para realizar outras coisas semelhantes, deve ser feita em todos os respeitos como a primeira, exceto quanto ao dia e hora, que devem ser os de Saturno. O aço deve ser extinto no sangue de um gato e no sumo da cicuta, enquanto o cabo deve ser de chifre de carneiro. O punhal ou estilete e o lanceta devem ser feitos da mesma maneira no dia e na hora de Mercúrio, e o aço extinto no sangue de uma toupeira e no sumo da erva mercúria. Devem ser montados com cabos de chifre, moldados com uma nova espada no dia e na hora de Mercúrio, e devem ostentar estes caracteres nos ditos cabos. Fumigue como antes, e use no seu lugar próprio conforme necessário.

O Grimorium Verum, que prima pela simplicidade, reduz os instrumentos de aço a três, a saber, faca, buril e lanceta. Os dois primeiros devem ser feitos no dia e na hora de Júpiter, com a Lua crescente no ascendente, o que está em desacordo com a autoridade anterior. Quando terminados, a seguinte Oração ou Conjuração deve, em cada caso, ser recitada sobre eles. A faca deve ser suficientemente grande para decepar o pescoço de um cabrito de um só golpe; deve ser montada com um cabo de madeira, feito no mesmo dia e na mesma hora, e gravado com caracteres mágicos. O instrumento deve então ser polvilhado, fumigado e preservado para uso conforme necessário.

CONJURAÇÃO.

Conjuro-te, forma do instrumento, N., por Deus Pai Todo-Poderoso; pela virtude do Céu e por todas as estrelas que governam; pela virtude dos quatro elementos; pela de todas as pedras, todos os planetas e todos os animais quaisquer; pela virtude das tempestades de granizo e dos ventos; para aqui receberes tal virtude que possamos obter por ti o perfeito resultado de todos os nossos desejos, que também procuramos realizar sem mal, sem engano, por Deus, o Criador do Sol e dos Anjos. Amém.

Recite os Sete Salmos Penitenciais, e acrescente estas palavras: DALMALEY, LAMBOK, CADAT, PANCIA, VELOUS, MERROE, LAMIDECK, CALDULECH, ANERETON, MITRATON, puríssimos Anjos, sede guardiões destes instrumentos, que são necessários para muitas coisas.

O lanceta, que é mencionado mas não descrito no livro da “Verdadeira Magia Negra”, deve, segundo o Grimorium Verum, ser feito no dia e na hora de Mercúrio, com a Lua crescente, e conjurado da mesma maneira que a faca e o buril. Caso assistentes acompanhem o operador, cada um deve ser provido da sua faca, e a mesma regra se aplica à Espada da Arte, que deve ser polida no dia de Mercúrio, da primeira à terceira hora da noite. A destinada ao Mestre ou operador principal deve ostentar as palavras ELOHIM JITOR, da ponta ao cabo. Para a do primeiro discípulo, escreva o nome CARDIEL no cabo, e na lâmina REGION, da ponta ao cabo. Deve aparecer em ambos os lados transversalmente, mas acrescente de um lado PANORAIM, e do outro HOMESIM. Na espada do segundo discípulo escreva URIEL, SARAION, GAMERIN, DEBALIN, da maneira antes descrita. Na do terceiro discípulo escreva DANIEL, IMETON, LAMEDIIN, ERADIN, e monte-a com um cabo de osso branco.

A seguinte Conjuração deve ser recitada secretamente sobre as espadas: – Conjuro-vos, ó espada, pelos três Santos Nomes, ALBROT, ABRACADABRA, JEOVA! Sê minha fortaleza e defesa contra todos os inimigos, visíveis e invisíveis, em toda obra mágica. Pelo Santo Nome SADAY, que é grande em poder, e por estes outros nomes, CADOS, CADOS, CADOS, ADONAT, ELOT, ZENA, OTH, OCHIMANUEL, o Primeiro e o Último, Sabedoria, Caminho, Vida, Virtude, Chefe, Boca, Fala, Esplendor, Luz, Sol, Fonte, Glória, Montanha, Vinha, Porta, Pedra, Bordão, Sacerdote, Imortal, Messias, Espada, dominai em todos os meus assuntos e prevalecei naquilo que se me opõe. Amém.

§ 3. SOBRE A VARA E O BORDÃO DA ARTE.

O grande mistério da magia prática supõe-se centrado na Vara Mágica, e Eliphas Lévi, que afirma ter reconstruído o cerimonial primitivo, mas parece ter antes sobre-editado os seus materiais, fornece um relato altamente sensacional dos seus poderes e um método elaborado da sua preparação. Para ele, é o sinal da transmissão do sacerdócio mágico, que nunca cessou desde a obscura origem da ciência transcendental. O operador é sobrecarregado de precauções quanto ao sigilo que deve ser mantido em relação a ela, e desanimado pelas dificuldades da sua consagração. Em vista de tal importância imputada, é curioso que De Abano e pseudo-Agripa omitam toda a menção deste tremendo instrumento, e a “Chave de Salomão” o despacha em poucas linhas de fácil instrução. Parece, no entanto, que um bordão e uma vara são ambos necessários, especialmente em operações goéticas, embora as suas províncias distintivas não sejam em caso algum descritas. Segundo o livro da “Verdadeira Magia Negra”, o bordão deve ser de cana e a vara ou varinha de aveleira, ambos virgens – isto é, sem ramos ou rebentos. Devem ser cortados e aparados no dia e na hora do Sol, enquanto os seguintes caracteres devem ser inscritos no bordão, mas no dia e na hora de Mercúrio.

Se gravado com o instrumento sagrado, tanto melhor. Em qualquer caso, recitem-se as seguintes palavras quando a escrita estiver terminada: – Ó ADONAY, Santíssimo e Poderosíssimo, dignai-vos consagrar e abençoar este Bordão e esta Vara, para que possuam a virtude exigida, ó Santíssimo ADONAY, a quem a honra e a glória para todo o sempre. Amém.

Por último, os dois instrumentos devem ser aspergidos, fumigados e guardados no pano de seda.

O Grimorium Verum instrui o operador a fazer duas varas de madeira que nunca tenha dado fruto. A primeira deve ser cortada de um só golpe de um sabugueiro no dia e na hora de Mercúrio. A segunda deve ser de aveleira, sem botão, e cortada na hora do Sol. Os caracteres mágicos que devem ser gravados em cada uma foram omitidos pelo impressor, mas são fornecidos nas versões italianas modernas. São, para a primeira, o selo ou caráter de Frimost e o de Klippoth para a segunda (ver Capítulo III, Secção 2). A oração de consagração não oferece variação de importância em relação à da “Verdadeira Magia Negra”, e não precisa de ser reproduzida. Aspersão e fumigação são prescritas, como no caso anterior.

O “Grande Grimório” dedica um capítulo inteiro à verdadeira composição da Vara Misteriosa, também chamada Vara Devastadora ou Destruidora. Não menciona nenhum outro instrumento, e atribui-lhe todo o poder nas evocações diabólicas. Parece ter fornecido a Eliphas Lévi a primeira sugestão do seu ainda mais potente Verendum, ao qual, no entanto, um significado alegórico pode talvez ser atribuído. Na véspera da grande empresa, diz este Ritual, deveis sair em busca de uma vara ou varinha de aveleira selvagem que nunca tenha dado fruto; o seu comprimento deve ser de dezanove polegadas e meia. Quando tiverdes encontrado uma vara da forma exigida, não a toqueis de outra maneira senão com os olhos; deixai-a ficar até à manhã seguinte, que é o dia da operação; então deveis cortá-la absolutamente no momento em que o sol nasce; despojai-a das folhas e ramos menores, se os houver, usando a faca do sacrifício manchada com o sangue da vítima. Começai a cortá-la quando o sol está primeiro a nascer sobre este hemisfério, e pronunciai as seguintes palavras: – Rogo-Te, ó Grande ADONAX, ELOIM, ARIEL, e JEOVAM, que sejais propícios para comigo, e que doteis esta Vara que estou a cortar com o poder e virtude das varas de Jacob, de Moisés e do poderoso Josué! Rogo-Te também, ó Grande ADONAY, ELOIM, ARTEL, e JEHOTAM, que infundais nesta Vara toda a força de Sansão, a justa ira de EMANUEL, e os trovões do poderoso ZARIATNATMIK, que vingará os crimes dos homens no Dia do Juízo! Amém.

Tendo pronunciado estas sublimes e terríficas palavras, e mantendo ainda os olhos voltados para a região do sol nascente, podeis terminar de cortar a vossa vara, e então levá-la para a vossa morada. Deveis então procurar um pedaço de madeira vulgar, modelar as duas extremidades como as da vara genuína, e levá-lo a um ferreiro, que soldará a lâmina de aço da faca sacrificial em duas tampas pontiagudas, e as fixará nas ditas extremidades. Feito isto, podeis voltar para casa, e ali, com as vossas próprias mãos, fixar as tampas de aço nas juntas da vara genuína. Posteriormente, deveis obter um pedaço de magnetite e magnetizar as extremidades de aço, pronunciando as seguintes palavras: – Pelo grande ADONAT ELOIM, ARIEL, e JEHOTAM, ordeno-te que te unas e atraias todas as substâncias que desejar, pelo poder do sublime ADONAT, ELOIM, ARIEL, e JEHOTAM. Ordeno-te, pela oposição do fogo e da água, que separeis todas as substâncias como foram separadas no dia da criação do mundo. Amém.

Finalmente, deveis alegrar-vos na honra e glória do sublime Adonay, estando convencidos de que possuís um Tesouro de Luz inestimável.

§ 4. SOBRE A PENA E A TINTA DA ARTE.

O cerimonial mágico preliminar parece ter como seu principal objetivo a consagração pessoal de cada artigo, grande ou pequeno, indispensável ou ocasional, que está ligado aos vários processos. A pena e a tinta com que os caracteres e nomes são escritos devem ambas ser especialmente preparadas. Pegue numa pena nova, diz o Grimorium Verum; asperja e fumigue-a à maneira dos outros instrumentos; quando a segurar na mão para a aparar, diga as seguintes palavras: ABABALOY, SAMOY, ESCAVOR, ADONAY: que são usadas nesta Arte, tanto para operações como para caracteres e conjurações. Amém.

Da mesma forma, um chifre ou tinteiro deve ser comprado no dia e na hora de Mercúrio, e na mesma hora os seguintes nomes de Deus devem ser escritos à volta dele: JOD, HE, VAU, HE, METATRON, JOD, CADOS, ELOYM, SABAOTH. Deve então ser enchido com tinta fresca que tenha sido exorcizada.

EXORCISMO DA TINTA.

Exorcizo-te, criatura da Tinta, por ANSION, CERRETON, STIMULATOR, ADONAY, e pelo nome d’Aquele cuja única Palavra criou tudo e pode realizar tudo, para que assim me ajudes na minha obra, para que a minha obra seja realizada pela minha vontade, e cumprida com a permissão de Deus, que governa em todas as coisas e através de todas as coisas, em toda a parte e para sempre. Amém.

BENDIÇÃO DA TINTA.

Senhor Deus Todo-Poderoso, que governas tudo e reinas através de toda a eternidade, que realizas grandes maravilhas nas Tuas criaturas, concede-nos a graça do Teu Espírito Santo por meio desta tinta. Abençoa-a, santifica-a, e confere-lhe uma virtude peculiar, para que tudo o que for dito, tudo o que desejarmos fazer e escrever aqui, tenha sucesso através de Ti, Santíssimo Príncipe ADONAY. Amém.

Depois, asperja, fumigue e exorcize.

O “Livro da Verdadeira Magia Negra”, por outro lado, instrui o operador a arrancar a terceira pena da asa direita de um ganso macho, e a dizer ao extraí-la: ABRACHAT, ABATOX, SAMATOX, SCAVER, ADONAY! expulsa todo o mal desta pena, para que possua pleno poder para escrever tudo o que eu quiser.

Depois, apare-a com a Faca da Arte, a saber, a de cabo branco; incensa-a também e asperge-a. Por último, pega num novo cornículo ou tinteiro de barro, feito no dia e na hora de Vénus, e escreve à sua volta estes nomes com o lanceta exorcizado da Arte: JOD, HE, VAU, HE, MITATRON, JAE, JAE, JAE, CADOS, ELOYN, ZEVAO. Depois, molha a pena nela, pronunciando as seguintes palavras: – Exorcizo-te, criatura da espécie das penas, por ETERERON, por STIMULATION, e pelo nome ADONAY. Ajuda-me em todas as minhas obras.

A instrução continua: – Como às vezes é necessário escrever com tintas coloridas, tenha vários chifres contendo tintas brancas, nas quais infunda as suas cores para os pentáculos e caracteres. As cores devem ser diluídas com a água benta que chamamos exorcizada, e com goma arábica. Por último, perfume-as. Que isto seja feito com toda a devoção, humildade e fé, faltando as quais nada pode ser realizado, diz o Grimório.

A mesma obra dá pormenores sobre a extração da pena-espada da asa direita de uma andorinha, precedendo a ação com as palavras Sin re. Deve então ser transformada em pena por meio da Faca da Arte, e o nome Anereton deve ser escrito nela com a pena de ganso, após o que os Salmos Ecce quam bonum et quam jucundum e Laudate Dominum omnes gentes devem ser recitados sobre ela, seguidos de aspersão e fumigação.

Não se deve supor que qualquer tinta vulgar pudesse ser adequada para um negócio tão sério como o de escrever pactos. A preparação especial é a seguinte: – Coloque água de rio num pote de barro vidrado novo, juntamente com o pó abaixo descrito. Depois, pegue em ramos de feto colhidos na Véspera de São João, e em ramos de videira cortados na lua cheia de Março. Acenda esta madeira por meio de papel virgem, e quando a água ferver, a tinta estará feita. Deve ser mudada cada vez que houver ocasião de escrever, isto é, sempre que se empreender a apelação de um espírito.

Pó para a Tinta de Pacto.

Nozes de galha, Alume de Rocha ou Goma Arábica. Faça um pó impalpável, e quando quiser compor a tinta, use como descrito acima.

As autoridades para este processo – que em si mesmo parece suficientemente inofensivo – não são os Grimórios propriamente ditos, mas as coleções de Segredos Mágicos que por vezes lhes são apensas, e por vezes formam obras independentes.

§ 5. SOBRE A CERA VIRGEM OU TERRA VIRGEM.

As velas usadas na evocação ou noutras experiências mágicas, e as imagens exigidas para o enfeitiçamento, devem ser compostas de cera virgem ou terra virgem. Isto é, as substâncias em questão não devem ter sido aplicadas anteriormente para outro propósito. Antes de operar, devem ser recitadas as seguintes palavras sobre o material: ENTABOR, NATABOR, SI TACIBOR, ADONAT, AN, LATAMON, TINARMES, IOS PHILODES. Anjos de Deus, estai presentes! Invoco-vos na minha obra, para que obtenha virtude pela vossa mediação, e seja aperfeiçoado com toda a certeza. Depois, recite os Salmos Domine non est exaltatum cor meum e Dominus quis habitabit, acrescentando estas palavras: – Exorcizo-te, criatura de cera [ou terra], e, pelo Criador e Deus Todo-Poderoso, que criou todas as coisas do nada pelo Seu Santíssimo Nome, e pelos Seus anjos, ordeno-te que recebas virtude e bênção no Seu Nome, para que assim sejas santificado e abençoado, obtendo assim aquela virtude que desejamos, pelo Santíssimo Nome Adonay, que é a vida de todas as criaturas, Amém. Asperge a substância com a água benta da Arte, após o que a conserva para fazer uso dela quando necessário. Fazendo assim, diz a “Verdadeira Magia Negra”, obterás um verdadeiro resultado em tudo o que empreenderes.

§ 6. SOBRE O PANO DE SEDA.

Quando todos os instrumentos pertencentes à Arte tiverem sido devidamente consagrados e exorcizados, devem ser reunidos num pano de seda custoso, como Salomão ordena, para que possam ser mantidos limpos e puros, e possam assim ser mais eficazes. Contanto que não seja preto ou castanho, a cor é indiferente, mas os seguintes caracteres devem ser escritos nele com sangue de pombo e a pena de ganso macho própria da Arte.

Acrescente estes nomes: ADONAY, AMMASTIUS, ANARETON, COSBOS, ETOR. Depois, fumigue e asperja, dizendo subsequentemente os Salmos Domine, Dominus noster, Deus Judicium tuum Regi da, e Ecce nunc dimittis. Coloque, por último, todos os instrumentos mágicos neste pano de seda. “Assim os usarás à vontade, e aprenderás o seu efeito”, diz o Mago, Iroé-Grego.

§ 7. SOBRE A VÍTIMA DA ARTE.

Costuma-se supor que a oferta de um sacrifício sangrento é uma condição essencial para o sucesso na Magia Negra, e que o embrutecimento do operador é o principal propósito da ordenação. É verdade que tal oferta é na maioria dos casos ordenada, mas o seu objetivo é simples e comum, em vez de diabólico ou recôndito, e a prática em si baseia-se na chamada Magia Branca da “Chave de Salomão”. A Arte tem a sua vítima, não porque o sangue seja exigido num caso mais do que no outro, mas porque era costume que os pactos e pentáculos fossem escritos em pergaminho ou vitela, e, em vista daquela doutrina da consagração pessoal já explicada, o Mago Negro tinha, tanto quanto possível, de dispensar o trabalho exterior, de ser seu próprio ferreiro, seu próprio fabricante de penas e, portanto, também seu próprio curtidor. Alterius non sit qui suus esse potest era a máxima de Paracelso, e foi levada mais longe na Goetia do que a mera independência intelectual. Faça você mesmo o que quer; não confie isso a outros; não só possuirá mais da sua virtude pessoal, mas terá a certeza do artigo – tal poderia ser o comentário dos Grimórios sobre o aforismo do sábio de Hohenheim, e há mais razão no conselho porque mesmo as substâncias acessíveis exigidas pelo operador tinham geralmente algumas condições incómodas ligadas a elas, que poderiam permanecer por cumprir a menos que ele próprio estivesse ativamente presente na sua preparação. Um caso particular é o pergaminho usado na Arte. O mago era obrigado a matar um cordeiro ou cabrito com as suas próprias mãos, não porque houvesse qualquer importância simbólica ligada ao ato de destruição – os Grimórios não fazem tal atribuição – não porque o sangue fosse usado – pois o seu uso raramente é prescrito – mas para garantir que o animal fosse um do qual se pudesse preparar pergaminho virgem ou vitela virgem.

Chama-se virgem, diz o “Livro da Verdadeira Magia Negra”, aquele que é feito de animais que nunca geraram, machos sobretudo, – a partir do qual definição é óbvio que o recurso ao curtidor profissional poderia comprometer toda a injunção. Mas visto que toda a operação empreendida na Arte assumia um aspeto religioso, o abate do animal tornava-se um sacrifício, e tinha as suas cerimónias acompanhantes, orações e invocações, cada ritual possuindo as suas próprias variantes.

A preparação do pergaminho virgem é dada da seguinte forma no Grimorium Verum.

SOBRE A VÍTIMA DA ARTE.

Pegue no seu cabrito; coloque-o sobre um bloco com a garganta voltada para cima, para que lhe seja mais fácil cortá-lo; esteja pronto com a sua faca, e corte a garganta de um só golpe, pronunciando o nome do Espírito que deseja invocar. Por exemplo, diga: Eu te mato, N., em nome e para honra de N. Tome cuidado para que não sejam necessários dois golpes, mas deixe-o morrer ao primeiro; então esfole-o com a faca, e enquanto o esfola, faça a seguinte

INVOCAÇÃO.

ADONAY, DALMAX, LAUDAY, TETRAGRAMMATON, ANERETON, e todos vós, santos anjos de Deus, estai aqui e dignai-vos transmitir virtude a esta pele, para que seja convenientemente conservada, e que todas as coisas nela escritas atinjam a sua perfeição.

Após a esfola, pegue em sal bem pisado; estique a pele; deite o seu sal sobre ela de modo a cobrir toda a superfície. Mas primeiro que o sal seja abençoado da seguinte maneira:

EXORCISMO DO SAL.

Exorcizo-te, criatura do sal, pelo Deus vivo, pelo Deus dos deuses e Senhor dos senhores, para que todas as ilusões se afastem de ti, e para que assim possas servir para fazer a carta virgem.

BENDIÇÃO DO SAL.

Deus dos deuses e Senhor dos senhores, que criaste todas as coisas do nada, e designaste especialmente o sal para a saúde humana, abençoa e santifica este sal, e possa eu usá-lo de modo que todas as coisas que estão neste círculo recebam a virtude exigida para aquele efeito que desejamos. Amém.

Terminado isto, coloque a sua pele salgada ao sol durante um dia. Depois, prepare um vaso de barro vidrado, e escreva os caracteres de Guland e Surgat (Cap. III, Secção 2) à sua volta com a pena e tinta da Arte. Coloque cal virgem apagada com água exorcizada na panela, e enquanto estiver líquida, coloque a sua pele nela, e deixe-a assim até que se desprenda por si mesma. Quando o pelo estiver pronto a cair ao toque de um dedo, tire-a da panela e descasque-a com uma faca de madeira de aveleira, sobre a qual tenha pronunciado estas palavras: Santíssimo ADONAT, dignai-vos transmitir tal virtude a esta madeira que eu possa limpar esta pele com ela, através do Teu Santo Nome AGASON. Amém.

Feito isto, e estando a pele também limpa, estique-a sobre uma tábua de madeira nova, e à sua volta coloque pedras do mesmo comprimento que os lados da pele. Mas primeiro diga sobre elas a oração que aqui se segue:

ORAÇÃO.

Ó ADONAY, Deus poderosíssimo e forte, concede que estas pedras estiquem esta pele, e remove delas toda a ilusão, para que pelo Teu poder possuam a virtude que desejamos. Amém.

Feito isto, a pele pode ser deixada a secar, mas antes de a abandonar, recite a seguinte

ORAÇÃO.

JE, AALS, JOD, HEU, HE, EMANUEL, sede guardiões deste pergaminho ou pele, para que nenhum fantasma o possua.

Terminado isto, deixe-a ao ar até secar, tendo o cuidado de que o local esteja limpo, e tenha sido aspergido enquanto recita as seguintes palavras sagradas: Em nome do Deus imortal, que Deus te asperja e te limpe de toda a ilusão e de toda a maldade; assim serás mais branco que a neve. Amém.

Quando a pele estiver seca, tire-a da tábua, abençoe-a com aspersão e fumigação, e guarde-a para uso. Não deve ser vista por mulheres, especialmente nos seus tempos, pois perderá a sua virtude, e quem quer que faça este pergaminho deve ser, da mesma forma, puríssimo e limpo e casto. Que ele diga uma Missa da Natividade, quer seja o dia da Festa ou outro dia, e note que todos os instrumentos devem estar geralmente sobre o Altar.

O “Livro da Verdadeira Magia Negra” reproduz com outras variações o processo da Clavícula genuína: – Assegure o animal que vai fornecer o pergaminho num local secreto, onde ninguém habite ou possa vê-lo. Depois, pegue numa vara virgem; modele-a em forma de faca com a Faca de cabo branco da Arte, aparando-a cuidadosamente de todos os ramos. Sobre ela diga: – Conjuro-te, Vara, pelo Criador do Universo e Rei dos Anjos, cujo nome é HELSADAY! Recebe poder e virtude para esfolar este animal para a confecção do pergaminho, para que todas as coisas que nele escrever prosperem, por Deus Todo-Poderoso, que vive e reina para todo o sempre. Amém. Ao moldar esta faca, recite o Salmo Deus judicium tuum Regi da. Depois, escreva estas palavras na Vara: Agla, Adonay, Eloe, que a obra desta Faca de madeira seja por vós realizada! Diga também sobre ela: Cara, cherna, sito, cirna. Em seguida, esfole o animal com a mesma faca de madeira, dizendo: ADONAX, DAHNAY, SADAY, TETRAGRAMMATON, ANERETON, ANERETON, CURETON, Santos Anjos de Deus, estai presentes e dai virtude a este pergaminho. Que seja consagrado por vós, e assim todas as coisas que nele forem escritas adquiram a virtude necessária para a obtenção do fim desejado. Quando o tiver esfolado, pegue em sal e diga sobre ele: – Deus dos deuses, dignai-vos abençoar e santificar este sal, para que possa limpar o pergaminho que estou prestes a preparar com ele, e para que ambos obtenham virtude, poder e efeito. Sale a pele, e coloque-a ao sol durante quinze dias; depois, pegue num pote de barro vidrado, e escreva estes caracteres à sua volta; coloque um pedaço grande de cal viva com um pouco de água benta neste vaso, e quando a cal se apagar, mergulhe a pele durante nove dias inteiros; depois, retire-a e raspe-a com uma faca de madeira para remover o pelo. Deixe-a secar durante oito dias à sombra, e quando a puser a secar, asperja-a e diga: – Em Nome do Grande Deus Eterno, eu te asperjo. Sê limpo de todo o vício e iniquidade! [Quando seca] perfuma-a com ervas de cheiro doce; envolve-a no pano de seda com os outros instrumentos da Arte; e repara que se for vista por uma mulher nos seus tempos, perderá toda a sua virtude.

Mas se este tipo de pergaminho for demasiado difícil de preparar, compre pergaminho virgem de qualquer animal, exorcize-o como antes, coloque carvão aceso num pote de barro vidrado novo, misture bons perfumes com ele, e segure o seu pergaminho sobre o vaso para os receber. Antes de tudo, porém, escreva estes caracteres à volta do pote com os instrumentos da Arte. Enquanto a fumigação durar, diga: – Anjos de Deus, sede minha ajuda, e por vós seja a minha obra realizada! Quando terminar, diga: LAZAX, SALMAY, DALMAX, ANEPATON, CENDRION, ANITOR, ENCHBION, Santos Anjos de Deus, estai presentes e dai virtude a este pergaminho, para que ele adquira por sua vez a de todos os caracteres com que for revestido, pela ajuda do Deus piedoso e misericordioso. Recite os Salmos Deus, Deus meus, respice in me, e Laudate Dominum omnes gentes, e por último diga esta

CONJURAÇÃO.

Conjuro-te, criatura de pergaminho, por todos os nomes de Deus, que nada do que for escrito dentro de ti seja jamais apagado da verdade.

Por último, asperge-o e coloque-o no pano de seda, como acima.

O Grimorium Verum indulge o fraco aluno com uma simplificação adicional, como se segue: – Se não puder preparar o pergaminho você mesmo, compre um novo e conjure-o; asperja também e fumigue-o três vezes. O sacrifício, com os seus atrasos e desagradáveis, é assim ab-rogado, e o operador pode prosseguir para o mistério prático do Sanctum Regnum. Parece também que o pergaminho ou vitela propriamente dito pode ser dispensado em favor de: – (a.) a pele de algum outro animal, o que envolveria, no entanto, um processo semelhante; ou (b.) o saco amniótico de uma criança recém-nascida, que possuiria, claro, o caráter virgem exigido, e era simplesmente consagrado segundo as seguintes instruções, como se encontra na “Verdadeira Magia Negra”.

Quando tiver conseguido obter o saco amniótico de uma criança recém-nascida, perfume-o com odores doces e polvilhe-o, depois diga os seguintes Salmos: Domine, in me, e Domine, Deus meus, respice in me, com a conjuração que aqui se segue: – BOSMELETIO, JEYSMY, ETH, HODOMOS, BELUREOS. Ó Senhor, que fizeste todas as coisas com sabedoria; que escolheste Abraão, o Teu primeiro crente, e a sua semente se multiplicou como as estrelas do céu; que apareceste a Moisés, Teu servo, rodeado de fogo flamejante, e lhe fizeste conhecer os Teus nomes, que são HERE, ACER, HERE, isto é, EU SOU O QUE SOU; que também conduziste o Teu povo a seco pelo Mar Vermelho; que a Moisés, Teu servo, deste a Lei da Salvação no Monte Sinai; que a Salomão transmitiste sabedoria acima da medida dos homens; adoro humildemente a Tua majestade e imploro a Tua misericórdia, rogando-Te que consagres esta pele pela Tua virtude, ó Santíssimo ADONAT, cujo reinado dura para sempre. Amém.

Asperja o saco amniótico com a água benta da Arte, coloque-o no pano de seda, e quando estiver a trabalhar os exorcismos, as requisições feitas aos espíritos devem ser escritas nesta pele, que deve ser fumigada com odores fétidos.

§ 8. SOBRE A ASPERSÃO E A FUMIGAÇÃO.

Na preparação dos instrumentos, como já abundantemente evidente, e nas obras mais importantes que se seguem, as cerimónias de aspersão e fumigação, isto é, de purificar e consagrar, são frequentemente ordenadas. A aspersão é realizada com o Aspergilo, que, segundo o Grimorium Verum, deve ser composto de hortelã, mangerona e alecrim, ligados com um fio tecido por uma donzela virgem. Deve ser feito no dia e na hora de Mercúrio, com a lua crescente. A bilha, segundo a “Verdadeira Magia Negra”, deve ser um pote de barro vidrado, cheio de água de nascente fresca, na qual se tenha deitado um pouco de sal. Os seguintes Salmos devem ser recitados sobre ela: Domine, ne in furore tuo arguas me, e Domine, exaudi orationem meam, com o acréscimo desta

ORAÇÃO.

Ó Tu, Poderosíssimo Senhor, meu Deus, meu descanso e minha vida! Ajuda-me, Santíssimo Pai! Em Ti ponho a minha humildade, e com a invocação do Teu Santo Nome, rogo-Te que Te dignes abençoar esta água, para que em qualquer lugar onde seja lançada santifique os nossos corpos e as nossas almas, através de Ti, Santíssimo ADONAY, cujo reinado é sem fim. Amém.

O Aspergilo recomendado por este Ritual difere um pouco do anterior, sendo de verbena, pervinca, salva, hortelã, valeriana, freixo e manjericão, tendo o cuidado de não usar hissopo, mas alecrim em seu lugar. Deve ser montado com um cabo de aveleira virgem, três palmos de comprimento, e atado como antes. Os seguintes caracteres devem ser gravados num dos lados do dito cabo.

Este Aspergilo pode ser usado em todas as ocasiões com a certeza de que todos os fantasmas serão expulsos de todos os lugares que forem aspergidos com água devidamente exorcizada. A oração a usar na aspersão é assim dada pelo Grimorium Verum: – Em Nome do Deus Imortal, que Deus te asperja, N., e te limpe de toda a ilusão e de toda a maldade, e serás mais branco que a neve. Em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ao aspergir, acrescente também: Em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

SOBRE O INCENSO E A FUMIGAÇÃO.

O Grimorium Verum prescreve um cântaro ou turíbulo para a fumigação, acrescentando um tanto redundantemente que deve ser cheio com carvão recentemente aceso e fogo fresco, tudo em brasa. Coloque aromáticos sobre ele, e perfume o que quiser, dizendo: – Anjos de Deus, sede nossa ajuda, e por vós seja a nossa obra realizada! ZAZAT, SALMAT, DALMAY, ANGERECTON, LEDRION, AMISOR, EUCHEY, Ó! Grandes Anjos! E fazei também Tu, ó ADONAY, estar presente e transmitir a esta criatura tal virtude que ela receba uma forma pela qual a nossa obra possa ser realizada! Em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Recite os Sete Salmos seguintes Judicium tuum Regi da e Laudate Dominum omnes gentes.

Os perfumes são madeira de aloés e incenso para a maioria das ocasiões, e maça para a fumigação do círculo. O “Livro da Verdadeira Magia Negra” omite a maça e substitui o benjoim e o estoraque, e quaisquer outros à escolha, mas sem distinção quanto ao círculo. As seguintes Orações, Exorcismos e Bênçãos a serem ditas sobre os perfumes aromáticos ocorrem nos dois Rituais, sendo a primeira e a terceira comuns a ambos, e emprestadas da “Chave de Salomão”; a segunda, também referível à mesma fonte, não se encontra no Grimorium Verum.

PRIMEIRO EXORCISMO.

Ó Deus de Abraão, Deus de Isaac, e Deus de Jacob, dignai-vos abençoar e santificar estas criaturas, de qualquer espécie que sejam, para que obtenham virtude e poder para discernir os bons espíritos dos maus, mesmo os fantasmas e inimigos, através de Ti, ó ADONAY, que vives e reinas para todo o sempre. Amém.

SEGUNDO EXORCISMO.

Exorcizo-te, ó Espírito impuro, que és o fantasma do Inimigo. Em nome de Deus Todo-Poderoso, sai desta espécie, com toda a tua falsidade e maldade, para que se torne santificada e exorcizada, em Nome de Deus Todo-Poderoso, para que todas as virtudes inspirem aqueles que participam deste odor, para que o Espírito de Deus desça, e a virtude do Senhor se manifeste, na queima desta espécie, e para que nenhum fantasma ouse abordá-la. Pelo Inefável Nome de Deus Todo-Poderoso. Amém.

TERCEIRO EXORCISMO.

Digna-Te, ó Senhor, santificar esta criatura, para que se torne um sinal remédio para a raça humana, e a salvação das nossas almas e corpos, pela invocação do Teu Santíssimo Nome, para que todas as criaturas que inalem o fumo desta espécie tenham saúde de corpo e alma. Através daquele Senhor que criou as eras das eras. Assim seja.

Feito isto, polvilhe os perfumes com água exorcizada, e guarde-os no pano de seda para uso conforme prescrito. Quando quiser fumigar alguma coisa, pegue em carvão novo que não tenha sido aceso, acenda-o, e enquanto ainda estiver preto, exorcize-o, dizendo:

EXORCISMO DO CARVÃO ACESO.

Exorcizo-te, ó criatura do Fogo, por Aquele que fez todas as coisas! Expulsa de ti todos os fantasmas, para que de modo algum nos prejudiquem ou perturbem na nossa obra, pela invocação do Altíssimo Criador. Amém. Ó Salvador, Todo-Poderoso e misericordioso, abençoa a Tua criatura deste tipo, para que nenhum mal venha àquele que dela fizer uso. Amém.

Concluindo esta parte do seu cerimonial, o “Livro da Verdadeira Magia Negra” afirma que há ocasiões em que perfumes de um tipo fétido ou malcheiroso devem ser usados; os mesmos devem ser preparados, dizendo: ADONAY, LAZAT, DELMAX, AMAY, SADAY, ELOT, pela invocação, ó Salvador, do Teu Santíssimo Nome, digna-te conceder-nos, através deste tipo, a ajuda da Tua graça, e que nos assista em todas as coisas que precisamos cumprir; que toda a maldade passe para fora dele, e que seja abençoado e santificado no Teu poderosíssimo Nome. Amém.

Asperja o perfume fétido com água exorcizada, coloque-o no pano de seda, e use-o conforme necessário, mas sempre em nome do Santíssimo ADONAY. Fazendo assim, obterás o teu desejo, diz o “Manuscrito descoberto em Jerusalém no Sepulcro de Salomão.”

§ 9. SOBRE O TEMPO DA OPERAÇÃO.

Quando o sacrifício da Arte ou o seu substituto tiver sido uma vez concluído, o operador está na posse de todos os materiais de que necessitará para a realização das obras goéticas descritas no “Livro da Magia Negra” ou no Grimorium Verum. Mas como o primeiro destes Rituais ordena que a preparação do artista seja feita de acordo com certas influências planetárias, assim também, da mesma maneira, prescreve o tempo da operação, seguindo, como antes, a autoridade da Clavícula. Será bom reproduzi-las aqui numa análise sucinta, embora a natureza fragmentária do tratado atribuído a Iroé-Grego deixe as regras sem muito valor prático, e nenhuma atenção lhes seja dada por outros fabricantes de Grimórios.

Uma experiência de falar com espíritos ou conjurá-los deve ser operada no dia e na hora de Mercúrio, podendo essa hora ser a primeira ou a oitava, mas a décima quinta ou a vigésima segunda da mesma noite será ainda melhor, pois os espíritos aparecem mais facilmente no silêncio das horas escuras. Uma certa condição atmosférica também é exigida para a experiência de chamar espíritos, e um lugar obscuro e desabitado congruente com tal arte é ainda mais necessário, pois só assim será realizada e produzida. Mas se a experiência diz respeito a um roubo, deve ser realizada na hora da Lua e no seu dia – se possível, na Lua crescente – da primeira à oitava hora, ou, na sua falta, às dez horas da noite. É melhor, no entanto, durante o dia, porque a luz tem mais correspondência com a intenção, isto é, para manifestar coisas ocultas. A experiência da invisibilidade deve ser operada quando a Lua está em Peixes. As experiências de amor, favor e graça devem ser realizadas no dia e na hora do Sol ou de Vénus, da primeira à oitava hora, com a Lua em Peixes. As obras de destruição, ódio e desolação devem ser realizadas no dia e na hora de Saturno, da primeira ou oitava à décima quinta ou vigésima segunda hora da noite; são então certas. As experiências burlescas e divertidas são realizadas no dia de Vénus, na primeira e na oitava hora, ou na décima quinta e vigésima segunda hora da noite. As experiências extraordinárias devem ser operadas nas horas correspondentes no dia de Júpiter.

CAPÍTULO III.

SOBRE A HIERARQUIA DESCENDENTE

§ 1.—OS NOMES E OFÍCIOS DOS ESPÍRITOS MALIGNOS.

Em todas as questões de cerimonial, a inspiração dos Grimórios deve ser procurada na “Chave de Salomão” propriamente dita, mas para os nomes e ofícios dos demônios deve ser procurada na “Chave Menor”. A hierarquia, segundo o “Lemegeton”, com os seus processos evocatórios acompanhantes, será dada no quarto capítulo, pois não há razão especial para separá-la do seu contexto prático. Trataremos neste lugar das resumos posteriores, embora mais simples, que impedirão que estas curiosas questões sejam confundidas.

O livro da “Verdadeira Magia Negra”, como o seu protótipo, a Clavícula original, não dá conta da natureza dos Espíritos com os quais professa lidar e, como já vimos, interrompe-se abruptamente no ponto em que as fórmulas conjuratórias deveriam seguir para completar a obra. Este “Segredo dos Segredos”, como os Grimórios denominam os métodos para levantar e despedir espíritos, sendo omitido, pode agora ser dispensado até chegarmos aos processos menores da Magia Cerimonial, principalmente venéreos e fantásticos, que estão agrupados no oitavo capítulo.

O “Grimório de Honório” menciona pelos nomes quatro reis referidos aos pontos cardeais e sete espíritos menores a serem invocados nos dias da semana, mas, como se verá mais adiante, não há menção explícita da Hierarquia Descendente. Estas deficiências são supridas pelo Grimorium Verum e pelo “Grande Grimório”.

Quanto aos espíritos, diz o primeiro, uns são superiores e outros inferiores. Os três superiores são Lúcifer, Belzebu e Astarote. Segundo o último, Lúcifer é Imperador; Belzebu, Príncipe; e Astarote, Grão-Duque. Devem ser invocados por meio dos caracteres que eles próprios tornaram conhecidos, e estes caracteres devem ser escritos com o sangue do operador, ou com o de uma tartaruga marinha. Na sua falta, podem ser gravados numa esmeralda ou rubi, pois ambas as pedras têm grande simpatia com os espíritos, especialmente com os da raça solar, que são mais sábios, melhores e mais amigáveis que os restantes. O caráter deve ser usado sobre a pessoa; no caso de um homem, deve ser colocado no bolso direito, mas uma mulher deve carregá-lo entre os seios, para o lado esquerdo, como um relicário. Deve ser gravado ou escrito no dia e na hora de Marte para ambos os sexos, e aparentemente no caso de cada um dos três espíritos.

O senhor comanda os servos, prossegue o Grimório, e estes três espíritos podem fazer todas as coisas. Mas o operador é aconselhado a obedecer àqueles que lhe obedecem, porque os espíritos exaltados e poderosos servem apenas os seus confidentes e amigos íntimos. É também severamente avisado para estar de guarda, para que nenhum espírito o apanhe desprevenido. Cada um dos governantes tem dois oficiais principais, que anunciam aos súbditos todas as coisas que o seu senhor ordenou em todo o mundo, e ordenam tudo o que deve ser feito. Os inferiores de Lúcifer são Put Satanachia e Agaliarept; habitam a Europa e a Ásia. Os de Belzebu são Tarchimache e Fleurety; habitam a África. Os de Astarote são Sargatanas e Nebiros, cujo asilo é a América.

O “Grande Grimório” não distribui os seis espíritos subordinados entre os três governantes, mas enumera-os de modo um pouco diferente, juntamente com as suas dignidades, como se segue:

LUCIFUGE ROFOCALE. —Primeiro-Ministro.AQALIAREPT. —Outro Comandante.SATANACHIA. —Comandante-em-Chefe.FLEURETY. —Tenente-General.SARGATANAS. —Brigadeiro-Mor.NEBIROS. —Marechal de Campo e Inspector-Geral.

Vê-se que as principados do Inferno são representados principalmente à luz de um exército permanente, mas a sua interferência em assuntos terrenos não é de tipo militar. LUCIFUGE ROFOCALE tem o controlo, com que Lúcifer o investiu, sobre toda a riqueza e tesouros do mundo. Os seus subordinados são Baal, Agares e Marbas. O grande SATANACHIA tem o poder de sujeitar todas as esposas e donzelas aos seus desejos, e de fazer com elas o que quiser. Os seus subordinados são Pruslas, Aamon e Barbatos. AGALIAREPT tem a faculdade de descobrir os segredos arcanos em todas as cortes e câmaras do conselho do mundo; ele também desvenda os mais sublimes mistérios. Comanda a Segunda Legião de Espíritos, e os seus subordinados são Buer, Gusoyn e Botis. FLEURETY tem o poder de realizar qualquer trabalho durante a noite, e de causar granizo em qualquer lugar exigido. Controla um exército considerável de espíritos, e tem Bathsin (ou Bathim), Pursan e Eligor como seus subordinados. SARGATANAS tem o poder de tornar qualquer pessoa invisível, transportá-la para qualquer lugar, abrir todas as fechaduras, revelar tudo o que se passa em casas particulares, e ensinar todas as artes dos pastores. Comanda várias Brigadas de Espíritos, e tem Zoray, Valefar e Faraii como seus imediatos inferiores. NEBIROS tem o poder de infligir o mal a quem quiser; descobre a Mão da Glória, e revela toda a virtude dos metais, minerais, vegetais, como também de todos os animais, tanto puros como impuros. Possui a arte de predizer coisas futuras, sendo um dos maiores Necromantes em todas as Hierarquias Infernais; vai e vem por toda a parte e inspeciona todas as hostes da perdição. Os seus subordinados imediatos são Ayperos, Naberrs e Glassyalabolas.

Acrescenta-se que há milhões de outros espíritos em sujeição àqueles que foram mencionados, mas a sua enumeração não serve para nada, pois só são necessários quando apraz aos superiores empregá-los no seu próprio lugar, pois estes fazem uso de todas as Inteligências inferiores como trabalhadores ou escravos.

O Grimorium Verum, no entanto, menciona dezassete dos espíritos subordinados mais importantes, que parecem corresponder aos ministros dos seis grandes líderes mencionados acima, mas há pouca unanimidade entre os fabricantes de rituais mágicos, sejam eles brancos ou negros.

CLAUNEC tem poder sobre bens e riquezas; pode descobrir tesouros escondidos para quem faz pacto com ele; pode conceder grande riqueza, pois é muito amado por Lúcifer. Ele traz dinheiro à distância. Obedece-lhe, e ele te obedecerá!

MUSISIN tem poder sobre os grandes senhores; instrui-os em tudo o que se passa nas Repúblicas e nas dos Aliados.

BECHARD tem poder sobre os ventos e tempestades, sobre o relâmpago, o granizo e a chuva, por meio de um feitiço com sapos e outras coisas desta natureza, etc.

FRIMOST tem poder sobre esposas e donzelas, e ajudar-te-á a desfrutá-las.

KHIL ocasiona grandes terremotos.

MERSILDE pode transportar-te instantaneamente para onde quer que seja desejado.

CLISTHERET faz o dia ou a noite à tua volta à vontade.

BIRCHADE tem o poder de te mostrar todos os tipos de animais, de qualquer natureza que sejam.

SEGAL causa todo o tipo de prodígios visivelmente, tanto naturais como sobrenaturais.

HIPPACTE trará uma pessoa distante num instante.

HUMOIS pode transportar todo o tipo de livros para o teu prazer.

FRUCISSIERE traz os mortos à vida.

GULAND pode causar todos os tipos de doenças.

SURGAT abre todas as fechaduras.

MORATL tem o poder de tornar tudo no mundo invisível.

FRUTIMIERE te adorna com todos os tipos de festas.

Satanachia e Satanicia governam quarenta e cinco, ou, segundo alguns, cinquenta e quatro demônios, quatro dos quais são Sergutthy, Heramael, Trimasel e Sustugriel. Dois destes têm categoria de chefe. Os restantes não têm grande importância.

HUICTIIGARA ocasiona o sono e o sonambulismo em alguns, e aflige outros com insónia.

Estes são espíritos úteis, que agem com facilidade e rapidez, desde que estejam contentes com o operador. HERAMAEL ensina a arte da medicina, dá o conhecimento perfeito de todas as doenças, com a sua cura perfeita e radical, dá a conhecer todas as plantas em geral, os lugares onde crescem, e as épocas da sua colheita, as suas virtudes também e a sua composição para a obtenção de uma cura perfeita. TRIMASEL, e SUSTUGRIEL. Dois destes têm categoria de chefe. TRIMASEL ensina o verdadeiro segredo para confeccionar o pó de projeção que transforma metais imperfeitos – chumbo, ferro, estanho, cobre e mercúrio – em verdadeira prata boa e ouro bom, a saber, Sol e Lua, de acordo com o seu fermento. Só ele deve estar satisfeito com o operador, se o operador quiser estar satisfeito com ele. SUSTUGRIEL ensina a arte mágica; ele dá espíritos familiares para todas as coisas que podem ser desejadas, e fornece mandrágoras.

Agalierept e Tarihimal governam Elelogap, cujo poder é sobre a água. Os dois Nebirots governam Hael e Sergulath. HAEL instrui na arte de escrever todo o tipo de cartas, dá um poder imediato de falar todo o tipo de línguas, e explica as coisas mais secretas. SERGULATH fornece todo o tipo de especulações, ensina táticas e a quebra de fileiras hostis. Eles têm oito poderosos inferiores. 1. Proculo, que dá o sono por vinte e quatro horas, com o conhecimento das esferas do sono. 2. Haristum, que dá o poder de passar ileso pelo fogo. 3. Brulefer, que faz ser amado pelas mulheres. 4. Pentagnony, que torna invisível e também amado pelos grandes senhores. 5. Aglasis, que transporta por todo o mundo. 6. Sidragrosam, que faz as raparigas dançar completamente nuas. 7. Minoson, que assegura a vitória em todos os jogos. 8. Bucon, que tem o poder de excitar o ódio e o ciúme entre os dois sexos.

§ 2.—SOBRE AS FORMAS DOS ESPÍRITOS INFERNAIS NAS SUAS MANIFESTAÇÕES.

Tendo em conta a natureza e os antecedentes das inteligências com as quais a Magia Negra professa estar preocupada, deve ser altamente importante que o operador saiba o tipo de aparições que podem ser esperadas, quando, apesar da incredulidade de Horácio, os espíritos das vastas profundezas respondem à conjuração. A maioria dos Grimórios deixa inferir pelo seu silêncio que eles vêm em forma humana, possivelmente “num casaco elegante e linho branco como a neve”, como o Adonay do feiticeiro nas Experiências Taumatúrgicas de Eliphas Lévi. Nos Rituais Compostos é sempre um assunto de apreensão, e uma manifestação pacífica é seriamente negociada.

Segundo o Grimorium Verum, os espíritos não se manifestam invariavelmente sob as mesmas formas; estando desligados de toda a matéria, devem necessariamente tomar um corpo emprestado para aparecer diante de nós, e então assumem qualquer forma e figura que lhes pareça bem. Cuidado, porém, para que não te assustem! é outro aviso importante. Lúcifer aparece sob a forma e figura de um belo rapaz; quando irritado, mostra-se com um rosto rubro, mas não há nada de monstruoso na sua forma. Belzebu aparece ocasionalmente sob formas monstruosas, como a figura de um bezerro disforme, ou a de um bode com uma cauda longa; ao mesmo tempo, manifesta-se mais frequentemente sob a semelhança de uma mosca enorme. Quando irritado, vomita torrentes de água e uiva como um lobo. Astarote aparece de cor preta e branca, geralmente sob uma figura humana, mas ocasionalmente na semelhança de um asno.

O assunto das Manifestações Infernais é, no entanto, totalmente tratado no próximo capítulo. As indicações na presente secção são meramente as variantes posteriores.

CAPÍTULO IV.

OS MISTÉRIOS DA TEURGIA GOÉTICA SEGUNDO A CHAVE MENOR DE SALOMÃO, O REI

§ 1.—SOBRE OS ESPÍRITOS DO VASO DE BRONZE, DE OUTRO MODO CHAMADO A FALSA MONARQUIA DOS DEMÔNIOS.

A Arte Goética de Salomão dá instruções para invocar os espíritos que o Rei de Israel, segundo uma lenda bem conhecida, encerrou num vaso de bronze e lançou num lago profundo. Quando o vaso foi descoberto pelos babilónios, supôs-se que continha um grande tesouro, e foi consequentemente quebrado. Os espíritos que assim foram postos em liberdade, juntamente com as suas legiões, regressaram aos seus lugares anteriores, com exceção de Belial, que entrou numa certa imagem, e deu oráculos ao povo do país em troca de sacrifícios e honras divinas. Os seus nomes e ofícios são os seguintes:—

I. BAAL, um rei que governa no Oriente, que transmite invisibilidade e sabedoria. Aparece com cabeça humana, ou com a de um sapo ou gato, mas por vezes com todas ao mesmo tempo. Fala com voz rouca.

II. AGARES, um duque que governa no Oriente, que aparece na forma de um velho bem-apessoado, andando sobre um crocodilo e carregando um açor no punho. Faz parar os que correm, traz de volta os fugitivos, ensina todas as línguas, destrói dignidades espirituais e temporais, e causa terramotos. Ele é da Ordem das Virtudes.

III. VASSAGO, um poderoso príncipe, da natureza de Agares, que declara coisas passadas, presentes e futuras, e descobre o que foi perdido ou escondido. Ele é de natureza boa.

IV. GAMYGYN, um grande marquês, aparecendo na forma de um pequeno cavalo ou burro, mas depois em forma humana. Fala com voz rouca, ensina as ciências liberais, e dá notícias das almas que morreram em pecado.

V. MARBAS, um presidente, que aparece como um poderoso leão, e depois em forma humana. Responde verdadeiramente a todas as coisas ocultas ou secretas, causa e cura doenças, transmite habilidade em mecânica, e transforma os homens em várias formas.

VI. VALEFOR, um poderoso duque, aparecendo como um leão com muitas cabeças? Ele guia aqueles com quem é familiar para o roubo.

VII. AMON, um marquês forte e poderoso, que aparece como um lobo com cabeça de serpente, e vomitando chamas. Quando assim ordenado, assume uma forma humana, mas com dentes de cão. Discerne o passado e o futuro, procura o amor, e reconcilia amigos e inimigos.

VIII. BARBATOS, um grande conde e duque, que aparece quando o sol está em Sagitário com quatro nobres reis e três companhias de tropas; dá instrução em todas as ciências, revela tesouros escondidos por encantamento, conhece o passado e o futuro, reconcilia amigos e os que estão no poder, e é da Ordem das Virtudes.

IX. PAIMON, um grande rei, muito obediente a Lúcifer. Aparece como um homem coroado sentado num dromedário, precedido por toda a espécie de músicos. Fala com voz de rugido, ensina todas as artes, ciências e segredos, dá e confirma dignidades, faz os homens sujeitos à vontade do Mago, proporciona bons familiares. É observado para noroeste, e é da Ordem das Dominações.

X. BUER, um grande presidente, que aparece quando o sol está em Sagitário, e ensina filosofia, lógica, as virtudes das ervas, &c., cura todas as doenças e dá bons familiares.

XI. GUSION, um poderoso duque, que aparece como um cinocéfalo, e discerne o passado, presente e futuro, responde a todas as perguntas, reconcilia inimigos, e dá honra e dignidades.

XII. SYTRY, um grande príncipe, que aparece com cabeça de leopardo, mas assume uma forma humana ao comando do Mago. Ele procura o amor entre os dois sexos, e faz com que as mulheres se mostrem nuas.

XIII. BELETH, um rei terrível e poderoso, montado num cavalo pálido, precedido por toda a espécie de músicos. É muito furioso quando chamado pela primeira vez, e deve ser comandado para um triângulo ou círculo com a vara de aveleira do Mago apontada para sudeste. Deve ser recebido cortesmente e com homenagem, mas um anel de prata deve ser usado no dedo médio da mão esquerda, que deve ser mantido contra o rosto. Ele procura o amor entre o homem e a mulher, e é da Ordem dos Poderes.

XIV. LERAJIE, um poderoso marquês, vindo na semelhança de um arqueiro, vestido de verde, e carregando arco e aljava. Ocasiona batalhas e faz com que as feridas de flecha se putrefaçam.

XV. ELIGOR, um grande duque, aparecendo como um bom cavaleiro carregando uma lança, estandarte e cetro. Descobre coisas ocultas, causa guerra, organiza exércitos, inflama o amor e a luxúria.

XVI. ZEPAR, um grande duque, que aparece com vestes vermelhas e armado como um soldado. Inflama as mulheres com amor pelos homens, e pode transformá-las noutras formas até terem sido desfrutadas pelos seus amantes.

XVII. BOTIS, um grande presidente e conde, que aparece como uma horrível víbora, mas, quando comandado, assume uma forma humana, com grandes dentes e chifres. Ele tem uma espada afiada na mão, discerne o passado, presente e futuro, e reconcilia amigos e inimigos.

XVIII. BATHIN, um poderoso duque, que aparece como um homem forte, com cauda de serpente, montado num cavalo pálido. Conhece as virtudes das ervas e pedras preciosas, e transporta os homens de um país para outro.

XIX. BALEOS, um grande duque, que aparece como um bravo soldado, montado num crocodilo coroado. Promove o amor entre os sexos.

XX. PURSON, um grande rei, que aparece como um homem com cabeça de leão, carregando uma víbora na mão, e montado num urso, precedido por muitos trompetistas. Esconde e descobre tesouros, discerne o passado, presente e futuro, dá respostas verdadeiras sobre coisas humanas e divinas, e proporciona bons familiares.

XXI. MORAX, um grande conde e presidente, que aparece como um touro com cabeça humana, e dá habilidade em astronomia e nas ciências liberais, com bons familiares. Conhece as virtudes de todas as ervas e pedras preciosas.

XXII. IPOS, um poderoso conde e príncipe, aparecendo como um anjo com cabeça de leão, pés palmados de ganso e cauda de lebre. Conhece o passado e o futuro, e transmite inteligência e coragem.

XXIII. AINI, um forte duque, que aparece com o corpo de um homem bonito e três cabeças, a primeira como uma serpente, a segunda como um homem com duas estrelas na testa, e a terceira como um gato. Monta uma víbora e carrega um brandão de fogo ardente, com o qual espalha a destruição. Transmite muita astúcia, e dá respostas verdadeiras sobre assuntos particulares.

XXIV. NABERIUS, um valente marquês, que aparece na forma de um galo cantador e esvoaça à volta do círculo. Fala com voz rouca, dá habilidade em artes e ciências, especialmente retórica, e restaura dignidades e honras perdidas.

XXV. GLASYALABOLAS, um poderoso presidente, que vem na forma de um cão, mas alado como um grifo. Ensina todas as artes e ciências instantaneamente, incita ao derramamento de sangue, é o líder de todos os homicídios, discerne o passado e o futuro, e torna os homens invisíveis.

XXVI. BUNE, um forte duque, que aparece como um dragão de três cabeças, sendo estas respectivamente de cão, grifo e homem. Tem uma voz agradável; muda os lugares dos mortos, faz com que os demônios se aglomerem em volta dos sepulcros, dá riquezas, torna os homens sábios e eloqüentes, responde verdadeiramente às perguntas.

XXVII. RONOBE, um grande marquês e conde, aparece numa forma monstruosa; ensina retórica e as artes, dá uma boa compreensão, o conhecimento das línguas, e o favor de amigos e inimigos.

XXVIII. BERITH, um terrível duque, aparecendo na forma de um soldado de vestes vermelhas, com uma coroa de ouro, e montado num cavalo vermelho. O anel usado para Berith é necessário para a sua evocação. Dá respostas verdadeiras de coisas passadas, presentes e futuras, transforma todos os metais em ouro, dá e confirma dignidades. Fala com uma voz clara e persuasiva, mas é um grande mentiroso, e o seu conselho não deve ser confiado.

XXIX. ASTAROTE, um grande e poderoso duque, aparece como um belo anjo montado num dragão infernal, e carregando uma víbora na mão direita. Não deve ser permitido aproximar-se por causa do seu hálito fétido, e o mago deve defender o seu rosto com o anel mágico. Astarote responde verdadeiramente sobre o passado, presente e futuro, descobre todos os segredos, e dá grande habilidade nas ciências liberais. Ele também discorrerá de boa vontade sobre a queda dos espíritos.

XXX. FORNEUS, um grande marquês, aparece como um monstro marinho. Ensina todas as artes e ciências, dá uma boa reputação e o conhecimento das línguas, e faz com que os homens sejam amados pelos seus inimigos tanto quanto pelos seus amigos.

XXXI. FORAS, um grande presidente, que aparece na forma de um homem forte, e ensina as virtudes de todas as ervas e pedras preciosas, bem como a lógica e a ética; torna os homens invisíveis, transmite inteligência, sabedoria e eloqüência, descobre tesouros, e restaura coisas perdidas.

XXXII. ASMODAY, um rei forte e poderoso, aparece com três cabeças, a primeira como um touro, a segunda como um homem, e a terceira como um carneiro. Tem cauda de serpente, pés palmados de ganso, e vomita fogo. Monta um dragão infernal, carrega lança e estandarte, e é o chefe do poder de Amaymon. Deve ser invocado de cabeça descoberta, pois de contrário enganará. Dá o anel das virtudes, ensina aritmética, geomancia e todos os ofícios manuais, responde a todas as perguntas, torna os homens invisíveis, indica os lugares dos tesouros escondidos e guarda-os se estiverem dentro do alcance do exorcista.

XXXIII. GAAP, um grande presidente e príncipe, aparece quando o sol está nos signos do sul, vindo em forma humana, e precedido por quatro poderosos reis. Ensina filosofia e as ciências liberais, excita o amor e o ódio, torna os homens insensíveis, dá instrução na consagração daquelas coisas que pertencem à adivinhação de Amaymon, seu rei, livra os familiares da custódia de outros Magos, dá respostas verdadeiras sobre o passado, presente e futuro, transporta e faz regressar os homens rapidamente de um lugar para outro à vontade do exorcista.

XXXIV. FURFUR, um grande conde, aparece na forma de um veado com cauda de fogo, e não falará até ser compelido para dentro do triângulo. Assume então a forma de um anjo, falando com voz rouca. Causa amor entre o homem e a mulher, levanta trovões, relâmpagos e grandes ventos, dá respostas verdadeiras sobre coisas secretas e divinas.

XXXV. MARCHOSIAS, um poderoso marquês, aparece na forma de um lobo com asas de grifo e cauda de serpente; ao comando do operador, assume uma forma humana. É forte em batalha, dá respostas verdadeiras a todas as perguntas, e é extremamente fiel ao exorcista. Pertence à Ordem das Dominações.

XXXVI. SOLAS ou SROUSS, um poderoso príncipe, aparece na semelhança de um corvo e depois como um homem. Ensina a arte da astronomia e as virtudes das ervas e pedras.

XXXVII. FÉNIX, um grande marquês, aparece como a ave do mesmo nome, cantando doces notas com voz de criança. Quando assume a forma humana à vontade do Mago, fala maravilhosamente de todas as ciências, revela-se um excelente poeta, e cumpre as ordens admiravelmente. Espera regressar aos Sétimos Tronos em 1200 anos.

XXXVIII. HALPAS, um grande conde; aparece na forma de uma pomba torcaz, falando com voz rouca. Queima cidades, visita os ímpios com a espada, e pode enviar homens para campos de batalha ou para outros lugares.

XXXIX. MALPAS, um poderoso presidente, aparece no início como uma gralha, mas depois, quando assim ordenado, assume uma forma humana, falando com voz rouca. Traz artífices rapidamente de todas as partes do mundo, destrói os desejos e pensamentos dos inimigos, dá bons familiares, e recebe um sacrifício de bom grado, mas enganará quem o oferecer.

XL. RAUM, um grande conde, aparece na forma de um corvo, mas assume a forma humana quando ordenado. Rouba tesouros e transporta-os para onde for ordenado; destrói cidades e dignidades; discerne o passado, presente e futuro; causa amor entre amigos e inimigos. Finalmente, é da Ordem dos Tronos.

XLI. FOCATOR, um forte duque, aparece na forma de um homem com asas de grifo. Afoga homens, afunda navios de guerra, e tem poder sobre os ventos e o mar, mas não fará mal a ninguém se o exorcista o mandar parar. Espera regressar aos Sétimos Tronos em 1050 anos.

XLII. SABNACK, um poderoso marquês, aparece na forma de um soldado armado, com cabeça de leão, e montado num cavalo de cor pálida. Constrói torres, campos e cidades, fortifica-os, atormenta os homens com feridas e úlceras purulentas cheias de vermes; dá bons familiares.

XLIII. VEPAR, um grande duque, aparece como uma sereia. Guia as águas e os navios de guerra, e ocasiona tempestades no mar quando assim ordenado pelo Mago. Ele também faz o mar parecer cheio de navios, e ocasiona a morte em três dias por meio de úlceras putrefatas e feridas cheias de vermes.

XLIV. SEAT, um grande marquês, vem na forma de uma pomba torcaz, falando com voz rouca. Destroi a vista, a audição e o entendimento de qualquer homem ou mulher à vontade do exorcista, rouba dinheiro do tesouro do rei, e devolve-o em 1200 anos. Transportará qualquer coisa, mas deve primeiro ser comandado para o triângulo; caso contrário, enganará o operador. Descobre todas as coisas escondidas que não estão na guarda de espíritos malignos, e dá bons familiares.

XLV. VINE, um grande rei e conde, aparece numa forma monstruosa, mas assume a forma humana quando comandado. Discerne coisas ocultas, revela feiticeiras, e dá a conhecer o passado, presente e futuro. Ao comando do exorcista, constrói torres, demole muros e agita as águas.

XLVI. BIERONS, um grande conde, aparece numa forma monstruosa, mas assume a forma humana quando comandado. Ensina geomancia, aritmética, geometria e outras artes matemáticas; ensina as virtudes das ervas, pedras preciosas e madeiras; muda os corpos mortos, coloca-os noutros lugares, e acende velas de fantasma nos seus túmulos.

XLVII. VUAL, um grande duque, vem no início como um dromedário enorme, mas depois assume a forma humana e fala em egípcio. Procura o amor das mulheres, discerne o passado, presente e futuro, e excita a amizade mesmo entre inimigos. Era da Ordem dos Poderes.

XLVIII. HAGENTI, um grande presidente, aparece na forma de um touro gigante com asas de grifo, mas por fim assume a forma humana. Dá sabedoria, transmuta todos os metais em ouro, e transforma vinho em água.

XLIX. PROCEL aparece na forma de um anjo, e é um grande e forte duque. Fala misteriosamente de coisas ocultas, ensina geometria e as ciências liberais, e ao comando do operador fará uma grande comoção como a de águas correntes; ele também aquece as águas e tempera os banhos. Era da Ordem dos Poderes antes da sua queda.

L. FURCAS, um poderoso cavaleiro, aparece na forma de um velho cruel, com longa barba e cabelos grisalhos. Está sentado num cavalo pálido, e tem uma lança afiada na mão. Ensina filosofia, retórica, astronomia, lógica, quiromancia, e dá bons familiares.

LI. BALAM, um rei terrível e poderoso, aparece com três cabeças, a primeira como a de um touro, a segunda como a de um homem, e a terceira como a de um carneiro. Com cauda de serpente e olhos flamejantes, monta um urso furioso, carregando um açor no pulso, e falando com voz rouca. Dá respostas verdadeiras sobre o passado, presente e futuro, torna os homens invisíveis, e transmite inteligência.

LII. ALLOCEN, um forte duque, aparece na forma de um soldado, montado num grande cavalo, com o rosto como o de um leão, extremamente vermelho, os olhos flamejantes de fogo, a fala rouca e alta. Ensina astronomia e as ciências liberais, e dá um bom familiar.

LIII. CAIM, um grande presidente, aparece na forma de um tordo, mas depois na de um homem que carrega uma espada afiada, e parece responder em cinzas ardentes. É um debatedor arguto; transmite aos homens o entendimento do canto dos pássaros, do mugido do gado, do ladrar dos cães e da voz das águas. Dá respostas verdadeiras sobre coisas futuras, e foi outrora da Ordem dos Anjos.

LIV. MURMUR, um grande duque e conde, aparece na forma de um soldado montado num grifo, e trombetas. Ensina filosofia perfeitamente, e constrange as almas dos mortos a aparecer e a responder a perguntas. Era em parte da Ordem dos Tronos e em parte dos Anjos.

LV. OROBAS, um grande príncipe, aparece primeiro como um cavalo, mas quando comandado, em forma humana. Descobre o passado, presente e futuro; dá boas dignidades e avanços, com o favor de amigos e inimigos; responderá sobre a criação do mundo e a Divindade; é muito fiel ao exorcista, e defende-o da tentação por qualquer espírito.

LVI. GOMORY, um poderoso duque, aparece como uma bela mulher, com uma coroa ducal. Descobre o passado, presente e futuro, como também o paradeiro de tesouros escondidos; procura o amor das mulheres, e especialmente das raparigas.

LVII. OSE, um grande presidente, aparece primeiro como um leopardo, e depois em forma humana. Dá habilidade em todas as ciências liberais, e respostas verdadeiras sobre coisas divinas e secretas. Pode transformar os homens em qualquer forma que o exorcista deseje, e aquele que é transformado não o saberá.

LVIII. AMY, um grande presidente, vem primeiro como um grande fogo flamejante e depois como um homem. Dá perfeito conhecimento de astrologia e das ciências liberais, com bons familiares, e pode trair tesouros que são guardados por espíritos.

LIX. ORIAS, um grande marquês, aparece na forma de um leão montado num cavalo forte; tem cauda de serpente, e segura duas enormes serpentes sibilantes na mão direita. Ensina as virtudes dos planetas e as suas mansões; transforma os homens, dá dignidades, prelazias e confirmações, com o favor de amigos e inimigos.

LX. VAPULA, um forte duque, vem na forma de um leão com asas de grifo. Dá habilidade não só nas profissões manuais, mas também na filosofia e nas ciências.

LXI. ZAGAN, um grande rei e presidente, aparece no início na forma de um touro com asas de grifo, e depois em forma humana. Torna os homens engenhosos, transforma água em vinho, sangue em óleo, e óleo em água; pode transformar qualquer metal em moeda do reino e pode fazer os tolos sábios.

LXII. VALAC, um grande presidente, vem como um rapazinho com asas de anjo e montado num dragão de duas cabeças. Dá respostas verdadeiras sobre tesouros escondidos, diz onde as serpentes podem ser vistas, e entregá-las-á indefesas ao exorcista.

LXIII. ANDRAS, um grande marquês, vem na forma de um anjo, com a cabeça de um corvo preto-noturno, montado num forte lobo preto, e tendo uma espada afiada e brilhante a brilhar nas suas mãos. Semeia a discórdia, e matará os descuidados.

LXIV. FLAUROS, um grande duque, aparece no início como um terrível leopardo, mas ao comando do exorcista toma a forma de um homem, com olhos de fogo e semblante terrível. Dá respostas verdadeiras de coisas passadas, presentes e futuras, mas a menos que seja comandado para o triângulo, enganará o exorcista. Conversa de bom grado sobre a divindade e a criação do mundo, como também sobre a queda dos espíritos, incluindo a sua própria. Se desejado, ele destruirá e queimará, mas não permitirá que seja tentado por espíritos ou de outra forma.

LXV. ANDREALPHUS, um poderoso marquês, aparece no início na forma de um pavão, com um grande ruído, mas depois toma a forma humana. Ensina geometria perfeitamente, e tudo o que pertence a medições, incluindo astronomia. Pode transformar os homens na semelhança de um pássaro.

LXVI. CIMERIES, um poderoso marquês, aparece como um valente soldado num cavalo preto. Governa os espíritos nas partes da África; ensina gramática, lógica e retórica, descobre tesouros escondidos e coisas perdidas e ocultas; pode fazer um homem parecer um soldado da sua própria espécie.

LXVII. AMDUSCIAS, um grande duque, vem primeiro como um unicórnio, mas levantará à vontade em forma humana, causando o som de todo o tipo de instrumentos musicais, mas não vistos. Faz as árvores caírem à vontade do operador, e dá excelentes familiares.

LXVIII. BELIAL, um poderoso rei, criado depois de Lúcifer, aparece na forma de um belo anjo sentado num carro de fogo, e falando com uma voz agradável. Caiu primeiro entre os anjos superiores que foram antes de Miguel e outros anjos celestiais. Distribui preferências de senadores, causa favores de amigos e inimigos, e dá excelentes familiares. Ele deve ter ofertas e sacrifícios feitos a ele.

LXIX. DECARABIA, um marquês, vem na forma de uma estrela num pentáculo, mas toma a imagem do homem ao comando. Descobre as virtudes das ervas e pedras preciosas, faz os pássaros parecerem voar diante do exorcista, e permanece com ele como familiares, cantando e comendo como outros pássaros.

LXX. SEERE, um poderoso príncipe sob Amaymon, Rei do Oriente, aparecendo na forma de um belo homem num cavalo alado forte. Realiza todas as coisas de repente, transporta para qualquer lugar num abrir e fechar de olhos, e descobre todos os roubos. É indiferentemente bom ou mau, e fará a vontade do operador.

LXXI. DANTALIAN, um poderoso duque, aparece na forma de um homem com muitas faces de homens e mulheres, e tem um livro na mão direita. Ensina todas as artes e ciências, declara todos os conselhos secretos, pois conhece todos os pensamentos humanos, e inflama o amor, e mostra a semelhança de qualquer pessoa numa visão, onde quer que estejam.

LXXII. ANDROMALIUS, um grande duque e conde, aparece na forma de um homem segurando uma serpente na mão. Devolve bens roubados e o ladrão, descobre toda a maldade e manobras secretas, como também tesouros escondidos.

Tais são os primeiros mistérios da Goetia segundo a tradição do “Lemegeton”; tal é a obra que foi descrita no interesse da Magia Branca como “distinta da ‘Chave de Salomão’, mas altamente importante e valiosa no seu próprio departamento.” Vistas à luz destes setenta e dois métodos para realizar todas as abominações, parece que os três “reinos analógicos da filosofia oculta” são os três reinos que conhecemos por outros nomes desde a infância, “o mundo, a carne e o diabo.” Será desnecessário após a sua enumeração argumentar mais sobre a distinção entre Magia Branca e Negra, tal como aparece num dos mais antigos e melhores Rituais. Já não há necessidade de perguntar se o operador é salvo pela sua intenção, pois conhecemos a natureza das intenções que governam o procedimento num dos mais respeitáveis memoriais da Magia Branca que existem. A evocação de Lúcifer e Astarote, seja qual for o pretexto, deve ser o primeiro passo para o Satanismo; mas aqui temos Satanismo sem mistura, mais todos os mistérios da Vénus impura. Para dispensar, portanto, a definição que já não nos confunde, estabeleçamos que a distinção entre Magia Branca e Negra é a distinção entre o “Lemegeton” e o “Grimório de Honório”, – ou seja, entre cifra e zero.

§ 2. SOBRE O RITO DE CONJURAÇÃO DO “LEMEGETON”.

Ao comunicar-se com os setenta e dois espíritos, a idade da Lua deve ser observada, pois é afirmado com base na autoridade de Salomão que todos os dias são proveitosos, exceto o segundo, quarto, sexto, nono, décimo, décimo segundo ou décimo quarto desse luminar. Os selos devem ser feitos de metais; os dos reis principais devem ser de ouro; os dos marqueses, de prata; os dos duques, de cobre; os dos prelados, de estanho ou prata; os dos cavaleiros, de chumbo; os dos presidentes, de mercúrio fixo; e os dos condes, de prata e cobre em partes iguais. Toda a coorte é governada por AMAYMON, Rei do Oriente; CORSON, Rei do Ocidente; ZIMINAR, Rei do Norte; e GAAP, Rei do Sul. Estes podem ser amarrados das 9 da manhã ao meio-dia, mas, exceto em ocasiões de grande importância, não devem ser invocados eles próprios, pois agem comumente pelos seus inferiores. Os marqueses podem ser amarrados das 3 às 9 da tarde e do pôr do sol ao nascer do sol; os duques, do nascer do sol ao meio-dia em tempo claro; os prelados, em qualquer hora do dia; os cavaleiros, apenas do amanhecer ao nascer do sol, ou das 4 da tarde ao pôr do sol; os presidentes, em qualquer hora do dia até ao crepúsculo da tarde; os condes e condes, em qualquer hora do dia, mas deve ser nos bosques e florestas, ou num lugar livre de ruído, e longe do recurso dos homens. O círculo cerimonial deve ser desenhado para o lado ao qual o espírito que se vai chamar é atribuído. O triângulo em que Salomão convocou os demônios rebeldes deve ser feito dois pés fora deste círculo e três pés acima dele. O selo duplo e o pentagrama de Salomão devem ser desenhados num pergaminho de pele de bezerro, ou de outro modo em ouro ou prata, e usados sobre a veste branca do operador, juntamente com o selo do espírito, que deve ser exibido na sua aparição para compelir a obediência e a assunção da forma humana. Além destes caracteres, o selo secreto de Salomão deve ser desenhado com o sangue de um galo preto que nunca tenha gerado, em pergaminho virgem, estando o operador limpo dentro e fora, tendo-se abstido de relações sexuais durante um mês, e tendo obtido o perdão dos seus pecados por meio do jejum e da oração. Deve ser composto numa terça ou sábado à meia-noite, com a Lua crescente em Virgem, e com a queima de perfumes de aloés, resina, cedro e alume.

As outras instruções correspondem amplamente às prescritas no segundo capítulo. Há a vara ou cetro; a espada; a mitra ou barrete; uma túnica longa de linho branco; um cinto de pele de leão, com três polegadas de largura e inscrito com os nomes que aparecem no círculo exterior da prática; material para as fumigações; óleo para ungir as têmporas e os olhos; e água limpa para a ablução. A Oração na Lustração é simplesmente o versículo de David: – Purificar-me-ás com hissopo, ó Senhor, e serei limpo; lavar-me-ás, e ficarei mais branco que a neve.

ORAÇÃO AO VESTIR-SE.

Pela figurativa mistério desta santa veste, revestir-me-ei com a armadura da salvação na força do Altíssimo, ANCOR, AMICAR, AMIDES, THEODONIAS, ANITOR, para que o fim que desejo seja efetuado, ó ADONAI, através da Tua força, a quem seja louvor e glória para todo o sempre.

Devem ser oferecidas orações também em harmonia com a intenção do operador antes de pronunciar as fórmulas de evocação, como se segue:—

PRIMEIRA CONJURAÇÃO.

Invoco e conjuro-te, ó Espírito N., e, fortificado com o poder da Suprema Majestade, ordeno-te fortemente por BARALAMENSIS, BALDACHINSIS, PAUMACHIE, APOLORESEDES, e os potentíssimos príncipes GENIO, LIACHIDE, Ministros do Assento Tartareu, príncipes chefes do assento de APOLOGIA na nona região; exorcizo e ordeno-te, ó Espírito N., por Aquele que falou e tudo foi feito, pelos Santíssimos e gloriosos Nomes ADONAI, EU, ELOHIM, ELOHE, ZEBAOTH, ELION, ESCHERCE, JAH, TETRAGRAMMATON, SADAT, que apareças imediatamente e te mostres a mim, aqui diante deste círculo, numa forma bela e humana, sem qualquer deformidade ou horror; vem imediatamente, de qualquer parte do mundo que estejas, e dá respostas racionais às minhas perguntas; vem agora, vem visivelmente, vem afavelmente, e manifesta o que desejo, sendo conjurado pelo Nome do Deus Eterno, Vivo e Verdadeiro, HELIOREM; conjuro-te também pelo verdadeiro Nome particular do teu Deus a quem deves obediência, pelo nome do Rei que te governa, vem sem demora; vem, cumpre o meu desejo; persevera até ao fim, de acordo com as minhas intenções. Conjuro-te por Aquele a quem todas as criaturas obedecem, por este inefável Nome, TETRAGRAMMATON JEHOTAE, pelo qual os elementos são derrubados, o ar é agitado, o mar recua, o fogo é gerado, a terra se move, e toda a hoste das coisas celestiais, das coisas terrestres, das coisas infernais, tremem e são confundidas juntamente; fala-me visível e afavelmente numa voz clara e inteligível, livre de ambiguidade. Vem, portanto, em nome ADONAT ZEBAOTH, vem, por que te demoras? ADONAI SADAY, Rei, ordena-te!

Se ele ainda não aparecer, diga o seguinte:—

SEGUNDA CONJURAÇÃO.

Invoco, conjuro e ordeno-te, ó Espírito N., que apareças e te mostres visivelmente diante deste círculo, em forma bela e elegante, sem deformidade ou engano, pelo Nome de ON; pelo Nome I e V, que Adão ouviu e falou; pelo Nome de JOTA, que Jacob aprendeu com o Anjo na noite da sua luta, e foi libertado das mãos do seu irmão Esaú; pelo Nome de Deus AGLA, que Ló ouviu e foi salvo com a sua família; pelo Nome ANEHEXETON, que Aarão falou e foi feito sábio; pelo Nome SCHEMES AMATHIA, que Josué invocou e o Sol parou no seu curso; pelo Nome EMANUEL, que os três jovens, Sadraque, Mesaque e Abednego, cantaram no meio da fornalha ardente, e foram libertados; pelo Nome ALFA e ÓMEGA, que Daniel pronunciou, e destruiu Bel e o Dragão; pelo Nome ZEBAOTH, que Moisés nomeou, e todos os rios e águas da terra do Egito produziram rãs, que subiram para a casa dos egípcios, destruindo todas as coisas; pelo Nome ESCHERCHIE ARISTON, que Moisés também nomeou, e os rios e águas da terra do Egito se tornaram sangue; pelo Nome ELION, que Moisés invocou, e caiu uma grande saraivada, tal como nunca foi vista desde a criação do mundo; pelo Nome ADONAI, que Moisés nomeou, e vieram gafanhotos sobre toda a terra do Egito, e devoraram o que a saraivada tinha deixado; pelo Nome AGIOS, pelo Selo de ADONAI, por aqueles outros, que são JETROS, ATHENOROS, PARACLETES, pelos três Santos e Secretos Nomes, AQUA, ON, TETRAGRAMMATON; pelo terrível Dia do Juízo; pelo mar cambiante de Vidro que está diante da face da Divina Majestade, poderoso e forte; pelas quatro bestas diante do Trono, tendo olhos diante e atrás, pelo fogo que está à volta do Trono, pelos Santos Anjos do Céu, pela Poderosa Sabedoria de Deus; pelo Selo de BASDATHED, por este Nome PRIMEMATUM, que Moisés nomeou, e a terra se abriu e engoliu Coré, Datã e Abirão; dá respostas fiéis a todas as minhas exigências, e cumpre todos os meus desejos, na medida em que o teu ofício o permitir. Vem, portanto, pacífica e afavelmente; vem visivelmente e sem demora; manifesta o que desejo; fala com uma voz clara e inteligível, para que eu te entenda.

Se ele não vier à repetição destas Conjurações, como sem dúvida virá, proceda como se segue, sendo uma Coação:—

TERCEIRA CONJURAÇÃO.

Conjuro-te, ó Espírito N., por todos os mais gloriosos e eficazes Nomes do Grande e Incomparável Senhor o Deus dos Exércitos, vem rapidamente e sem demora, de qualquer parte do mundo em que estiveres; dá respostas racionais às minhas exigências; vem visivelmente, fala afavelmente, fala inteligivelmente ao meu entendimento. Conjuro-te e constranjo-te, ó Espírito N., por todos os nomes já mencionados, como também por aqueles outros sete nomes com que Salomão te amarrou a ti e aos teus companheiros no vaso de bronze, a saber, ADONAI, PRERAI, TETRAGRAMMATON, ANEXHEXETON, INESSENSATIONAL, PATHUMATON, e ITEMON; manifesta-te diante deste círculo, cumpre a minha vontade em todas as coisas que te pareçam bem. Sê desobediente, recusa vir, e pelo poder do Ser Supremo, o Senhor eterno, aquele Deus que te criou a ti e a mim, o mundo inteiro, com tudo o que nele se contém, no espaço de seis dias, por EVE, por SATAT, pela virtude do Nome PRIMEMATUM, que comanda toda a hoste do Céu, eis que te amaldiçoarei e te privarei do teu ofício, da tua alegria e do teu lugar; amarrar-te-ei nas profundezas do abismo sem fundo, aí permanecer até ao Dia do Juízo Final. Acorrentar-te-ei no Lago de Fogo Eterno, no Lago de Fogo e Enxofre, a menos que venhas rapidamente, aparecendo diante deste círculo, para fazer a minha vontade. Vem, portanto, no Santo Nome ADONAI, ZEBAOTH, AMIORAM, vem, ADONAI ordena-te.

Se ainda não aparecer, podes ter a certeza de que foi enviado pelo seu Rei para outro lugar. Invoca, portanto, o Rei para despachar o seu servo como se segue:—

INVOCAÇÃO DO REI.

Ó tu, grande e poderoso Rei AMAYMON, que governas pelo poder do Deus Supremo, EU, sobre todos os Espíritos, superiores e inferiores, mas especialmente sobre a Ordem Infernal no Domínio do Oriente, invoco-te e ordeno-te pelo verdadeiro e particular Nome de Deus, e pelo Deus que adoras, pelo Selo da tua criação, pelo poderosíssimo e poderoso Nome de Deus, JEHOTAH, TETRAGRAMMATON, que te lançou do Céu com o resto dos Espíritos Infernais, por todos os outros nomes potentes e grandes de Deus, Criador do Céu, Terra e Inferno, de tudo o que neles se contém, pelos seus poderes e virtudes, e pelo Nome PRIMEMATUM, que comanda toda a hoste do Céu. Força e obriga o Espírito N. a vir aqui diante deste círculo, numa forma bela e elegante, sem prejuízo para mim ou para qualquer criatura, para que me dê resposta verdadeira e fiel, para que eu possa cumprir o meu fim desejado, seja ele qual for, desde que seja próprio do seu ofício, pelo poder de Deus, EU, que criou e dispõe de todas as coisas, celestiais, aéreas, terrestres e infernais.

Tendo invocado o Rei duas ou três vezes desta maneira, conjura novamente o espírito, usando as formas anteriores, e repetindo-as várias vezes, e então ele virá certamente. No entanto, se ele falhar, esteja convencido de que está preso com cadeias no inferno, e não está na custódia do seu Rei. Para o libertar, é necessário recitar

A MALDIÇÃO DA CORRENTE.

Ó tu, ímpio e desobediente N., porque não obedeceste nem consideraste as palavras que recitei, os gloriosos e incompreensíveis Nomes do verdadeiro Deus, Criador de todas as coisas no mundo, agora eu, pelo poder destes Nomes, que nenhuma criatura pode resistir, amaldiçoo-te nas profundezas do Abismo sem Fundo, para permaneceres até ao Dia do Juízo no Fogo de fogo inextinguível e enxofre, a menos que apareças imediatamente neste triângulo, diante deste círculo, para fazer a minha vontade. Vem, portanto, rápida e pacificamente pelos Nomes ADONAI, ZEBAOTH, ADONAI AMIORAM. Vem, vem, Adonai, Rei dos Reis, ordena-te.

Tendo lido até aqui, se ele não vier, escreve o seu selo em pergaminho; coloca-o numa caixa preta, com enxofre, assa-fétida e outros perfumes fétidos; amarra a dita caixa com arame de ferro, pendura-a na ponta da tua espada, segura-a sobre o fogo de carvão, que deve ter sido colocado para o lado de onde o espírito virá, e diz primeiro ao Fogo: – Conjuro-te, ó Fogo, por Aquele que te fez, e a todas as outras criaturas no mundo, para atormentar, queimar e consumir este Espírito N. eternamente.

AO ESPÍRITO.

Porque és desobediente, e não obedeces aos meus mandamentos nem aos preceitos do Senhor teu Deus, agora eu, que sou servo do Altíssimo e Imperial Senhor Deus dos Exércitos, JEOVÁ, tendo o Seu poder celestial e permissão, por esta tua aversão e desprezo, a tua grande desobediência e rebelião, excomungar-te-ei, destruirei o teu nome e selo, que tenho nesta caixa, queimá-los-ei com fogo inextinguível, e enterrá-los-ei no esquecimento eterno, a menos que venhas imediatamente, visível e afavelmente, aqui diante deste círculo, dentro deste triângulo, assumindo uma forma bela e elegante, sem fazer mal a mim próprio ou a qualquer criatura, mas dando resposta razoável aos meus pedidos e cumprindo o meu desejo em todas as coisas.

Se ele não aparecer neste ponto, diga o seguinte: – Ainda és pernicioso e desobediente, não querendo aparecer e informar-me sobre aquilo que desejo saber; agora, pois, em Nome e pelo poder e dignidade do Deus Omnipotente e Imortal Senhor dos Exércitos, JEHOTAH TETRAGRAMMATON, único Criador do Céu, Terra e Inferno, com tudo o que neles se contém, o maravilhoso Dispositor de todas as coisas visíveis e invisíveis, por esta te amaldiçoo e privo de todo o teu ofício, poder e lugar; amarro-te na profundeza do Abismo sem Fundo, aí permanecer até ao Dia do Juízo, no lago de fogo e enxofre, preparado para os Espíritos rebeldes. Que toda a Companhia do Céu te amaldiçoe; que o Sol, a Lua, as Estrelas, a Luz das Hostes do Céu, te amaldiçoem para o fogo inextinguível, para tormentos indizíveis; e assim como o teu nome e selo estão amarrados nesta caixa para serem sufocados com substâncias sulfurosas e fétidas, e para queimarem neste fogo material, assim, em Nome de Jeová, e pelo poder e dignidade dos três Nomes, TETRAGRAMMATON, ANEXHEXETON, PRIMEMATUM, que todos estes te impulsionem, ó tu, Espírito desobediente N., para o Lago de Fogo, preparado para os espíritos condenados e amaldiçoados, aí permaneceres até ao Dia do Juízo, não mais lembrado diante da face daquele Deus que virá para julgar os vivos e os mortos, com o mundo inteiro, pelo fogo.

Coloque a caixa na chama, e então ele aparecerá; quando vier, apague o fogo, faça perfumes doces, dê-lhe boa recepção, mostrando-lhe o pentáculo na bainha da sua veste coberta com um pano de linho, e dizendo: – Eis a tua confusão, se fores desobediente. Eis o Pentáculo de Salomão que trouxe à tua presença. Eis a pessoa do Exorcista, que se chama OCTINIMOES, no meio do Exorcismo, armado por Deus e sem medo, invocando e chamando potentemente. Dá, portanto, respostas razoáveis às minhas exigências, sê-me obediente, teu Mestre, em Nome do Senhor Barnal, que se precipita sobre ABRAO, ABEOR, vindo sobre BERO.

Ele se tornará obediente e te pedirá que perguntes o que quiseres, pois está sujeito a Deus para o teu propósito. Quando ele se mostrar humilde e manso, diz: – Bem-vindo, Espírito (ou, Nobilíssimo Rei), bem-vindo sejas a mim; chamei-te através d’Aquele que criou o Céu, a Terra e o Inferno, com tudo o que neles se contém, e tu obedeceste também pelo mesmo poder. Amarro-te a permaneceres afável e visivelmente diante deste círculo, dentro deste triângulo, enquanto precisar de ti, e a não partires sem a minha licença, até que tenhas cumprido verdadeira e fielmente tudo o que exigirei.

LICENÇA PARA PARTIR.

Ó Espírito N., porque respondeste diligentemente às minhas exigências, dou-te licença para partires, sem prejuízo para o homem, a besta, ou qualquer coisa, e que a paz de Deus continue para sempre entre mim e ti. Amém.

Não saia do círculo até que ele se tenha ido, mas faça orações a Deus pela grande bênção que Ele lhe concedeu, concedendo assim os seus desejos, e livrando-o da malícia do inimigo.

Para estas conjurações verbosas e tediosas, a versão latina de Wierus substitui uma forma geral de citação, em Nome da Trindade Cristã, o que não é realmente um anacronismo, pois o compilador do “Lemegeton” estava familiarizado pelo menos com os livros do Novo Testamento. Isto é provado pelas referências na Terceira Conjuração às Criaturas Vivas do Apocalipse, e deixa a atribuição a Salomão precisamente naquele estado que o nosso respeito por um príncipe de Israel desejaria naturalmente.

CAPÍTULO V.

SOBRE O MISTÉRIO DO SANCTUM REGNUM, OU O GOVERNO DOS ESPÍRITOS MALIGNOS; SENDO O RITO DE CONJURAÇÃO SEGUNDO O GRIMORIUM VERUM

As preparações do operador prescritas pela data, podem ser aqui resumidas como se segue: – 1. Um jejum austero de três dias; 2. Retiro ou isolamento da sociedade humana; 3. Abstinência de relações sexuais; 4. A recitação de certas orações e a realização de certas abluções; 5. A composição dos instrumentos exigidos. Deve também dedicar-se às invocações, para que a memória não lhe falhe no momento da operação, e para assegurar o domínio da prática. Deve também recitar a seguinte oração diariamente – à Prima uma vez, à Terça duas vezes, à Sexta três vezes, à Nona quatro vezes, à Véspera cinco vezes, e seis vezes antes de se deitar. Explica-se que estas horas são planetárias e desiguais. A Prima é contada ao nascer do sol, a Terça três horas depois, a Sexta ao meio-dia, a Nona às três da tarde, e as Vésperas ao pôr do sol.

ORAÇÃO.

ASTRACHIOS, ABACH, ASAROA, ABEDUMABAL, SILAI, ANABOTAS, JESUBILIN, SCIGIN, GENEON, DOMOL, Senhor Deus, que habitas acima dos céus, cujo olhar perscruta o abismo; concede-me, rogo-Te, o poder de conceber na minha mente e de executar o que desejo fazer, cujo fim alcançarei com a Tua Ajuda, ó Deus Todo-Poderoso, que vives e reinas para todo o sempre. Amém.

Feitas estas coisas, diz o Grimório, resta apenas seguir as invocações e compor os caracteres, para o que o operador procederá como se segue: – No dia e na hora de Marte, com a Lua crescente, e na primeira hora do dia, que começa quinze minutos antes do nascer do Sol, deve ser preparado um pedaço de pergaminho virgem, contendo todos os caracteres e invocações dos espíritos que se deseja invocar. No dia e na hora acima referidos, amarre o operador o dedo mínimo da mão (esquerda), que é o dedo de Mercúrio, com um fio tecido por uma donzela virgem; perfure esse dedo com o lanceta da Arte, de modo a tirar sangue, e forme com ele o caráter de Scirlin, de quem todos os outros espíritos dependem, pois ele é o seu mensageiro, e pode compelir os outros a aparecer apesar de si mesmos, porque tem o poder do Imperador. A sua invocação, que deve ser escrita, é a seguinte:—

INVOCAÇÃO DE SCIRLIN.

HELON, TAUL, VARF, PAN, HEON, HOMONO REUM, CLEMIALE, SERUGEATH, AQLA, TETRAGRAMATON, CASOLT.

Com a confusão tão comum nos Grimórios, o caráter de Scirlin não é dado, de onde o operador que seguisse as instruções deste Ritual teria de recorrer a um dos espíritos superiores. As instruções, no entanto, não são descritas ad clerum, e dificilmente é possível extrair delas um método de procedimento inteligível. O nome e sobrenome do operador devem aparentemente ser escritos abaixo do caráter do espírito, seguindo uma maneira prescrita, que também é omitida; a conjuração do espírito deve ser acrescentada, e incenso queimado em sua honra.

CONJURAÇÃO A LÚCIFER

LUCIFER, OUYAR, CHAMERON, ALISEON, MANDOUSIN, PREMX, ORIET, NAYDRUST, ESMONY, EPARINESONT, ESTIOT, DUMOSSON, DANOCHAR, CABMIEL, HATRAS, FABELLERONTHON, SODIRNO, PEATHAM, Vem, LUCIFER. AMÉM.

CONJURAÇÃO PARA BELZEBU.

BELZEBUTH, LUCIFER, MADILON, SOLYMO, SACANOROM, MARTIRO, TIMO, CAMERON, PHOBST, METOSITE, PRUMOSY, DUMASO, ELIVISA, ALPEROIS BOX, THEU, AMECLO, SEGRABI, PRAREDUN, ADRI, FUBENTRONTY, Vem, BELZEBUTH. AMÉM.

CONJURAÇÃO PARA ASTAROTE.

ASTAROTE, ADOR, CAMESO, VALUERITUF, NARESO, LODIR, CADOMIR, ALUEL, CALNISO, TELY, PLEORIM, VIORDY, CUREVIORBAS, CAMERON, VESTURIEL, VULNAVI, BENEZ, METS CALMIRON, NOARD, NISA CHENIBRANBO CALEVODIUM, BRAZO, TABRASOL, Vem, ASTAROTE. AMÉM.

Tendo repetido sete vezes a conjuração dirigida a um destes espíritos superiores, o mesmo se manifestará imediatamente para realizar tudo o que se desejar. NOTA. – Tal conjuração deve ter sido escrita em papel ou pergaminho virgem antes de invocar os espíritos. Estes, tendo sido satisfeitos, podem ser despedidos usando a seguinte

DESPEDIDA.

Ide em paz para os vossos lugares; que a paz esteja convosco, e estai prontos para vir quando vos chamar, Em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

CONJURAÇÃO PARA ESPÍRITOS INFERIORES.

Ó SURMY, DELMUSAN, ATAISLOYM, CHABUSIROA, MELANY, LIAMINTHO, COLEHON, PATON, MADION, MERLOX, BULERATOR, DONMEO, HONE, PELOYN, IBASIL, MEON, ALYMDRICTELS, PERSON, CRISOLSAY, LEMON SERLE NIDAR HORTEL PEUNT, HALMON, ASOPHIEL, ILNOSTREON, BANIEL, VERMIAS, ESLEVOR, NOELMA, DORSAMOT, LEAVALA, OMOT, FRANGAM, BELDOR, DRAGIN, Vem.

O nome do espírito exigido deve aqui ser acrescentado no pergaminho, quando ele aparecerá devidamente, e concederá o que se deseja dele, após o que pode ser despedido pela Despedida anterior. Os caracteres devem ser queimados em cada caso, pois só servem uma vez.

OUTRA CONJURAÇÃO.

Conjuro-te, N., pelo grande Deus vivo, o Soberano Criador de todas as coisas, para apareceres sob uma forma humana bela, sem ruído e sem terror, para responderes verdadeiramente a todas as perguntas que te fizer. Para isso, conjuro-te pela virtude destes Santos e Sagrados Nomes.

CAPÍTULO VI

OS MISTÉRIOS DA INVOCAÇÃO INFERNAL SEGUNDO O GRANDE GRIMÓRIO

§ 1. O RITO DE LUCIFUGE.

O “Grande Grimório” divide com o “Grimório de Honório” a escura honra de um Ritual de Magia Negra inteligível e não mutilado. Cada um à sua maneira é de facto uma obra extremamente curiosa. No primeiro está contido o que é provavelmente o único método impresso de fazer pactos; o segundo é notável, em primeiro lugar, pela sua pretensa origem e pela elaboração do seu processo, que dificilmente pode ter deixado de impor a inúmeros feiticeiros crédulos. Ambos merecem ser impressos quase na íntegra, e, deixando de lado as suas partes preliminares, já adequadamente tratadas, são dados praticamente verbatim nos capítulos que se seguem.

Lembrar-se-á que o operador, ou Karcist, como é aqui chamado, é recomendado à continência, durante um quarto da lua, coincidindo tal quarto com o do luminar. Na manhã seguinte à primeira noite do quarto, deve dirigir-se a um farmacêutico e comprar uma pedra de sangue, chamada Ematille, que deve ser levada continuamente consigo para evitar acidentes, e na expectativa de que o espírito que se propõe compelir e amarrar doravante fará todo o possível para sobrecarregar o operador de terror, de modo a incitá-lo a abandonar a empresa, esperando assim escapar às ciladas que começam a ser tecidas à sua volta.

A próxima operação é a compra de um cabrito virgem, que deve ser decapitado no terceiro dia da lua. Previamente ao sacrifício, uma grinalda de verbena deve ser enrolada à volta do pescoço do animal, imediatamente abaixo da cabeça, e presa por meio de uma fita verde. O sacrifício deve ser oferecido no cenário da próxima evocação, um local isolado e solitário, livre de toda a interrupção. Ali, com o braço direito nu até ao ombro, tendo-se armado com uma lâmina de aço fino, e tendo acendido um fogo de madeira branca, o Karcist recitará as seguintes palavras de maneira esperançosa e animada:—

OFERENDA INICIAL.

Imolo esta vítima a Ti, ó grande ADONAT, ETORIM, ARIEL, e JEOVAM, para honra, glória e poder do Teu Nome, que é superior a todos os Espíritos. Ó grande ADONAY! digna-te recebê-la como uma oferta aceitável. Amém.

Aqui deve cortar a garganta do cabrito, esfolá-lo, colocar o corpo no fogo, e reduzi-lo a cinzas, que devem ser recolhidas e lançadas para o nascer do sol, repetindo ao mesmo tempo as seguintes palavras: – É para honra, glória e domínio do teu nome, ó grande ADONAY, ELOIM, ARIEL, JEOVAM, que derramo o sangue desta vítima! Digna-te, ó grande ADONAY, receber as suas cinzas como um sacrifício aceitável.

Enquanto a vítima é consumida pelas chamas, o operador deve alegrar-se na honra e glória do grande ADONAY, ELOIS, APIEL, e JEOVAM, tendo o cuidado de preservar a pele do cabrito virgem para formar o círculo cabalístico redondo ou grande em que ele próprio deve estar no dia da grande empresa.

O sacrifício da vítima é seguido pela seleção e composição da Vara Devastadora, da qual foi dada uma descrição. Pelo propósito a que se destina, e pelo silêncio do Grimório, pode-se inferir que a preparação da pele de cabrito é extremamente simples e não envolve a remoção do pelo.

Quando a noite da ação chegar, o operador deve recolher a sua vara, a pele de cabrito, a pedra chamada Ematille, e deve ainda prover-se de duas coroas de verbena, dois castiçais e duas velas de cera virgem, feitas por uma donzela virgem e devidamente abençoadas. Deve levar também um novo aço e duas novas pederneiras, com isca suficiente para acender um fogo, igualmente meia garrafa de aguardente, algum incenso bento e cânfora, e quatro pregos do caixão de uma criança morta. Tudo isto deve ser levado para o local escolhido para a grande obra, onde tudo o que aqui se segue deve ser escrupulosamente realizado, e o temível círculo cabalístico deve ser descrito de maneira exata. Por último, deve ter-se bem presente que deve haver um ou três a participar na cerimónia, incluindo o Karcist, que é a pessoa encarregada de se dirigir ao espírito, segurando a Vara Devastadora na mão. O processo evocatório pode ser dado nas próprias palavras do Grimório.

SOBRE UMA VERDADEIRA REPRESENTAÇÃO DO GRANDE CÍRCULO CABALÍSTICO.

Deve começar por formar um círculo com tiras de pele de cabrito presas ao chão por meio dos quatro pregos. Depois, com a pedra chamada Ematille, deve traçar o triângulo dentro do círculo, começando pelo ponto leste. Um grande A, um pequeno E, um pequeno 4, e um pequeno J, devem ser desenhados da mesma maneira, como também o santo nome de Jesus entre duas cruzes. Desta forma, os espíritos não terão poder para o prejudicar por trás. O Karcist e os seus assistentes podem então, sem medo, dirigir-se para os seus lugares dentro do triângulo, e, independentemente de quaisquer ruídos, colocar os dois castiçais e as duas coroas de verbena nos lados direito e esquerdo do triângulo dentro do círculo. Feito isto, as duas velas podem ser acesas, tendo o cuidado de que haja um novo braseiro em frente do Karcist, abastecido com carvão recentemente consagrado. Este deve ser aceso pelo Karcist, deitando um pouco da aguardente e uma parte da cânfora, reservando o resto para alimentar o fogo periodicamente, na proporção da duração do negócio. Tendo cumprido pontualmente tudo o que foi mencionado acima, o operador principal pode repetir a seguinte oração: – Ofereço-Te, ó grande ADONAY, este incenso como o mais puro que posso obter; da mesma forma, ofereço-Te este carvão preparado da mais etérea das madeiras. Ofereço-os, ó grande e omnipotente ADONAY, ELOIM, ARIEL, e JEOVAM, com a minha […] Digna-te, ó grande ADONAY, recebê-los como um holocausto aceitável. Amém.

Deve também ter cuidado, diz o Grimório, para não ter nenhum metal de liga sobre a sua pessoa, exceto uma moeda de ouro ou prata embrulhada em papel, que deve atirar ao espírito quando ele aparecer fora do círculo, para o impedir de o prejudicar. Enquanto ele pega na moeda, comece prontamente a seguinte oração, fortificando-se com coragem, energia e prudência. Tenha também especial cuidado para que o Karcist seja o único orador; os assistentes devem guardar um silêncio absoluto, mesmo que sejam interrogados ou ameaçados.

PRIMEIRA ORAÇÃO.

Ó grande e vivo Deus, subsistindo numa só e mesma pessoa, o Pai, o Filho e o Espírito Santo; adoro-Te com a mais profunda veneração, e submeto-me com a mais viva confiança à Tua santa e suficiente proteção. Creio com a mais sincera fé que és o meu Criador, o meu Benfeitor, o meu Preservador e o meu Senhor, e testemunho à Tua soberana Majestade que o meu único desejo é pertencer-Te durante toda a eternidade. Assim seja. Amém.

SEGUNDA ORAÇÃO.

Ó grande e vivo Deus, que criaste o homem para gozar a felicidade nesta vida, que adaptaste todas as coisas para as suas necessidades, e declaraste que tudo deveria ser sujeito à sua vontade, sê favorável a este meu desígnio, e não permitas que os espíritos rebeldes estejam na posse daqueles tesouros que foram formados pelas Tuas próprias mãos para as nossas necessidades temporais. Concede-me, ó grande Deus, o poder de dispor deles pelos nomes potentes e terríficos na Tua Clavícula: ADONAT, ELOIM, ARTEL, JEHOTAM, TAQLA, MATHON, sede propícios para comigo. Assim seja. Amém.

OFERTA.

Ofereço-Te este incenso como o mais puro que pude obter, ó sublime ADONAT, ELOIM, ARIEL, e JEOVAM; digna-te recebê-lo como um holocausto aceitável. Inclina-Te a mim no Teu poder, e permite-me ter sucesso nesta grande empresa. Assim seja. Amém.

PRIMEIRA CONJURAÇÃO.

Dirigida ao Imperador Lúcifer.

Imperador Lúcifer, Mestre e Príncipe dos Espíritos Rebeldes, conjuro-te a deixar a tua morada, em qualquer parte do mundo em que se encontre, e vir aqui comunicar comigo. Ordeno e conjuro-te em Nome do Poderoso Deus vivo, Pai, Filho e Espírito Santo, para apareceres sem ruído e sem qualquer mau cheiro, para responderes numa voz clara e inteligível, ponto por ponto, a tudo o que te perguntar, caso contrário, serás mais certamente compelido à obediência pelo poder do divino ADONAY, ELOIM, ARIEL, JEOVAM, TAQLA, MATHON, e por toda a hierarquia das inteligências superiores, que te constrangerão contra a tua vontade. Venité, Venité! Submiritillor Lucifuge, ou o tormento eterno te submergirá, pelo grande poder desta Vara Devastadora. In subito.

SEGUNDA CONJURAÇÃO.

Ordeno e conjuro-te, Imperador Lúcifer, como representante do poderoso Deus vivo, e pelo poder de Emanuel, seu único Filho, que é teu mestre e meu, e pela virtude do Seu precioso sangue, que Ele derramou para redimir a humanidade das tuas cadeias, ordeno-te que deixes a tua morada, onde quer que seja, jurando que te darei um quarto de hora apenas, se não vieres imediatamente comunicar comigo numa voz audível e inteligível, ou, se a tua presença pessoal for impossível, envia-me o teu Mensageiro Astarot em forma humana, sem ruído nem mau cheiro, caso contrário, ferir-te-ei a ti e a toda a tua raça com a terrível Vara Devastadora na profundeza dos abismos sem fundo, e isso pelo poder daquelas grandes palavras na Clavícula – Por ADONAY, ELOIM, ARIEL, JEHOTAM, TAQLA, MATHON, ALMOUZIN, ABOIS, PITHONA, MAGOTS, SYLPHAE, TABOTS, SALAMANDRAE, GNOMUS, TERRAE, COELIS, GODENS, AQUA. In subito.

NOTA.—Antes de proferir a terceira Conjuração, se o espírito se recusar a cumprir, leia o que se segue na Clavícula, e fira todos os espíritos mergulhando ambas as extremidades bifurcadas da sua vara nas chamas, e não se alarme antes de ler a Clavícula, e no meio da comoção, recite a terceira Conjuração.

TERCEIRA CONJURAÇÃO.

Conjuro-te, Imperador Lúcifer, como agente do forte Deus vivo, do Seu amado Filho, e do Espírito Santo, e pelo poder do Grande ADONAY, ELOIM, ARTEL, e JEOVAM, para apareceres instantaneamente, ou para enviares o teu Mensageiro Astarot, forçando-te a abandonar o teu esconderijo, onde quer que seja, e avisando-te que se não te manifestares neste momento, ferir-te-ei a ti e a toda a tua raça com a Vara Devastadora do grande ADONAX, ELOIM, ARIEL, e JEOVAN, &c.

Neste ponto, se o espírito ainda não aparecer, mergulhe as duas extremidades da sua vara uma segunda vez nas chamas, e recite as seguintes palavras potentes da grande Clavícula de Salomão:—

GRANDE CONJURAÇÃO. Extraída da Verdadeira Clavícula.

Conjuro-te, ó Espírito! pelo poder do grande ADONAY, para apareceres instantaneamente, e por ELOIM, por ARIEL, por JEOVAM, por AQUA, TAGUS, MATHON, OARIOS, ALMOAZIN, GABOTS, SALAMANDRAE, TABOTS, GINGUA, JANNA, ERRINAMUS, ZARIATNATMIX, &C. A. E. A. J. A. T. M. O. A. A. M. V. P.

Após uma segunda repetição destas palavras sublimes e poderosas, pode ter a certeza de que o espírito responderá da seguinte maneira.

ARIOS, MEMBROT, VARIOS, PITHONA, MAJODS, SULPHAE, M. S. C. S. J. C. G. A. J. F. Z. &c.

DA MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO.

“Eu, estou aqui! Que procuras de mim? Por que perturbas o meu repouso?” LUCIFUGE ROFOCALE.

RESPOSTA AO ESPÍRITO.

Se tivesses aparecido quando te invoquei, não te teria ferido de modo algum; lembra-te, se o pedido que te faço for recusado, estou determinado a atormentar-te eternamente.

RESPOSTA DO ESPÍRITO.

Não me atormentes mais. Diz antes o que exiges de mim. LUCIFUGE ROFOCALE.

A REQUISIÇÃO.

Exijo que te comuniques duas vezes em cada noite da semana, seja comigo ou com aqueles que estão encarregados do meu presente Livro, que aprovarás e assinarás; permito-te a escolha das horas que te possam servir, se não aprovares as que agora enumero. A saber: – À segunda-feira às nove horas e à meia-noite. À terça-feira às dez horas e à uma da manhã. À quarta-feira às onze horas e às duas da manhã. À quinta-feira às oito e às dez horas. À sexta-feira às sete da noite e à meia-noite. À noite de sábado às nove da noite e às onze da noite. Além disso, ordeno-te que me entregues o tesouro mais próximo, e prometo-te como recompensa a primeira moeda de ouro ou prata que tocar com as mãos no primeiro dia de cada mês. Tal é a minha exigência.

RESPOSTA DO ESPÍRITO.

Não posso satisfazer o teu pedido nestes termos, nem em quaisquer outros, a menos que te entregues a mim em cinquenta anos, para fazer com o teu corpo e alma o que me aprouver. LUCIFUGE ROFOCALE.

RÉPLICA AO ESPÍRITO.

Eis que te ferirei a ti e a toda a tua raça, pelo poder do grande Adonay, se, pelo contrário, não satisfizeres o meu pedido.

NOTA.—Aqui mergulhe as pontas da Vara Devastadora no fogo e repita a Grande Conjuração da Clavícula até que o espírito se renda à sua vontade.

RESPOSTA E CONFORMIDADE DO ESPÍRITO.

Não me firas mais; comprometo-me a fazer o que desejas duas vezes em cada noite da semana. A saber: – À segunda-feira às dez horas e à meia-noite. À quarta-feira à meia-noite e às duas da manhã. À terça-feira às onze horas e à uma da manhã. À quinta-feira às oito e às onze horas. À noite de sábado às dez horas e à uma da manhã. À sexta-feira às nove horas e à meia-noite. Aprovo também o teu Livro, e dou-te a minha verdadeira assinatura em pergaminho, que fixarás no seu final, para usares conforme a tua necessidade. Além disso, coloco-me à tua disposição, para aparecer diante de ti quando me chamares, estando tu purificado, e segurando a terrível Vara Devastadora, abrires o Livro, tendo descrito o círculo cabalístico e pronunciado a palavra Rofocale. Prometo ter comércio amigável com aqueles que estiverem fortificados pela posse do dito Livro, onde está a minha verdadeira assinatura, desde que me invoquem segundo a regra, na primeira ocasião em que me necessitem. Comprometo-me também a entregar-te o tesouro que procuras, com a condição de que guardes o segredo para sempre inviolável, sejas caritativo para com os pobres, e me dês uma moeda de ouro ou prata no primeiro dia de cada mês. Se falhares, és meu eternamente.

IMPRIMATUR

LUCIFUGE ROFOCALE.

RESPOSTA AO ESPÍRITO.

Concordo com as tuas condições.

INVITE DO ESPÍRITO.

Segue-me, e vem pôr as tuas mãos sobre o tesouro.

Aí, o Karcist, armado com a Vara Devastadora e a pedra chamada Ematille, sairá do círculo naquele ponto onde a porta do poderoso Adonay está figurada, e seguirá o espírito, mas os assistentes não se moverão um passo do círculo, mas permanecerão firmes e imóveis dentro dele, quaisquer relatos que ouçam, e quaisquer visões que vejam. O espírito conduzirá então o Karcist para as proximidades do tesouro, quando poderá acontecer que o Karcist veja a aparição de um cão grande e feroz com um colar resplandecente como o sol. Será um Gnomo, que ele pode afugentar com a ponta da sua vara, quando a aparição se dirigirá para o tesouro. O Karcist deve seguir, e ao chegar ao tesouro, ficará admirado ao descobrir a pessoa que o escondeu, que tentará agarrar-se a ele, mas não poderá sequer aproximar-se. O Karcist deve estar provido de uma folha de pergaminho virgem inscrita com a grande conjuração da Clavícula. Esta deve lançar sobre o tesouro, agarrando uma das suas moedas ao mesmo tempo como penhor e garantia, e atirando previamente um pedaço do seu próprio dinheiro mordido pelos seus dentes, após o que pode retirar-se, andando para trás, e levando o que puder do tesouro. O resto não pode escapar-lhe após as precauções acima. Deve, no entanto, ter cuidado para não se virar, qualquer que seja o ruído que ouça, pois neste momento crítico parecerá verdadeiramente que todas as montanhas do mundo estão a ser precipitadas sobre ele. Deve, por esta razão, ser fortificado com especial intrepidez, não se assustar com nada, e manter-se perfeitamente firme. Agindo assim, será conduzido de volta pelo Espírito à entrada do círculo. Então o Karcist recitará a seguinte despedida do Espírito.

CONJURAÇÃO E DESPEDIDA DO ESPÍRITO.

Ó Príncipe Lúcifer, estou, por agora, contente contigo. Deixo-te em paz, e permito-te retirares para onde quer que te pareça bem, que seja sem ruído e sem deixar qualquer mau cheiro atrás de ti. Lembra-te, no entanto, do nosso compromisso, pois se falhares nele, mesmo por um momento, fica assegurado que te ferirei eternamente com a Vara Devastadora do grande ADONAY, ELOIM, ARIEL, e JEOVAM. Amém.

ACTO DE AÇÃO DE GRAÇAS.

Ó Deus Omnipotente, que criaste todas as coisas para o serviço e comodidade dos homens, rendemos-Te as mais humildes graças pelos benefícios que, na Tua grande bondade, derramaste sobre nós durante esta noite das Tuas inestimáveis graças, em que nos concedeste segundo os nossos desejos. Agora, ó Deus Todo-Poderoso, realizámos todo o alcance das Tuas grandes promessas quando nos disseste: Buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á. E como nos ordenaste e avisaste para socorrer os pobres, prometemos-Te, na presença do grande ADONAY, ELOIM, ARIEL, e JEOVAM, ser caritativos e derramar sobre eles os benéficos raios do Sol com que aquelas quatro potências divinas nos enriqueceram. Assim seja. Amém. VALE.

§ 2. SOBRE O GENUÍNO SANCTUM REGNUM, OU O VERDADEIRO MÉTODO DE FAZER PACTOS.

Há dois tipos de pactos, diz o Grimorium Verum, o tácito e o manifesto; mas saiba ao mesmo tempo que entre os vários tipos de espíritos há alguns que ligam e outros que não ligam, a não ser de uma maneira muito ligeira. Quanto aos primeiros, são aqueles que exigem algo pessoalmente seu sempre que se concorda um pacto. Contra estes deve estar de guarda, porque o amigo astuto torna-se um inimigo declarado. O Grimorium Verum não se ocupa, no entanto, mais amplamente da questão de um pacto com Satanás ou seus ministros, embora se possa talvez inferir das suas páginas que todo o comércio com espíritos malignos se baseia numa lei de troca. Podem ser dobrados à intenção do operador, mas é com a condição expressa de que eles estejam satisfeitos por sua parte, porque estes tipos de criaturas não dão nada de graça.

Com o autor do “Grande Grimório”, o pacto é uma concessão à pobreza dos recursos do operador. Na Magia Negra, como noutros processos, o necessitado deve estar pronto a sacrificar, e o feiticeiro que está insuficientemente equipado deve pagar um preço mais alto no final. O genuíno Sanctum Regnum da Grande Clavícula, de outro modo denominado Pacta Conventa Daemonum, é explicado pelo “Grande Grimório” para informação daqueles que desejam amarrar espíritos, mas não têm os recursos necessários para compor a Vara Devastadora e o círculo cabalístico. Tais pessoas, afirma-se, nunca conseguirão evocar espíritos a menos que realizem, ponto por ponto, tudo o que é detalhado aqui em seguida sobre a maneira de fazer pactos com qualquer espírito que seja, quer o objetivo em vista seja a posse de tesouros escondidos na terra, o gozo de mulheres ou raparigas, e para obter qualquer favor desejado às suas mãos, quer para a descoberta dos segredos mais ocultos em todas as Cortes e Gabinetes do mundo, quer para a revelação dos mistérios mais impenetráveis, quer para comprometer um espírito a realizar o seu trabalho durante a noite, quer para causar a queda de granizo ou uma tempestade em qualquer lugar designado, quer para abrir selos, para ver o que se passa em casas particulares, e aprender toda a habilidade dos pastores, quer para obter a Mão da Glória, e discernir todas as qualidades e virtudes dos metais, minerais e vegetais, e dos animais tanto puros como impuros, e realizar coisas tão surpreendentes que nenhuma pessoa em existência pode deixar de ficar em estado de completo espanto ao ver que, por meio de um pacto com certos espíritos, se podem descobrir os maiores segredos da Natureza, que estão escondidos dos olhos dos sábios.

É à Clavícula do grande Rei Salomão, diz o Grimório, que devemos a descoberta do método genuíno de fazer pactos, que ele também usou para a aquisição das suas imensas riquezas, para o prazer de tão inúmeras mulheres, e para a revelação dos mais impenetráveis arcanos da Natureza, pelos quais toda a espécie de bem e de mal pode ser realizada.

Com os mais altos potentados do Inferno, com Lúcifer, Belzebu e Astarote, não parece possível entrar num pacto vinculativo. O feiticeiro deve contentar-se com um dos seis governantes, que geralmente trabalharão pelos seus agentes; uma convénia invariável do pacto deve negociar o serviço por um dos três superiores entre tais subordinados especiais.

Tendo determinado fazer um pacto, continua o “Grande Grimório”, deve começar na véspera cortando com uma faca nova e não usada uma vara de aveleira selvagem, que nunca tenha dado fruto, e será semelhante à Vara Devastadora, como foi anteriormente descrito. Isto deve ser feito precisamente no momento em que o sol aparece no nosso horizonte. Feito o mesmo, arme-se com a pedra chamada Ematille, e com duas velas bentas, e dirija-se para escolher um lugar para a próxima operação, onde estará totalmente a sós; pode mesmo fazer o pacto numa sala isolada, ou nalguma parte subterrânea de um velho castelo em ruínas, pois o espírito tem o poder de transportar o tesouro para qualquer lugar exigido. Tendo isto arranjado, descreva um triângulo com a pedra chamada Ematille – esta é exclusivamente necessária na primeira ocasião de fazer um pacto. Coloque as duas velas bentas em posição paralela em cada lado do Triângulo de Pactos, inscrevendo o Santo Nome de Jesus abaixo, para que nenhum espírito o possa prejudicar de qualquer maneira. Pode agora tomar posição no meio do triângulo, segurando a vara misteriosa, juntamente com a grande Conjuração do Espírito, a Clavícula, a Requisição que pretende fazer, e a Despedida do Espírito.

Tendo cumprido exatamente tudo o que foi acima descrito, comece por recitar a seguinte Conjuração com decisão e esperança:—

GRANDE CONJURAÇÃO DOS ESPÍRITOS COM OS QUAIS SE PROCURA FAZER UM PACTO.

Tomada da Grande Clavícula.

Imperador Lúcifer, Mestre de todos os Espíritos revoltados, rogo-te que me favoreças na adjuração que dirijo ao teu poderoso ministro, LUCIFUGE ROFOCALE, desejando fazer um pacto com ele. Rogo-te também, ó Príncipe Belzebu, que me protejas no meu empreendimento. Ó Conde Astarot! sê propício para comigo, e concede que esta noite o grande LUCIFUGE me apareça sob uma forma humana, e livre de mau cheiro, e que me conceda, em virtude do pacto que proponho celebrar, todas as riquezas de que necessito. Ó grande LUCIFUGE, rogo-te que deixes a tua morada, onde quer que seja, e venhas aqui falar comigo, caso contrário, hei de compelir-te pelo poder do forte Deus vivo, do Seu amado Filho, e do Espírito Santo. Obedece prontamente, ou serás eternamente atormentado pelo poder das palavras potentes na grande Clavícula de Salomão, com que ele costumava compelir os espíritos rebeldes a receberem o seu pacto. Então aparece imediatamente, ou eu te atormentarei persistentemente pela virtude destas grandes palavras na Clavícula.

AGION, TETRAGRAM, TAYCHEON SIIMULAMATON EZPHARES RETRAGRAMMATON OLYARAM IRION ESYTION EXISTION ERYONA ONERA ORASYM MOZM MESSIAS SOTER EMANUEL SABAOTH ADONAT, te adoro, et te invoco. AMÉM.

Pode ter a certeza de que a recitação destas palavras potentes será seguida pelo aparecimento do espírito, que dirá:—

MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO.

“Eu, estou aqui! Que procuras de mim? Por que perturbas o meu repouso?” LUCIFUGE ROFOCALE.

RESPOSTA AO ESPÍRITO.

É meu desejo fazer um pacto contigo, para obter riquezas às tuas mãos imediatamente, caso contrário, atormentar-te-ei pelas palavras potentes da Clavícula.

RESPOSTA DO ESPÍRITO.

Não posso satisfazer o teu pedido, a menos que te entregues a mim em vinte anos, para fazer com o teu corpo e alma o que me aprouver. LUCIFUGE ROFOCALE.

Aí, atira-lhe o teu pacto, que deve ser escrito com a tua própria mão numa folha de pergaminho virgem; deve ser redigido como se segue, e assinado com o teu próprio sangue: – “Prometo ao grande Lucifuge recompensá-lo em vinte anos por todos os tesouros que me der.” N.N.

RESPOSTA DO ESPÍRITO.

Não posso satisfazer o teu pedido. LUCIFUGE ROFOCALE.

Para impor a sua obediência, recite novamente a Suprema Apelação, com as terríveis palavras da Clavícula, até que o espírito reapareça, e te dirija assim:—

DA SEGUNDA MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO.

“Por que me atormentas mais? Deixa-me descansar, e conceder-te-ei o tesouro mais próximo, com a condição de que me reserves uma moeda na primeira segunda-feira de cada mês, e não me chames mais do que uma vez por semana, a saber, entre as dez da noite e as duas da manhã. Levanta o teu pacto; assinei-o. Falha na tua promessa, e serás meu no fim de vinte anos.” LUCIFUGE ROFOCALE.

RESPOSTA AO ESPÍRITO.

Concordo com o teu pedido, sob condição da entrega do tesouro mais próximo.

Segue o espírito sem medo, lança o teu pacto sobre o tesouro, toca-o com a tua vara, remove o máximo que puderes, regressa ao triângulo, andando para trás, coloca o tesouro à tua frente, e recita a Despedida do Espírito, como no Rito anterior.

Vê-se pela redação do pacto que este é deliberadamente evasivo, e a resposta final do suposto espírito parece reconhecer que só pode obter algo por negligência da parte do feiticeiro. Havia aparentemente contratos mais vinculativos, pois no ano de 1678 o Abade Eynatton publicou um “Manual de Exorcismos” que contém o seguinte processo formal para forçar o Demónio a devolver qualquer escrito que constitua um acordo com ele:—

EXORCISMO.

Ó Deus misericordiosíssimo, cujo poder não tem limite, cujo domínio é supremo sobre todos os seres, de modo que nada pode possivelmente ser subtraído ao Teu governo pela apostasia; eis que pecámos contra Ti, provocámos a Tua justíssima ira, quando falhámos em obedecer aos Teus mandamentos, sobretudo quando, abandonando o Teu governo e a Tua amizade, Te abjurámos e nos associámos aos ímpios demônios, e ainda, não contentes com a Tua negação, nos ligámos por escrito a esses demônios, entregando o documento da nossa obrigação voluntária contra Ti à sua custódia. Mas as Tuas misericórdias são inúmeras, ó Senhor da benignidade, e é Teu poupar e perdoar; Olha, portanto, com compaixão para esta Tua criatura, que, tendo outrora Te negado e se entregue por escrito aos demônios, mas agora, tendo regressado a si pela ajuda da Tua infinita bondade, abomina a sua impiedade, deseja ser restaurada a Ti, seu verdadeiro Senhor, e ser recebida com coração contrito no Teu favor. Sabemos, ó Senhor, que um coração contrito e humilde não desprezarás, nem qualquer escrito pode ser um impedimento no caminho da Tua misericórdia; rogamos-Te, portanto, que, pela abundância da Tua clemência, não só a heinósidade deste pecado seja apagada com o Sangue do Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, mas que o demônio, pela palavra do Teu poder, seja compelido a restaurar a escritura, a obrigação e a entrega, para que ele não se glorie na sua tirania, e pretenda qualquer direito sobre o homem por quem rogamos que seja libertado através do Teu Filho. Através do mesmo Jesus Cristo, Teu Filho, nosso Senhor, &c.

A propiciação da Divindade ofendida é seguida por uma citação do demônio que é obrigado a regurgitar a sua presa.

EXORCISMO.

Exorcizo-te, ó ímpio Satanás, que, quando o teu poder já passou, ainda pretendes impor um jugo tirânico ao homem. Exorcizo-te por Jesus Cristo, que veio a este mundo para a salvação dos pecadores; conjuro-te a removeres imediatamente o teu jugo desta criatura, que, enganada pelas tuas artimanhas, outrora se entregou a ti. Abandonando-te doravante, ele se entrega à misericórdia divina, buscando o Seu serviço, a Quem só deve, que também promete a recompensa da vida eterna àqueles que O seguem. Exorcizo-te pelo precioso Sangue de Jesus Cristo, pelo qual a escritura de juízo contra nós foi apagada, de modo que quando Jesus recebe o pecador no Seu favor, não ousarás avançar nada contra ele, e não deixarás de restituir a escritura pela qual esta criatura se ligou a ti, quando cancelada pelo Sangue de Jesus Cristo.

Ouve, portanto, amaldiçoado Satanás, que és impotente sobre um servo de Deus, quando encorajado pelo seu verdadeiro Senhor, ele se volta para outro serviço; em vão te gabas desta escritura; ordeno-te que a restituas em nome do Senhor, como prova diante de todo o mundo de que quando Deus recebe um pecador, já não tens qualquer domínio sobre a sua alma. Conjuro-te, por Aquele que te expulsou da tua fortaleza, te privou das armas em que confiavas, e distribuiu os teus despojos. Restitui, portanto, esta escritura, pela qual esta criatura de Deus, tolamente, se ligou ao teu serviço; restitui-a, digo, em Seu nome, por Quem és vencido; quando o teu poder se tiver esvaído, não presumas reter este documento inútil. Pela penitência, esta criatura de Deus já se restaurou ao seu verdadeiro Senhor, desprezando o teu jugo, esperando na misericórdia divina para defesa contra os teus assaltos, e assistido pela santíssima e gloriosa virgem Maria, Mãe de Deus, por cuja intercessão obterá de Jesus Cristo, Seu Filho, aquilo que ele próprio não é digno de esperar. Através do mesmo Cristo, nosso Senhor.

Não se sabe ao certo se este processo assegurava o regresso material e visível do documento incriminador, ou, na sua falta, se era considerado como o cancelando formalmente, e pouco importará; pois o que com as subtilezas do feiticeiro e a assistência da Igreja na revogação de tais atos e escrituras, havia pouca hipótese para o Inferno, e a relutância de Lucifuge Rofocale em entrar no contrato manhoso é, no geral, extremamente inteligível.

CAPÍTULO VII

O MÉTODO DE HONÓRIO

Aquele que está tão ansioso para tocar as coisas mais francamente diabólicas de todos os rituais ligados à Magia Negra, e, no entanto, como já vimos, as suas enormidades têm sido muito exageradas. As suas objeções mais óbvias são: 1. Profanação dos mistérios da religião. 2. Um sacrifício sangrento, caracterizado por detalhes de um tipo monstruoso. Uma objeção menos óbvia é a natureza supersticiosa de algumas das suas ordenanças. Deve-se confessar que tal acusação parece fantástica, tendo em vista os inúmeros ofícios de observância vã com que temos lidado. Mas uma observância vã, deve-se lembrar, não é necessariamente supersticiosa. Assumir que uma virtude reside no pergaminho preparado a partir da pele de um animal que não gerou, e que tal virtude falta na pele de um que se reproduziu, não é uma suposição supersticiosa. Foi apontado por Eliphas Lévi que o termo superstição significa sobrevivência; isto é, é o signo a sobreviver à ideia. Assim, a doutrina católica da Transubstanciação pode ou não ser uma doutrina verdadeira, mas em nenhum dos casos o culto dos elementos consagrados pode ser supersticioso, porque tal culto deriva diretamente da ideia que criou o signo exterior. Se se pudesse supor que os Elementos continuassem a ser adorados depois de a própria doutrina ter passado, isso seria uma observância supersticiosa. Mas a conceção etimológica de superstição se relaciona também com a ideia de redundância. Assim, uma dupla consagração dos elementos eucarísticos seria uma observância supersticiosa, bem como absurdamente blasfema, porque a primeira consagração é eficaz pela hipótese teológica. Mas a repetição da Saudação Angélica na devoção do Santo Rosário não é supersticiosa, porque a primeira recitação não é necessariamente eficaz pela hipótese devocional. Assim também a prática mágica que consiste com a hipótese mágica não será supersticiosa, embora possa não consistir com a razão. O abate de um cabrito com vista a assegurar um pergaminho virgem não é uma medida supersticiosa, mas de precaução. A conversão deste abate num sacrifício não é supersticiosa, porque tem um propósito que consiste com a hipótese mágica, ou seja, o aumento da virtude pela consagração do motivo religioso. A importação para tal sacrifício de cerimónias que não são de precaução, e não aumentam, pela hipótese, a virtude, são redundantes e, portanto, supersticiosas. Tais ofícios não ocorrem nos Grimórios, com exceção do de Honório, no qual Ritual são ainda caracterizados por traços brutais. O abate de um galo preto, e a extração dos olhos, língua e coração, que devem ser reduzidos a pó, e esse pó subsequentemente polvilhado sobre a pele de cordeiro, é uma observância redundante e monstruosa. Deveríamos dizer, portanto, que o “Grimório de Honório” deve ser evitado, se fosse necessário hoje em dia advertir alguém contra práticas a que ninguém é provável recorrer, que pertencem aos tolos mistérios de velhas doutrinas explodidas, e são interessantes, certamente, mas apenas como curiosidades do passado. Deve-se acrescentar que as profanações dos mistérios da religião prescritas pelo “Grimório de Honório” não são profanações intencionais, e podem ser atenuadas nessa medida. O seu propósito não é o ultraje, mas o aumento da eficácia.

Tendo feito estas provisões iniciais, a substância deste ritual extremamente curioso pode agora ser oferecida ao estudante nas palavras do seu escritor. Lembrar-se-á que a pessoa que deseja invocar os perversos “Espíritos das Trevas” segundo o método de Honório deve observar um jejum de três dias; deve também confessar-se e aproximar-se do Santo Altar. Após estes três dias, no dia seguinte, e à hora do nascer do sol, recitará os Sete Salmos Graduais, com as Ladainhas e Orações que os acompanham, tudo de joelhos; além disso, não beberá vinho nem comerá carne nesse dia. Depois, levantar-se-á à meia-noite na primeira segunda-feira do mês, e um sacerdote dirá uma Missa do Espírito Santo. Após a consagração, tomando a Hóstia na mão esquerda, recitará a seguinte oração de joelhos:—

ORAÇÃO.

Meu Soberano Salvador Jesus Cristo, Filho do Deus vivo! Tu que, para a salvação de toda a humanidade, sofreste a morte da Cruz; Tu que, antes de seres abandonado aos Teus inimigos, por um impulso de inefável amor, instituíste o Sacramento do Teu Corpo; Tu que Te dignaste conceder a nós, miseráveis criaturas, o privilégio de fazermos diariamente comemoração do mesmo; digna-Te conceder ao Teu indigno servo, que assim segura o Teu Corpo vivo nas suas mãos, toda a força e capacidade para a proveitosa aplicação daquele poder com que foi investido contra a horda de espíritos rebeldes. Tu és o seu verdadeiro Deus, e se eles tremem à pronúncia do Teu Nome, sobre esse Santo Nome clamarei, gritando Jesus Cristo! Jesus, sê minha ajuda, agora e para sempre! Amém.

Após o nascer do sol, deve ser morto um galo preto, sendo arrancada a primeira pena da sua asa esquerda e guardada para uso no tempo exigido. Os olhos devem ser arrancados, e também a língua e o coração; estes devem ser secos ao sol e depois reduzidos a pó. Os restos devem ser enterrados ao pôr do sol num lugar secreto, sendo colocada uma cruz de uma palma de altura sobre o monte, enquanto em cada um dos quatro cantos os sinais que aqui se seguem devem ser desenhados com o polegar.

Neste dia também o operador não deve beber vinho e abster-se de comer carne. Na terça-feira, ao romper do dia, deve dizer uma Missa dos Anjos, colocando a pena tirada da ave sobre o altar, juntamente com um novo canivete. Os sinais aqui representados devem ser inscritos numa folha de papel limpo com o vinho consagrado que é o Sangue de Jesus Cristo.

Devem ser escritos sobre o altar, e no final da Missa o papel deve ser dobrado num novo véu da oblação da Missa e uma parte da Hóstia consagrada.

Na noite de quinta-feira, o operador deve levantar-se à meia-noite e, tendo polvilhado água benta pela câmara, deve acender uma vela de cera amarela, que deve ter sido preparada na quarta-feira e furada na forma —Attendite, popule meus, legem meam, &c.—sem o Gloria Patri. Começará então o “Ofício dos Mortos” com Venite exultemus Domino, &e. Recitará Matinas e Laudes, mas em vez do versículo da nona Lição, dirá: “Livra-nos, ó Senhor, do temor do inferno. Não permitas que os demônios destruam a minha alma quando eu os levantar do abismo profundo, quando eu lhes ordenar que façam a minha vontade. Que o dia seja brilhante, que o sol e a lua brilhem, quando eu os invocar. Terríveis de aspeto são, deformados e horríveis à vista; mas restaura-lhes as suas formas angélicas quando eu lhes impuser a minha vontade. Ó Senhor, livra-me daqueles de rosto terrível, e concede que sejam obedientes quando eu os levantar do inferno, quando eu lhes impuser a minha vontade.”

Após o “Ofício dos Mortos”, o operador apagará a vela, e ao nascer do sol cortará a garganta de um cordeiro macho de nove dias, tendo o cuidado de que o sangue não jorre sobre a terra. Esfolará o cordeiro, e lançará a sua língua e coração ao fogo. O fogo deve ser recentemente aceso, e as cinzas devem ser guardadas para uso no tempo próprio. A pele do cordeiro será estendida no meio de um campo, e durante nove dias será polvilhada quatro vezes por dia com água benta. No décimo dia, antes do nascer do sol, a pele do cordeiro será coberta com as cinzas do coração e da língua, e com as cinzas também do galo. Na quinta-feira, após o pôr do sol, a carne do cordeiro será enterrada num lugar secreto, onde nenhuma ave possa vir, e o padre com o seu polegar direito inscreverá na sepultura os caracteres aqui indicados.

Além disso, durante três dias, polvilhará os quatro cantos com água benta, dizendo: “Asperge-me, ó Senhor, com hissopo, e serei purificado! Lava-me, e serei feito mais branco que a neve!”

Após a aspersão, recitará a seguinte oração de joelhos, com o rosto voltado para o oriente:—

ORAÇÃO.

Cristo Jesus, Redentor dos homens, que, sendo o Cordeiro sem mácula, foste imolado para a salvação da raça humana, que só foste achado digno de abrir o Livro da Vida, transmite tal virtude a esta pele de cordeiro que ela receba os sinais que nela traçaremos, escritos com o Teu sangue, para que as figuras, signos e palavras se tornem eficazes; e concede que esta pele nos preserve contra as artimanhas dos demônios; que eles sejam aterrorizados à vista destas figuras, e só se aproximem delas tremendo. Através de Ti, Jesus Cristo, que vives e reinas através de todos os séculos. Assim seja.

As Ladainhas do Santo Nome de Jesus devem então ser repetidas, mas em vez do Agnus Dei, substitua: “Cordeiro Imolado, sê para mim uma coluna de força contra os demônios! Cordeiro Imolado, dá poder sobre as Potências das Trevas! Cordeiro Imolado, concede favor e força para a amarração dos Espíritos Rebeldes. Assim seja.”

A pele do cordeiro será esticada por dezoito dias, e no décimo nono dia o velo será removido, reduzido a pó, e enterrado no mesmo lugar. A palavra “velo” será escrita acima dele com o dedo, juntamente com o seguinte caráter e as palavras: “Que isto que foi reduzido a cinzas preserve contra os demônios através do nome de Jesus.”

Por último, no lado oriental, a dita pele deve ser posta a secar ao sol durante três dias, sendo cortados os caracteres seguintes com uma faca nova.

Isto realizado, recite o Salmo lxxi., Deus, judicium tuum regi da, &c., e corte os seguintes caracteres.

A figura estando assim longe de ser completa, recite os versículos Afferte Domino, patriae gentium, ocorrendo no Salmo xcv.: Cantate Domino Canticum novum, do qual o sétimo versículo é: Offerte Domino, Filii Dei, &c., e corte subsequentemente estes caracteres.

Em seguida, recite o Salmo lxvii: Attendite, popule meus, legem meam, e componha a seguinte figura.

O que sendo realizado, recite o Salmo ii.: Quare fremuerunt gentes et populi meditati sunt inania? Depois faça outra figura como se segue.

E recite o Salmo cv.: Credidi propter quod locutus sum. Finalmente, no último dia do mês, será oferecida uma Missa pelos Mortos; a prosa será omitida, e também o Evangelho de São João, mas no final da Missa o sacerdote recitará o Salmo Confitemini Domino quoniam bonus, &c.

Em Honra da Santíssima e Augustíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

Os Setenta e Dois Santos Nomes de Deus.—TRINITAS, SOTHER, MESSIAS, EMMANUEL, SABAOT, ADONAX, ATHANATOS, JESU, PENTAGNA, AQRAGON, ISCHIROS, ELBYSON, OTHEOS, TETRAGRAMMATON, ELI, SADAI, AQUILIA, MAGNUS HOMO, VISIO, FLOS, ORIGO, SALVATOR, ALPHA E OMEGA, PRIMUS, NOVISSIMUS, PRINCIPIUM ET FINIS, PRIMOGENITUS, SAPIENTIA, VIRTUS, PARACLITUS, VERITAS, VIA, MEDIATOR, MEDICUS, SALUS, AGNUS, OVIS, VITULUS, SPES, ARIES, LEO, LUX, IMAGO, PANIS, JANUA, PETRA, SPONSA, PASTOR, PROPHETA, SACERDOS, SANCTUS, IMMORTALITAS, JESUS, CHRISTUS, PATER, FILIUS HOMINIS, SANCTUS, PATER, OMNIPOTENS, DEUS, AGIOS, RESSURRECTIO, MISCHIROS, CHARITAS, AETERNUS, CREATOR, REDEMPTOR, UNITAS, SUMMUM BONUM, INFINITAS. AMÉM.

Aqui se seguem os três pequenos pentáculos de Salomão, e o do Evangelho de São João.

INÍCIO DO SANTO EVANGELHO SEGUNDO JOÃO.

Glória a Ti, ó Senhor.

No princípio era o Verbo, &c., in extenso, até ao fim do décimo quarto versículo.

Hosana nas alturas. Nós Te invocamos. Nós Te adoramos. Nós Te louvamos. Nós Te glorificamos, ó bendita e gloriosa Trindade! Seja bendito o Nome do Senhor, agora e do Filho, e do Espírito Santo, Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus. Que Cristo conquiste, reine, comande, e me defenda de todo o mal. Amém.

CONJURAÇÃO UNIVERSAL.

Eu, N., conjuro-te, ó Espírito N., pelo Deus vivo, pelo Deus verdadeiro, pelo Deus santo e todo-poderoso, que criou do nada o céu, a terra, o mar e todas as coisas que neles há, em virtude do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, em nome de Jesus Cristo, e pelo poder deste mesmo Filho Todo-Poderoso de Deus, que por nós e para nossa redenção foi crucificado, sofreu a morte e foi sepultado; que ressuscitou ao terceiro dia, e está agora sentado à direita do Criador de todo o mundo, de onde virá para julgar os vivos e os mortos; como também pelo precioso amor do Espírito Santo, Trindade perfeita. Conjuro-te dentro do círculo, amaldiçoado, pelo teu julgamento, que ousaste tentar a Deus: exorcizo-te, Serpente, e ordeno-te que apareças imediatamente sob uma bela e bem-apessoada forma humana de alma e corpo, e que cumpras as minhas ordens sem qualquer engano, como também sem qualquer reserva mental de qualquer espécie, pelos grandes Nomes do Deus dos deuses e Senhor dos senhores, ADONAT, TETRAGRAMMATON, JEHOTA, TETRAGRAMMATON, ADONAT, JEHOTA, OTHEOS, ATHANATOS, ISCHYROS, AGLA, PENTAGRAMMATON, SADAY, SADAT, SADAY, JEHOTA, OTHEOS, ATHANATOS, A LICIAT TETRAGRAMMATON, ADONAT, ISCHYROS, ATHANATOS, SADY, SADY, SADY, CADOS, CADOS, CADOS, ELOX, AGLA, AALS, AGLA, ADONAT, ADONAY. Conjuro-te, Serpente Maligna e Amaldiçoada, N., a apareceres à minha vontade e prazer, neste lugar, diante deste círculo, sem demora, sem companheiros, sem queixume, sem ruído, deformidade ou murmúrio. Exorcizo-te pelos inefáveis nomes de Deus, a saber, Gog e Magog, que sou indigno de pronunciar; Vem cá, Vem cá, Vem cá. Cumpre a minha vontade e desejo, sem artifício ou falsidade. Caso contrário, São Miguel, o Arcanjo invisível, te fulminará presentemente nas profundezas do inferno. Vem, pois, N., para fazer a minha vontade.

O GRANDE PENTÁCULO DE SALOMÃO.

A. P.

Por que te demoras e por que tardas? Que fazes? BATAT DE RACHAT fluindo sobre ABRACMENS, ARCHOR sobre ABERER.

Prepara-te, obedece ao teu mestre, em nome do Senhor, ABERER.

L. Q. L. F. A. P.

Eis o Pentáculo de Salomão que trouxe à tua presença! Ordeno-te, por ordem do grande

DESPEDIDA.

Ide em paz para os vossos lugares. Que haja paz entre nós e vós, e estai prontos para vir quando fordes chamados. Em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

ACTO DE AÇÃO DE GRAÇAS.

Louvor, honra, glória e bênção sejam Àquele que está sentado no trono, que vive para todo o sempre. Amém.

CONJURAÇÃO DO LIVRO.

Conjuro-te, ó Livro, para seres útil e proveitoso a todos quantos recorrerem a ti para o sucesso dos seus negócios. Conjuro-te de novo, pela virtude do Sangue de Jesus Cristo, contido diariamente no cálice, para seres serviçal a todos aqueles que te lerem. Exorcizo-te, em nome da Santíssima Trindade, em nome da Santíssima Trindade, em nome da Santíssima Trindade!

O que se segue deve ser dito antes de selar o Livro.

Conjuro e ordeno-vos, ó Espíritos, todos e tantos quantos sois, a aceitar este Livro de boa vontade, para que, sempre que o lermos, sendo o mesmo aprovado e reconhecido como em boa forma e válido, sejais constrangidos a aparecer em bela forma humana quando fordes chamados, conforme o leitor julgar. Em nenhuma circunstância deveis fazer qualquer tentativa sobre o corpo, alma ou espírito do leitor, nem infligir qualquer dano àqueles que o possam acompanhar, seja por murmúrios, tempestades, ruído, escândalos, nem ainda por lesão ou por impedimento na execução dos comandos deste Livro. Conjuro-vos a aparecer imediatamente quando a conjuração for feita, a executar sem demora tudo o que está escrito e enumerado no seu lugar próprio no dito livro: Deveis obedecer, servir, instruir, transmitir e realizar tudo no vosso poder em benefício daqueles que vos comandam, e tudo sem ilusão. Se por acaso alguns dos espíritos invocados não puderem vir ou aparecer quando exigidos, ficarão obrigados a enviar outros investidos do seu poder, os quais também jurarão solenemente executar tudo o que o leitor possa exigir, e todos vós sois por este meio intimados pelos Santíssimos Nomes do Deus Omnipotente Vivo, EROX, JAH, EL, EROX, TETRAGRAMMATON, a cumprir tudo como acima está estabelecido. Se, porém, o não fizerem, hei de forçar-vos a permanecer no fogo eterno pelo vosso desprezo, com inteira resignação à vontade do leitor.

CONJURAÇÃO DOS DEMÔNIOS.

Em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Atenção! Vinde, todos os Espíritos! Pela virtude e poder do vosso Rei, e pelas sete coroas e cadeias dos vossos Reis, todos os Espíritos dos Infernos são forçados a aparecer perante este instrumento de magia, às minhas ordens, para cumprir o que está no vosso poder, como ordenado. Vinde, portanto, do Oriente, Sul, Ocidente e Norte! Conjuro e ordeno-vos, pela virtude e poder d’Aquele que é três, eterno, igual, que é Deus invisível, consubstancial, numa palavra, que criou os céus, o mar e tudo o que está debaixo do céu.

Após estas Conjurações, deveis ordenar-lhes que aponham o Selo.

SOBRE A FIGURA DO CÍRCULO.

Os círculos devem ser descritos com carvão ou água benta, polvilhada com a madeira da Cruz bendita. Quando tiverem sido devidamente feitos, e as palavras escritas em volta do círculo, a água benta que serviu para abençoar os mesmos pode também ser usada para impedir que os espíritos inflijam qualquer dano. Estando no meio do círculo, deveis comandá-los de maneira viva, como quem é seu senhor.

O QUE DEVE SER DITO AO COMPOR O CÍRCULO.

Ó Senhor, voamos para a Tua virtude! Ó Senhor, confirma esta obra! O que é operado em nós torna-se como pó levado pelo vento, e o Anjo do Senhor pausando, desapareçam as trevas, e o Anjo do Senhor sempre perseguindo, ALFA, ÓMEGA, BLY, PIOHE, DIOHIM, ZABAHOI, ELION, SADY. Eis o Leão que é o conquistador da Tribo de Judá, a Raiz de Davi! Abrirei o Livro, e os sete selos dele. Vi Satanás cair do céu como um raio. És Tu que nos deste poder para esmagar dragões, escorpiões e todos os Teus inimigos debaixo dos nossos pés. Nada nos fará mal, nem mesmo EROX, ELOHIM, ELONE, ZABAHOI, ELION, ESARCHIE, ADONAX, JAH, TETRAGRAMMATON, SADY. A terra é do Senhor e todos os que nela habitam, porque Ele a estabeleceu sobre os mares e a preparou no meio das ondas. Quem subirá ao monte do Senhor? Quem será recebido no Seu Santo Lugar? O inocente de mãos e limpo de coração. Quem não recebeu a sua alma em vão, e não jurou falso testemunho contra o seu próximo. Esse será abençoado por Deus, e obterá misericórdia de Deus para a sua salvação. Ele é da geração daqueles que O buscam. Abri as vossas portas, ó príncipes, abri as portas eternas, e entrará o Rei da Glória! Quem é este Rei da Glória? O Senhor Todo-Poderoso, o Senhor poderoso em batalha. Abri as vossas portas, ó príncipes! Erguei as portas eternas. Quem é este Rei da Glória? O Senhor Todo-Poderoso. Este Senhor é o Rei da Glória. Glória ao Pai, &c.

Para os despedir, deve ser exibido o Pentáculo de Salomão, dizendo ao mesmo tempo o seguinte:—

Eis a vossa sentença! Eis o que proíbe a rebelião às nossas vontades, e vos ordena a regressar às vossas moradas. Que a paz esteja entre nós e vós, e estai prontos a vir, cada um e todos, quando fordes chamados para fazer a minha vontade.

CONJURAÇÃO DO REI DO ORIENTE.

Conjuro e invoco-te, ó poderoso Rei do Oriente, MAGOA, pelo meu santo trabalho, por todos os nomes da Divindade, pelo nome do Todo-Poderoso: ordeno-te que obedeças, e que venhas a mim, ou, falhando isso, que me envies imediata e rapidamente MASSAYEL, ARIEL, SATIEL, ARDUEL, ACORIB, para responderem sobre tudo o que eu queira saber e para cumprirem tudo o que eu ordenar. Caso contrário, virás certamente em tua própria pessoa para satisfazer a minha vontade; o que recusando, hei de compelir-te por toda a virtude e poder de Deus.

O Grande Pentáculo ou Círculo de Salomão servirá para as conjurações acima e seguintes, que podem ser ditas em todos os dias e a todas as horas. Se se desejar falar apenas com um espírito, só um precisa ser nomeado, à escolha do leitor.

CONJURAÇÃO DO REI DO SUL.

Ó EGYM, grande Rei do Sul, conjuro e invoco-te pelos altíssimos e santos Nomes de Deus, manifesta-te aqui, vestido de todo o teu poder; vem perante este círculo, ou pelo menos envia-me imediatamente FADAL, NASTRACHE, para me responderem, e para executarem todos os meus desejos. Se falhares, hei de forçar-te pelo próprio Deus.

CONJURAÇÃO DO REI DO OCIDENTE.

Ó BAYMON, potentíssimo Rei, que reinas na região ocidental, chamo-te e invoco-te em nome da Divindade! Ordeno-te pela virtude do Altíssimo, que me envies imediatamente perante este círculo o Espírito PASSIEL ROSUS, com todos os outros Espíritos que te estão sujeitos, para que os mesmos respondam em tudo, mesmo como eu os exigir. Se falhares, atormentar-te-ei com a espada do fogo divino; multiplicarei os teus sofrimentos, e queimar-te-ei.

CONJURAÇÃO DO REI DO NORTE.

Ó tu, AMAYMON, Rei e Imperador das partes do Norte, chamo, invoco, exorcizo e conjuro-te, pela virtude e poder do Criador, e pela virtude das virtudes, para me enviares presentemente, e sem demora, MADAEL, LAAVAL, BAMLAHE, BELEM, e RAMATH, com todos os outros Espíritos da tua obediência, em forma bela e humana! Em qualquer lugar em que estejas agora, vem e presta aquela honra que deves ao verdadeiro Deus vivo, que é teu Criador. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, vem, portanto, e sê obediente, em frente deste círculo, sem perigo para o meu corpo ou alma. Aparece em forma humana bela, sem terror que te envolva. Conjuro-te, apressa-te, vem diretamente, e de uma vez. Por todos os nomes divinos—SECHIEL, BARACHIEL—se não obedeceres prontamente, BALANDIER, suspensus, iracundus, ORIGRATIUMGU, PARTUS, OLEMDEMIS, e BAUTRATIS. N. Exorcizo-te, invoco e imponho-te altíssimo mandamento pela omnipotência do Deus vivo, e do Deus verdadeiro; pela virtude do Deus santo, e pelo poder d’Aquele que falou e tudo foi feito, mesmo pelo Seu santo mandamento o céu e a terra foram feitos, com tudo o que neles há! Conjuro-te pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, mesmo pela Santíssima Trindade, por aquele Deus a quem não podes resistir, sob cujo império te compelirei; conjuro-te por Deus Pai, por Deus Filho, por Deus Espírito Santo, pela Mãe de Jesus Cristo, Santa Mãe e perpétua Virgem, pelo seu sagrado coração, pelo seu bento leite, que o Filho do Pai mamou, pelo seu santíssimo corpo e alma, por todas as partes e membros desta Virgem, por todos os sofrimentos, aflições, trabalhos, agonia que ela suportou durante todo o curso da sua vida, por todos os suspiros que ela proferiu, pelas santas lágrimas que derramou enquanto o seu querido Filho chorava antes do tempo da Sua dolorosa paixão na árvore da Cruz, por todas as santas e sagradas coisas que são oferecidas e feitas, e também por todas as outras, assim no céu como na terra, em honra do nosso Salvador Jesus Cristo, e da Bem-aventurada Maria, Sua Mãe, por tudo o que é celestial, pela Igreja Militante, em honra da Virgem e de todos os Santos. Da mesma forma, conjuro-te pela Santíssima Trindade, por todos os outros mistérios, pelo sinal da Cruz, pelo preciosíssimo sangue e água que fluíram do lado de Jesus Cristo, pelo suor que emanou de todo o Seu corpo, quando Ele disse no Jardim das Oliveiras: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice! Conjuro-te pela Sua morte e paixão, pelo Seu sepultamento e gloriosa ressurreição, pela Sua ascensão, pela vinda do Espírito Santo. Adjuro-te, além disso, pela coroa de espinhos que foi posta sobre a Sua cabeça, pelo sangue que fluiu dos Seus pés e mãos, pelos pregos com que foi pregado na árvore da Cruz, pelas santas lágrimas que derramou, por tudo o que sofreu voluntariamente por grande amor de nós: pelos pulmões, o coração, os cabelos, as entranhas, e por todos os membros, do nosso Salvador Jesus Cristo. Conjuro-te pelo julgamento dos vivos e dos mortos, pelas palavras do Evangelho do nosso Salvador Jesus Cristo, pelas Suas pregações, pelas Suas palavras, por todos os Seus milagres, pela criança em panos, pela criança que chora, carregada pela mãe no seu puríssimo e virginal ventre; pela gloriosa intercessão da Virgem Mãe do nosso Salvador Jesus Cristo; por tudo o que é de Deus e da Sua Santíssima Mãe, assim no céu como na terra. Conjuro-te pelos santos Anjos e Arcanjos, e por todas as benditas ordens de Espíritos, pelos santos patriarcas e profetas, por todos os santos mártires e confessores, por todas as santas virgens e inocentes viúvas, e por todos os santos de Deus, tanto homens como mulheres. Conjuro-te pela cabeça de São João Batista, pelo leite de Santa Catarina, e por todos os Santos.

CONJURAÇÕES PARA CADA DIA DA SEMANA.

Para Segunda-feira, a Lúcifer.

Esta experiência é geralmente realizada entre as onze e as doze horas, ou entre as três e as quatro. Requisitos: carvão e giz consagrado para compor o círculo, em torno do qual estas palavras devem ser escritas: “Proíbo-te, Lúcifer, em nome da Santíssima Trindade, de entrares dentro deste círculo.” Deve ser providenciado um rato para lhe dar; o mestre deve ter uma estola e água benta, e também uma alva e uma sobrepeliz. Deve recitar a Conjuração de maneira viva, comandando com aspereza e brevidade, como um senhor deve dirigir-se ao seu servo, com todos os tipos de ameaças: SATAN, RANTAM, PALLANTRE, LUTATS, CORICACOEM SCIRCIGREUR, exijo que me dês muito humildemente, &c.

CONJURAÇÃO.

Conjuro-te, Lúcifer, pelo Deus vivo, pelo Deus verdadeiro, pelo Deus santo, que falou e tudo foi feito, que ordenou e todas as coisas foram criadas e feitas! Conjuro-te pelo inefável nome de Deus, ON, ARPES, e ÓMEGA, PLOY, PLOYM, YA, SADAX, LUX, MUGIENS, REX, SALUS, ADONAY, EMMANUEL, MESSIAS; e adjuro, conjuro e exorcizo-te pelos nomes que são declarados sob as letras V, C, X, como também pelos nomes JEHOTAE, SOL, AOLS, RIFFASORIS, ORISTON, ORPHINE, PHATON IPRETU, OGIA, SPERATON, IMAGON, AMUL, PENATON, SOTER, TETRAGRAMMATON, FLOX, PREMOION, STITMON, PERIGARON, IRATATON, PLEGATON, ON, PERCHIRAM, TIROS, RUBIPHATON, SIMULATON, PERPI, KARIMUM, TREMENDUM, METAY, e pelos altíssimos inefáveis nomes de Deus, GALI, ENGS, EI, HABDANUM, INGODUM, OBT ENGLABIS, apressa-te a vir, ou envia-me N., tendo uma forma bela e humana, de modo algum repulsiva, para que ele responda com verdade real ao que quer que eu lhe perguntar, sendo também incapaz de me ferir, ou a qualquer pessoa, quer em corpo ou alma.

Para Terça-feira, a Frimost.

Esta experiência é realizada à noite, das nove às dez horas, e a primeira pedra encontrada é-lhe dada. Ele deve ser recebido com dignidade e honra. Proceda como na Segunda-feira; componha o círculo, e escreva à volta: “Obedece-me, Frimost!”

CONJURAÇÃO.

Conjuro e ordeno-te, Frimost, por todos os nomes com que podes ser constrangido e amarrado! Exorcizo-te, Nambroth, pelo teu nome, pela virtude de todos os espíritos, por todos os caracteres, pelas conjurações judaicas, gregas e caldeias, pela tua confusão e maldição, e redobrarei as tuas dores e tormentos de dia para dia para sempre, se não vieres agora cumprir a minha vontade e submeter-te a tudo o que eu ordenar, sendo incapaz de me fazer mal, ou àqueles que me acompanham, quer em corpo ou alma.

Para Quarta-feira, a Astarote.

Esta experiência é realizada à noite, das dez às onze horas; é concebida para obter as boas graças do Anel e outros. Escreva no círculo como se segue: “Vem, Astarote! Vem, Astarote! Vem, Astarote!”

CONJURAÇÃO.

Conjuro-te, Astarote, espírito maligno, pelas palavras e virtudes de Deus, e pelo poderoso Deus, Jesus Cristo de Nazaré, a quem todos os demônios estão submetidos, que foi concebido da Virgem Maria; pelo mistério do Anjo Gabriel, conjuro-te; e novamente em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; em nome da gloriosa Virgem Maria, e da Santíssima Trindade, em cuja honra todos os Arcanjos, Tronos, Dominações, Potestades, Patriarcas, Profetas, Apóstolos e Evangelistas cantam sem fim; Hosana, Hosana, Hosana, Senhor Deus dos Exércitos, que és, que eras, que hás de vir, como um rio de fogo ardente! Não negligencies os meus mandamentos, recusa-te a vir. Ordeno-te por Aquele que aparecerá com chamas para julgar os vivos e os mortos, a quem é toda a honra, louvor e glória. Vem, portanto, prontamente, obedece à minha vontade, aparece e dá louvor ao verdadeiro Deus, ao Deus vivo, sim, a todas as Suas obras; não falhes, e dá honra ao Espírito Santo, em cujo Nome te conjuro. Vem!

Para Quinta-feira, a Silcharde.

Esta experiência é feita à noite, das três às quatro horas, hora em que é chamado, e aparece na forma de um Rei. Deve ser-lhe dado um pouco de pão quando for necessário despedi-lo; ele torna o homem feliz e também descobre tesouros. Escreva à volta do círculo como se segue: “Deus Santo! Deus Santo! Deus Santo!”

CONJURAÇÃO.

Conjuro-te, Silcharde, pela imagem e semelhança de Jesus Cristo, nosso Salvador, cuja morte e paixão redimiram toda a raça humana, que também quer que, pela Sua providência, apareças imediatamente neste lugar. Ordeno-te por todos os Reinos de Deus. Act—adjuro e constranjo-te pelo Seu Santo Nome, por Aquele que andou sobre a áspide, que esmagou o leão e o dragão. Obedece-me, e cumpre os meus mandamentos, sendo incapaz de me fazer mal, ou a qualquer pessoa, quer em corpo ou alma.

Para Sexta-feira, a Bechard.

Esta experiência é realizada à noite, das onze às doze horas, e deve ser-lhe dada uma noz. Escreva dentro do círculo: “Vem, Bechard! Vem, Bechard! Vem, Bechard!”

CONJURAÇÃO.

Conjuro-te, Bechard, e constranjo-te, da mesma maneira, pelos Santíssimos Nomes de Deus, ELOX, ADONAY, ELOX, IALA, SAMALABACTAY, que estão escritos em hebraico, grego e latim; por todos os sacramentos, por todos os nomes escritos neste livro; e por Aquele que te expulsou da altura do Céu. Conjuro e ordeno-te pela virtude da Santíssima Eucaristia, que redimiu os homens dos seus pecados; por todos os anjos, arcanjos, tronos, dominações, virtudes, potestades, querubins e serafins; e por todos os santos e santas de Deus, para que me obedeças prontamente e sem demora, apareças em forma bela e humana, sem me fazeres mal, a mim ou àqueles que me acompanham.

Para Sábado, a Guland.

Esta experiência é realizada à noite, das onze às doze horas, e logo que ele apareça, deve ser-lhe dado pão queimado. Pergunta-lhe o que quiseres, e ele obedecer-te-á na hora. Escreve no seu círculo: “Não entres, Guland! Não entres, Guland! Não entres, Guland!”

CONJURAÇÃO.

Conjuro-te, ó Guland, em nome de Satanás, em nome de Belzebu, em nome de Astarote, e em nome de todos os outros Espíritos, para te apressares e apareceres diante de mim. Vem, pois, em nome de Satanás e em nome de todos os outros demônios. Vem a mim, ordeno-te, em nome da Santíssima Trindade. Vem sem me infligir qualquer dano, sem prejuízo para o meu corpo ou alma, sem maltratar o meu livro, ou qualquer coisa que eu use. Ordeno-te que apareças sem demora, ou, falhando isso, que me envies imediatamente outro Espírito com o mesmo poder que tu tens, que cumpra os meus mandamentos e se submeta à minha vontade, faltando o qual, aquele que me enviares, se de facto não vieres tu próprio, não partirá de modo algum, nem até que tenha cumprido em tudo o meu desejo.

Para Domingo, a Surgat.

Esta experiência é realizada à noite, das onze à uma hora. Ele exigirá um cabelo da tua cabeça, mas dá-lhe um de raposa, e vê que ele o pega. O seu ofício é descobrir e transportar todos os tesouros, e realizar tudo o que quiseres. Escreve no seu círculo: TETRAGRAMMATON, TETRAGRAMMATON, TETRAGRAMMATON. ISMAEL, ADONAY, IHUA. E num segundo círculo: “Vem, Surgat! Vem, Surgat! Vem, Surgat!”

CONJURAÇÃO.

Conjuro-te, ó Surgat, por todos os nomes que estão escritos neste livro, para te apresentares aqui diante de mim, prontamente e sem demora, estando pronto para me obedeceres em todas as coisas, ou, falhando isso, para me enviares um Espírito com uma pedra que me torne invisível a todos quando a levar! E conjuro-te a submeteres-te na tua própria pessoa, ou na pessoa daquele ou daqueles que me enviares, para fazer e cumprir a minha vontade, e tudo o que eu ordenar, sem me fazer mal a mim ou a qualquer um, assim que eu manifestar a minha intenção.

Conjuração muito Poderosa para todos os dias e horas do Dia ou da Noite, sendo para Tesouros escondidos por homens ou Espíritos, para que os mesmos possam ser possuídos e transportados.

Ordeno-vos, a vós todos, demônios que habitais nestas partes, ou em qualquer parte do mundo em que estejais, por qualquer poder que vos possa ter sido dado por Deus e pelos nossos santos Anjos sobre este lugar, e pela poderosa Principado dos abismos infernais, como também por todos os vossos irmãos, tanto demônios gerais como especiais, quer habiteis no Oriente, Ocidente, Sul ou Norte, ou em qualquer lado da terra, e, da mesma maneira, pelo poder de Deus Pai, pela sabedoria de Deus Filho, pela virtude do Espírito Santo, e pela autoridade que derivo do nosso Salvador Jesus Cristo, o único Filho do Todo-Poderoso e do Criador, que nos fez a nós e a todas as criaturas do nada, que também ordena que vós abdiqueis de todo o poder para guardar, habitar e permanecer neste lugar; por quem, além disso, vos constranjo e ordeno, nolens volens, sem engano ou decepção, a declarar-me os vossos nomes, e a deixar-me em posse pacífica e domínio sobre este lugar, de qualquer legião que sejais e de qualquer parte do mundo; por ordem da Santíssima Trindade, e pelos méritos da Santíssima e Bem-aventurada Virgem, como também de todos os santos, desligo-vos a todos, espíritos que habitais neste lugar, e expulso-vos para os mais profundos abismos infernais. Assim: Ide, todos os Espíritos amaldiçoados, que estais condenados à chama eterna que está preparada para vós e para os vossos companheiros, se fordes rebeldes e desobedientes. Conjuro-vos pela mesma autoridade, exorto-vos e chamo-vos, constranjo-vos e ordeno-vos, por todos os poderes dos vossos demônios superiores, a vir, obedecer e responder positivamente ao que vos ordeno em nome de Jesus Cristo. Se, portanto, vós ou eles não obedecerdes prontamente e sem demora, aumentarei em breve os vossos tormentos por mil anos no inferno. Constrangho-vos, portanto, a aparecer aqui em bela forma humana, pelos Altíssimos Nomes de Deus, HAIN, LON, HILAY, SABAOTH, HELIM, RADISHA, LEDIEHA, ADONAY, JEHOVA, YAH, TETRAGRAMMATON, SADIA, MESSIAS, AGIOS, ISCHYROS, EMMANUEL, AALA, Jesus que é ALFA e ÓMEGA, o princípio e o fim, para que sejais justamente estabelecidos no fogo, não tendo poder para residir, habitar ou permanecer neste lugar doravante; e exijo a vossa condenação pela virtude dos ditos nomes, a saber, que São Miguel vos expulse para o mais profundo do abismo infernal, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Assim seja.

Conjuro-te, Acham, ou quem quer que sejas, pelos Santíssimos Nomes de Deus, por MALHAME, JAE, MAT, MABRON, JACOB, DASMEDIAS, ELOX, ATERESTIN, JANASTARDY, FINIS, AGIOS, IACHYROS, OTHEOS, ATHANATOS, AQLA, JEHOTA, HOMOSION, AGA, MESSIAS, SOTHER, CHRISTOS VINCIT, CHRISTUS IMPERAT, INCREATUS SPIRITUS SANCTUS.

Conjuro-te, Cassiel, ou quem quer que sejas, por todos os ditos nomes, com poder e com exorcismo! Adverte-te pelos outros nomes sagrados do grande Criador, que te são ou serão comunicados; ouve imediata e rapidamente as minhas palavras, e observa-as inviolavelmente, como sentenças do último terrível dia do juízo, que deves obedecer inviolavelmente, nem penses em repelir-me porque sou pecador, pois nisso repeles os mandamentos do Altíssimo Deus. Não sabes que estás privado dos teus poderes diante do teu Criador e do nosso? Pensa, portanto, no que recusas, e empenha, portanto, a tua obediência, jurando pelo dito último terrível dia do juízo, e por Aquele que criou todas as coisas pela Sua palavra, a quem todas as criaturas obedecem. P. pe sedem Baldarey et per gratiam et diligentiam tuam habuisti ab eo hanc nalatimanamilam, como te ordeno.

CAPÍTULO VIII.

PROCESSOS MISCELÂNEOS E MENORES

I SOBRE OBRAS DE ÓDIO E DESTRUIÇÃO.

O seguinte processo aparece em várias cópias manuscritas da “Chave de Salomão”, mas foi omitido pelo editor inglês dessa obra, como outros também o são, presumivelmente como uma interpolação goética. Mas vimos que um processo goético num livro como a “Chave de Salomão” não é necessariamente uma interpolação, enquanto que, no que diz respeito a este exemplo em particular, é quase evidente que é uma parte integrante dessa duvidosa coleção. No segundo capítulo do primeiro livro, somos informados de que os dias e horas de Marte são adequados para derrubar inimigos, enquanto as horas de Saturno e Marte, e também os dias em que a Lua está em conjunção com esses planetas, são excelentes para experiências de ódio, inimizade, rixa e discórdia. No primeiro capítulo do segundo livro, diz-se: Quanto às operações de destruição e desolação, devemos pô-las em execução no dia de Saturno à primeira hora, ou antes à oitava ou décima quinta do dia, e da primeira até à oitava hora da noite. Destas afirmações parece justo inferir que deve ter havido uma secção contendo instruções sobre a realização de tais obras. Nesse caso, a “Chave de Salomão” não é melhor nem pior do que qualquer outro Grimório de Magia Negra. Os apologetas da Clavícula citarão provavelmente em sua defesa uma passagem que ocorre no Livro i. c. 8, na qual o autor oferece os seus segredos na condição expressa de que não sejam usados para arruinar e destruir o próximo. Mas, quando se fizeram todas as concessões para esta estipulação, faremos bem em lembrar que avisos semelhantes não faltam em rituais puramente goéticos. Há ainda outra prova pela qual a autenticidade do seguinte processo pode ser em grande parte determinada, e essa é a forma como é redigido, que corresponde de perto com a forma predominante da Clavícula. É uma formulação vaga e geral, abrangendo várias classes de experiências, e pode ser comparada com os Livros I. c. xv., xvi., xvii., nos quais se encontram as mesmas características.

Deposite a imagem nalgum lugar perfumado com odores malignos, especialmente os de Marte, como enxofre e assa-fétida. Deixe-a ficar aí durante uma noite, tendo-a devidamente aspergido, observando a hora e o tempo adequados. Faça o mesmo quando a experiência for realizada com caracteres e nomes, tocando os amantes com palavras, ou por qualquer outro modo. Mas quando a experiência for feita dando algo para comer, a mesma deve ser realizada no dia e hora próprios para este trabalho. Estando todas as coisas preparadas, coloque-as diante de si, e diga: Onde estais, SOIGNATORE, USORE, DILAPIDATORE, e DENTORE; CONCISORE, DIVORATORE, SEDUCTORE, e SEMINATORE? Vós que semeais a discórdia, onde estais? Vós que infundis ódio e propagais inimizades, conjuro-vos por Aquele que vos criou para este ministério, para cumprires esta obra, a fim de que, quando N. [nomeando a pessoa] comer de tais coisas, ou as tocar, de qualquer maneira, nunca mais vá em paz.

Dê então o que quiser à pessoa designada, mas que seja na hora de Saturno ou na de Marte, observando todas as coisas necessárias para tais experiências.

§ 2. SOBRE EXPERIÊNCIAS VENÉREAS.

Vimos que o feiticeiro da Idade Média era geralmente sórdido e necessitado; portanto, cobiçava tesouros: era geralmente desprezado e, portanto, desejava o domínio, o prestígio do mistério e o poder das artes estranhas: era geralmente solitário e libidinoso e, portanto, procurava, por meio de feitiços e filtros, compelir o desejo das mulheres. Ser rico em bens mundanos, pisar os inimigos e satisfazer os desejos da carne – tais são os fins, variadamente qualificados e variadamente atingidos, da maioria da Magia Cerimonial, e, portanto, os Rituais abundam em Experiências Venéreas.

Em Grimórios como o Grimorium Verum, não há tentativa de ocultar a sua natureza ilícita; na “Chave de Salomão” é dissimulado, mas o processo para obter favor e amor que ocorre nessa obra não é realmente uma experiência mais lícita do que a de “Fazer vir uma Moça encontrar-vos, por mais sábia que seja”. A “Chave de Salomão” é reticente e os Grimórios são francos; uma promete o cumprimento do desejo do operador sem o definir; os outros são explícitos e particulares. É verdade também que um recorre a Adonai e implora a sua assistência, enquanto os outros invocam os poderes do Inferno.

O livro da “Verdadeira Magia Negra” ignora, por uma vez, a experiência da Clavícula e substitui a seguinte:—

§ 3. SOBRE A EXPERIÊNCIA DO AMOR.

Qualquer que seja a pessoa alvo desta experiência, seja homem ou mulher, é necessário, ao fazê-la, observar o dia e a hora próprios, e notar ainda que se realiza por meio de uma imagem de cera ou de outra matéria adequada. Antes de a compor, diga as seguintes palavras sobre a cera: NOGS, JES, ASTROPOLIM, ASMO, COCCAV, BERMONA, TENTATOE, SIGNATOR – Conjuro-vos, ministros do amor e da impureza, por Aquele que vos condenou ao inferno! Consagrai esta cera de maneira regular, para que adquira a virtude desejada, pelo poder do Santíssimo Adonay, que vive e reina para todo o sempre. Amém.

A imagem deve então ser composta e os caracteres adequados inscritos nela com a pena de ganso macho da Arte, após o que deve ser fumigada enquanto recita as seguintes palavras: – Ó tu, poderosíssimo Rei Paymon, cujo absoluto domínio e reinado é na região ocidental! Ó tu, Egim, Rei fortíssimo, cujo império é na região fria! Ó tu, Asmodeu, que governas no sul! Ó tu, Aymamon, nobilíssimo Rei, monarca do mundo oriental, cujo reinado começou desde os tempos antigos e durará até ao fim dos tempos! Invoco e suplico-vos por Aquele que falou e tudo foi feito, cuja única palavra criou tudo, a quem todas as criaturas obedecem; pelo assento da Sua Majestade; pela Sua Vontade e pelo Seu Nome; por Aquele que foi antes das eras e criou as eras; cujo Nome está escrito com as quatro letras JOD, HE, VAU, HE; pelos encantamentos e poder dos mesmos; e por todos os nomes insignes do Criador; conjuro-vos a consagrar esta imagem, e a conceder que ela adquira virtude de acordo com o nosso desejo, pelo Santíssimo Nome Adonay, cujo poder é sem princípio nem fim.

Feito isto, conjure com a Conjuração da imagem, e se a mulher ou o homem não aparecer, coloque a dita imagem debaixo da almofada da sua cama, e antes de três dias vereis coisas admiráveis, enquanto cadeias ou terra não impedirão a pessoa desejada de vir ter convosco, para o cumprimento do vosso propósito, nada sendo excetuado.

Mas se a experiência for para encontrar a pessoa amada, coloque a imagem debaixo da porta que ela deve passar. Em qualquer dos casos, deve ser feito um pó e lançado sobre a pessoa, ou dado com a sua comida ou bebida. As solenidades das horas, matérias e instrumentos devem ser fielmente observadas, e os Espíritos conjurados pelo nome, dizendo também: Conjuro e constranjo-vos, vós, Demônios, que tendes o poder de perturbar os corações dos homens e das mulheres! Por Aquele que vos criou do nada e por esta imagem, conjuro-vos esta noite na minha presença, para que eu tenha o poder de compelir quem quer que eu queira a amar-me, seja homem ou mulher.

Quando os caracteres e imagens estiverem preparados, diga sobre eles: Conjuro-vos, ó Anael, Donquel, Theliel, príncipes do amor, com todos os vossos ministros, que tendes o poder de encher de calor os corações dos homens e das mulheres, e de acender o fogo do amor! Conjuro-vos por Aquele que está sentado sobre os Querubins e guarda os abismos, por Aquele que faz o mundo tremer, a quem todas as criaturas obedecem! Concede que estes caracteres e figuras possuam esta virtude, que tal homem ou mulher me ame, me deseje, e arda pelo meu amor, e que seja impossível para ele ou ela amar qualquer pessoa senão a mim.

Coloque a imagem num recipiente durante uma noite, opere no dia e na hora apropriados, e vereis uma maravilha.

O compilador do Grimorium Verum, que parece ter selecionado quase invariavelmente os processos mais bizarros, instrui os seus alunos

COMO FAZER APARECER TRÊS SENHORAS OU TRÊS CAVALHEIROS NO QUARTO DE ALGUÉM DEPOIS DO JANTAR.

§ I. Preparação.

Abstenha-se durante três dias de desenhar Mercúrio, e então levantar-se-á. No quarto dia, limpará e preparará a sua câmara assim que for de manhã, imediatamente depois de se vestir, em jejum. Mas veja que o faça de tal maneira que não esteja sujeita a desarrumação durante o resto do dia. Note que não deve haver batidas, nem nada colocado transversalmente, nem tapeçarias, nem roupas penduradas, chapéus, gaiolas de pássaros, cortinas de cama, &c. Acima de tudo, coloque lençóis limpos na sua cama.

§ 2. Cerimónia.

Depois do jantar, passe em segredo para a sua câmara, preparada como acima; acenda um bom fogo; coloque um pano branco sobre a mesa, em volta da qual coloque três cadeiras, e diante de cada cadeira, sobre a mesa, coloque um pão de trigo e um copo cheio de água fresca e limpa. Por último, coloque uma poltrona e uma chaise longue ao lado da cama, e retire-se para descansar, proferindo a seguinte

CONJURAÇÃO.

Besticitum consolatio veni ad me vertat Creon, Creon, Creon, cantor laudem omnipotentis et non commentur. Stat superior carta bient laudem omviestra principiem da montem et inimicos meos ô prostantis vobis et mihi dantes neur three perming, aring an ed, it he thens or her who has entertained them; pois se for uma jovem que realiza esta cerimónia, três cavalheiros virão; mas se for um homem, três jovens aparecerão. Os ditos três pessoas sortearão entre si para saber qual delas ficará consigo. Se for um homem o operador, aquela que ganhar colocarse-á na poltrona que colocou ao lado da cama, e permanecerá e conversará consigo até à meia-noite, hora em que partirá com as suas companheiras, sem necessidade de despedida. Quanto aos outros dois, manter-se-ão junto ao fogo, enquanto o outro o entretém. Enquanto ela ficar, poderá interrogá-la sobre qualquer arte ou ciência, ou sobre qualquer assunto que seja, e ela dar-lhe-á imediatamente uma resposta positiva. Pode também perguntar-lhe se tem conhecimento de algum tesouro escondido, e ela instruí-lo-á sobre a sua localidade e a época precisa adequada à sua remoção. Ela aparecerá mesmo lá com os seus companheiros para o defender dos assaltos dos Espíritos Infernais que possam tê-lo em sua posse. Ao partir, ela lhe oferecerá um anel, que, usado no dedo, o tornará sortudo no jogo, enquanto se for colocado no dedo de qualquer mulher ou rapariga, terá imediatamente o seu prazer com elas. Observe, no entanto, que deve deixar a janela aberta para que elas possam entrar.

Esta cerimónia pode ser repetida frequentemente à vontade do operador.

Deve-se reconhecer que a experiência acima oferece um grande retorno por muito pouco trabalho na preparação e, portanto, é muito popular entre os fabricantes de Grimórios. A mesma observação se aplica ao seguinte processo, que é comum às partes suplementares do “Grande Grimório”, do Grimorium Verum, do “Grimório de Honório” e da maioria das coleções menores. É descrito como uma experiência do maravilhoso poder das Inteligências Superiores. A natureza da superioridade pode, no entanto, ser inferida do título.

FAZER COM QUE UMA RAPARIGA O PROCURE, POR MAIS PRUDENTE QUE ELA SEJA.

Quer no aumento ou no minguante da Lua, deve-se observar uma estrela entre as onze horas e a meia-noite. Mas antes de começar, faça o seguinte. Pegue num pergaminho virgem. Escreva nele o nome daquela cuja presença deseja. O pergaminho deve ter a forma representada na figura seguinte. No outro lado, inscreva estas palavras: Melchiael, Bareschas. Depois, coloque o seu pergaminho no chão, com o nome da pessoa contra o solo. Coloque o pé direito sobre ele, enquanto o joelho esquerdo está dobrado sobre a terra. Nesta posição, observe a estrela mais brilhante do firmamento, segurando na mão direita uma vela de cera branca suficientemente grande para durar uma hora, e recite a seguinte

CONJURAÇÃO

Saúdo e conjuro-vos, ó bela Lua, ó bela Estrela, ó brilhante luz que seguro na minha mão! Pelo ar que respiro, pelo sopro que está dentro de mim, pela terra que toco, conjuro-vos, e por todos os nomes dos espíritos que são príncipes que residem em vós; pelo inefável Nome ON, que criou tudo; por ti, ó Resplandecente Anjo Gabriel, juntamente com o Príncipe Mercúrio, Miguel e Melquidael! Conjuro-vos novamente por todos os nomes divinos de Deus, para que envieis para obsedar, atormentar e perseguir o corpo, espírito, alma e cinco sentidos da natureza de N., cujo nome está aqui escrito abaixo, de tal maneira que ela venha ter comigo e cumpra a minha vontade, não tendo amizade por ninguém no mundo, mas especialmente por N., enquanto ela for indiferente para comigo. Assim ela não suportará, assim será obsedada, assim sofrerá, assim será atormentada. Ide então prontamente; ide, Melquidael, Baresches, Zazel, Firiel, Malcha, e todos aqueles que estão sem vós. Conjuro-vos pelo grande Deus vivo para cumprir a minha vontade, e eu, N., prometo satisfazer-vos devidamente.

Tendo pronunciado três vezes esta conjuração, coloque a vela sobre o pergaminho e deixe-a queimar. Pegue no pergaminho no dia seguinte, coloque-o no sapato esquerdo, e deixe-o lá até que a pessoa pela qual operou tenha vindo procurá-lo. Deve especificar na Conjuração o dia em que deseja que ela venha, e ela não falhará.

Este processo tem as suas desvantagens e até as suas dificuldades. Parece absurdo supor que existem Príncipes Espíritos habitando a chama de uma vela, e o tratamento invocado sobre a senhora é de tipo turbulento, nem há qualquer pretexto plausível para justificar a posição do rival amoroso; mas tem o toque do pitoresco e, fazendo todas as concessões para as potências que podem residir em Sator, Arepo, Tenet, Opera, Rotas, não sofre seriamente em comparação com o método da Clavícula.

§ 3. SOBRE A EXPERIÊNCIA DA INVISIBILIDADE.

Veremos mais adiante que há certos processos encontrados nos Grimórios que não se conectam com a Magia Negra senão pelo seu lugar nos Grimórios. Há também outros processos que não são em si goéticos, mas são objetáveis devido ao abuso a que estão sujeitos. É curioso observar como experiências deste tipo num Ritual aparecem sob uma aparência inofensiva, e noutro apresentam todas as marcas do diabolismo. A experiência da Invisibilidade, com que aqui nos ocupamos, ilustra todos estes pontos.

Aqui a Magia Cerimonial pretende colocar os seus adeptos na posse do anel de Giges. Supondo que a “Chave de Salomão” é o mais antigo de todos os Rituais, é lá que o processo formal ocorre pela primeira vez. Realiza-se, no entanto, sem a intervenção de um anel, por meio de uma simples invocação preliminar e de uma invocação a Almiras, Mestre e Chefe da Invisibilidade, sendo tudo o que possa ser necessário para a ocasião particular, como caracteres e círculos, deixado à discrição do operador. Há também um processo complementar por meio de uma imagem de cera que ocorre numa cópia manuscrita, e é dado pelo editor inglês. Supõe-se que a pessoa que devidamente fez e consagrou esta imagem se torna invisível quando a carrega. Se nos voltarmos agora para o “Livro da Verdadeira Magia Negra”, encontraremos a primeira experiência adaptada como se segue: Antes de fazer a experiência da invisibilidade, estas palavras devem ser memorizadas: Scaboles, Habrion, elae, elimigit, gabolii, Semitrion, Mentinobol, Sabaniteut, Heremobol, cane, methé, baluti, catea, timeguel, bora, pelo império que exerceis sobre nós, cumpri esta obra, para que eu me torne invisível. As ditas palavras devem ser escritas com o sangue antes mencionado e recitada a seguinte Conjuração: – Ó vós, Espíritos da Invisibilidade, conjuro e constranjo-vos a consagrar imediatamente este experimento, para que, certa e sem artifício, eu possa andar invisível. Além disso, conjuro-vos por Lúcifer, vosso príncipe, pela obediência que lhe deveis, e pelo poder de Deus, a auxiliar-me imediatamente, consagrando este experimento, sem perda do meu corpo ou da minha alma. Assim seja, assim seja, assim seja.

Prepare todas as coisas necessárias para esta experiência com a devida solenidade e diligência, como está estabelecido no capítulo próprio; assim operarás com certeza e assim encontrarás a verdade; mas faltando qualquer das coisas necessárias, não atingirás o teu desejo, pois não são os muros, mas os portões que permitem a entrada de qualquer homem numa cidade.

Isto é meramente uma recensão mais curta do processo contido na Clavícula, com a referência a Lúcifer interpolada.

Em vez destas instruções secas e um tanto sem sentido, o Grimorium Verum fornece um processo extremamente curioso, ao mesmo tempo monstruoso e fantástico, recordando as feitiçarias da Tessália, e tendo conexões diretas com o folclore.

Para se Tornar Invisível.

Comece esta operação numa quarta-feira antes do nascer do sol, munido de sete feijões pretos. Pegue em seguida na cabeça de um homem morto, e coloque um dos feijões na sua boca, dois nos seus olhos, e dois nos seus ouvidos. Depois, faça sobre esta cabeça o caráter da figura que aqui se segue. (Omitido em todos os Grimórios.) Feito isto, enterre a cabeça com o rosto voltado para o céu, e todos os dias antes do nascer do sol, durante nove dias, regue-a com excelente aguardente. No oitavo dia, encontrará o espírito citado, que lhe dirá: “Que fazes?” Você responderá: “Estou a regar a minha planta.” Ele dirá então: “Dá-me essa garrafa; eu mesmo a regarei.” Você responderá recusando, e ele voltará a pedir-lhe, mas você persistirá em recusar, até que ele estenda a mão e lhe mostre a mesma figura que você traçou na cabeça suspensa na ponta dos seus dedos. Nesse caso, pode ter a certeza de que é realmente o espírito da cabeça, porque outro poderia apanhá-lo desprevenido, o que lhe traria o mal, e além disso, a sua operação seria infrutífera. Quando lhe tiver dado o seu frasco, ele regará a cabeça e partirá. No dia seguinte, que é o nono dia, você voltará e encontrará os seus feijões maduros. Pegue neles, coloque um na boca, e então olhe-se num espelho. Se não se vir, é bom. Faça o mesmo com o resto, ou podem ser testados na boca de uma criança. Todos os que não responderem devem ser enterrados com a cabeça.

A vantagem da invisibilidade ocasional nas buscas do afeto ilícito parece ter fascinado o compilador do “Pequeno Alberto”, e ele se refere ao adultério de Giges com evidente prazer ao prefaciar o seu processo para a

Invisibilidade por meio de um Anel.

Esta importante operação deve ser realizada numa quarta-feira na primavera, sob os auspícios de Mercúrio, quando se sabe que está conjurado com outros planetas favoráveis, como a Lua, Júpiter, Vénus ou o Sol. Tomando Bom Mercúrio, fixo e bem purificado, componha um grande anel, de modo a passar facilmente sobre o dedo médio da mão. Que o engaste seja enriquecido por uma pequena pedra que se encontra no ninho da abibe, e em volta do anel sejam gravadas as seguintes palavras: Jesus passando.

Em seguida, tendo colocado o anel sobre uma placa em forma de paleta de Mercúrio fixo, componha o perfume de Mercúrio, e exponha o anel três vezes ao odor; embrulhe-o cuidadosamente num pequeno pedaço de tafetá correspondente à cor do planeta, leve-o ao ninho da abibe de onde a pedra foi obtida, deixe-o ficar lá por nove dias, e quando for removido, fumigue-o precisamente como antes. Em seguida, guarde-o e use-o quando necessário. O método de uso é colocar o anel no dedo com a pedra para fora; assim fascinará os espectadores pela sua virtude, de modo que se possa estar presente sem ser visto. Quando o portador já não desejar ser invisível, basta virar o anel, de modo que a pedra fique para dentro, e fechar a mão sobre ele.

Mas Eliphas Lévi afirma que os únicos autores que escreveram seriamente sobre o anel de Giges ou seus equivalentes são Porfírio, Jâmblico e Pedro de Apono; que o seu discurso é alegórico, e que se referem ao Grande Arcano Mágico. Seja como for, o Pequeno Alberto fornece um processo alternativo que afirma derivar destas autoridades, e também de Cornélio Agripa, o mestre de Pedro de Apono. O primeiro requisito é um tufo de cabelo tirado da cabeça de uma hiena, e da parte superior da mesma. Estes cabelos devem ser trançados formando um anel, que deve ser levado, como o outro, para um ninho de abibe e lá depositado durante nove dias. Os perfumes de Mercúrio devem ser usados da mesma maneira. A pessoa que usa este anel ficará invisível, e reaparecerá removendo-o do dedo.

Eliphas Lévi observa que as instruções recordam a história do sino de Rodilardo, mas a crítica é dificilmente proporcional, pois o material é certamente obtível, nem seria necessário apanhar a sua própria hiena. O ponto que escapou ao ocultista será evidente para o leitor comum: a cabeça da hiena é de pelo curto, e os cabelos não poderiam ser trançados. Não é, no entanto, inverosímil que condições impossíveis se associem a um objeto impossível.

§ 4.—SOBRE A MÃO DA GLÓRIA.

Nenhuma pessoa familiarizada com os humores de Ingoldsby terá esquecido a maravilhosa lenda da Mão da Glória, que inclui um excerto dos Grimórios. É menos geralmente conhecido que existem dois processos, servindo utilizações distintas, e não pode haver dúvida de que ambos devem estar na posse de todo operador bem equipado. A posse do primeiro só poderia ser uma fonte de tentação, pois é concebido principalmente para a proteção de ladrões. O segundo torna o arrombamento desnecessário, pois assegura uma competência decente, mas não é, ao mesmo tempo, prejudicial para o seu companheiro, que será útil em várias emergências não, pelo menos tecnicamente, ilegais.

Segundo o Albertus Parvus Lucii Libellas, a Mão da Glória é indiferentemente a mão direita ou esquerda de um criminoso que foi enforcado. O feiticeiro obtém-na como pode, e nos dias da forca de Tyburn, tais requisitos poderiam não ter custado nada além do risco pessoal da aventura; é indispensável, no entanto, que seja envolvida num pedaço de mortalha, e isto sugere que o criminoso deve ter sido anteriormente cortado com vista ao enterro. Assim encerrada, a mão deve ser bem comprimida para forçar a saída de qualquer sangue que possa permanecer no membro, após o que deve ser colocada num vaso de barro, juntamente com algum zimorte, salitre, sal comum e pimenta em grão, tudo pisado. Deve permanecer neste vaso durante quinze dias, e quando extraída, deve ser exposta ao calor do sol durante o tempo do cão estelar até estar extremamente dessecada. Se o calor solar for insuficiente, pode ser colocada numa fornalha aquecida com feto e verbena. O objetivo é extrair toda a gordura do membro, e a partir daí, em combinação com cera virgem e sésamo da Lapónia, compor uma espécie de vela. Onde quer que este objeto horrendo seja aceso, os espectadores serão privados de todo o movimento, e o feiticeiro pode fazer o que quiser na casa enquanto estiverem em transe. É possível destruir a sua influência ungindo o limiar da porta, ou outros lugares através dos quais se possa entrar numa casa, com um unguento composto de fel de um gato preto, gordura de uma ave branca e o sangue de uma coruja-das-torres. Isto também deve ser confeccionado nos dias de cão.

É de lamentar que este processo signal não se baseie no testemunho pessoal do seu historiador, mas ele esteve presente no julgamento de vários que confessaram, sob tortura, que o aplicaram com completo sucesso. É de lamentar também que a experiência alternativa deva permanecer, quanto aos seus materiais, na língua do seu inventor. Ver-se-á, no entanto, que a Mão da Glória não é uma mão, mas uma serpente; o processo não tem, de facto, qualquer ligação com o seu nome, o que está inteiramente de acordo com o génio da Magia Negra.

“Arranque o pêlo com a sua raiz de uma égua no cio, o mais próximo da natureza, dizendo: Dragne, Dragne, Dragne. Ate-o num nó, e vá imediatamente comprar, sem regatear, um novo pote de barro, com tampa. Volte a casa a toda a velocidade; encha o dito pote com água de nascente até duas polegadas da borda. Coloque o seu material dentro, cubra o vaso, e coloque-o onde nem você nem ninguém o possa ver, pois isso é perigo, diz o Grimório. Ao fim de nove dias, e à hora do ocultamento, traga-o para fora, abra-o, e descobrirá um pequeno animal em forma de serpente, que saltará imediatamente. Diga então: Aceito o pacto. Não toque na criatura com a mão, mas transfira-a para uma nova caixa, comprada expressamente, sem regatear; para alimento, dê-lhe apenas cascas de trigo, e essas diariamente. Quando precisar de ouro ou prata, coloque na caixa a quantidade de que necessitar, retire-se para descansar com a caixa ao lado da cama; durma, se quiser, durante três ou quatro horas; depois levante-se, e encontrará o dobro da quantia de dinheiro que confiou à serpente. O que colocou originalmente na caixa deve, no entanto, ser deixado lá; e torna-se, portanto, uma espécie de banco de poupança transcendental que duplica o seu capital diariamente. Se o réptil for de aparência vulgar, não deve tentar mais do que cem francos de cada vez; mas se o seu planeta lhe der o ascendente em coisas sobrenaturais, a serpente terá um rosto humano, e poderá depositar mil francos. Em qualquer dos casos, se o operador se desfizer da sua posse, devem ser observadas duas condições: o recipiente deve ser parte consentânea da dádiva, e uma figura, a ser desenhada em pergaminho virgem, mas omitida pelo Grimório, deve ser colocada na caixa. Se, no entanto, preferir destruí-la, que a serpente seja alimentada, não com o seu farelo habitual, mas com um pouco da farinha usada para a consagração na primeira Missa de um padre, após comer a qual morrerá. No geral, será mais simples reter o animal encantado, tanto mais que as vagas responsabilidades do pacto não são aparentemente transferidas num caso nem anuladas no outro. Não se pretende nenhuma brincadeira, diz o seco autor do Grimorium Verum, mas o processo da Galinha Encontrádoura de Ouro é, no geral, mais simples, como também mais limpo.

§ 5.-SOBRE A VISÃO DOS ESPÍRITOS NO AR.

Para os Mestres da Magia Negra, como para o autor do Conde de Gabalis, o ar é a morada de seres muito diferentes da ave e da mosca, mas o processo pelo qual eles são tornados visíveis é complicado pela natureza excecional dos ingredientes. É, claro, perfeitamente possível obter o cérebro de um galo, e a dissecação com esse objetivo pode talvez ser feita por um representante; a cozinheira ou o ajudante do talhante seriam facilmente contratados. O pó da sepultura de um homem morto é o segundo ingrediente do processo; mas uma visita ao cemitério mais próximo não será suficiente, porque é inútil recolhê-lo à superfície; só o que está junto ao caixão servirá o propósito. Além destas substâncias, há apenas óleo de amêndoas e cera virgem. Deve ser feito um composto dos quatro, e deve ser embrulhado numa folha de pergaminho virgem inscrita previamente com as palavras GOMERT, KAILOETH, e com o caráter de Khil.

É fácil ridicularizar o processo, mas as pessoas reflexivas verão que é a quintessência e o resumo de toda a arte. Isto é a Magia Negra em poucas palavras, uma combinação em proporções iguais do nojento e do imbecil. Há muitas experiências mais elaboradas, mas poucas de um tipo mais representativo. Não é necessário acrescentar que tem sido extremamente popular, e é encontrado na maioria dos Grimórios.

Os materiais sendo assim preparados, resta acendê-los, após o que o operador contemplará o que o Grimório caracteriza como prodigioso, mas não especifica, exceto pela indicação do título. Esta experiência, acrescenta, só deve ser realizada por aqueles que nada temem.

§ 6.—SOBRE A DIVINAÇÃO PELA PALAVRA DE URIEL.

Como há muitas práticas que passam pelo nome de Magia Branca que são pelo menos duvidosas em caráter, assim há experiências descritas nos Grimórios, ou nos tesouros de segredos que os acompanham, não tendo nada de repulsivo na sua natureza; pertencem, no entanto, aos Grimórios; as suas ligações na literatura oculta são as da Magia Negra, e merecem um lugar aqui. Além disso, um processo que num Ritual será meramente curioso ou divertido, hipnótico ou clarividente, pode noutro apresentar todas as marcas exteriores do diabolismo. O modo de divinação denominado Palavra ou Discurso de Uriel – significando respostas ou oráculos obtidos desse espírito invocado cerimonialmente – aparece no Grimorium Verum como uma experiência de lucidez induzida por meio da Hidromancia, mas no Verus Jesuitarum Libellus a Conjuração de Uriel aparece como uma conjuração infernal, e é um processo de Magia Negra.

A experiência no Grimorium Verum é redigida como se segue:—

A INVOCAÇÃO DE URIEL.

Para ter sucesso nesta operação, é necessário que quem faz a experiência faça tudo como aqui se ordena. Escolha uma pequena câmara ou gabinete que não tenha sido frequentado por mulheres impuras durante pelo menos nove dias. Que tal lugar seja bem limpo e consagrado por aspersões e fumigações. No meio da dita câmara, que haja uma mesa coberta com um pano branco, e coloque sobre ela o seguinte, a saber: um frasco de vidro novo cheio de água de nascente, tirada pouco antes da operação; três pequenas velas de cera virgem misturada com gordura humana; uma folha de pergaminho virgem de seis polegadas quadradas; uma pena de corvo cortada pronta para escrever; um tinteiro de porcelana cheio de tinta fresca; uma pequena panela provida dos materiais para um fogo. Que haja também um rapaz de nove ou dez anos, limpo e modestamente vestido e de boa conduta, que deve ser colocado perto da mesa. Uma das três velas deve ser fixada sobre uma agulha grande nova a uma distância de seis polegadas atrás do frasco, e as duas outras, erigidas da mesma maneira, devem estar à direita e à esquerda à mesma distância. Ao arranjar estas coisas, recite as seguintes palavras:—Gabamiah, Adonay, Agla, Ó Senhor Deus dos Poderes, assisti-nos!

O pergaminho virgem deve estar à direita, e a pena com a tinta no lado esquerdo do frasco. As janelas e a porta devem ser fechadas antes de começar a operação. O fogo deve então ser mexido, as velas acesas, e o rapaz colocado de joelhos para que possa olhar para dentro do frasco; observe que ele deve estar de cabeça descoberta e com as mãos unidas. O Mestre da operação deve então ordenar-lhe que olhe fixamente para o frasco, quando, aproximando-se do seu ouvido direito, e em tom de voz moderado, mas tão distintamente quanto possível, faça a seguinte

CONJURAÇÃO.

Uriel, Seraph, Josata, Ablati, Agla, Caila, rogo e conjuro-te pelas Quatro Palavras que Deus proferiu com a Sua boca a Moisés, Seu servo, Josata, Ablati, Agla, Caila, e pelos Nove Céus em que habitas, como também pela virgindade desta criança que está diante de ti, para que apareças, e sem qualquer demora, visivelmente neste frasco, para descobrir, sem disfarçar, a verdade que desejo saber; o que feito, despedir-te-ei em paz e de boa vontade, em Nome do Santíssimo Adonay.

Após esta conjuração, deve-se perguntar ao rapaz se vê alguma coisa no frasco; e se ele responder que vê um Anjo ou outra aparição, o Mestre da operação dirá em tom afável: “Bendito Espírito, sê bem-vindo! Conjuro-te mais uma vez, em Nome do Santíssimo Adonay, para me dares imediato esclarecimento sobre, etc. [Aqui nomeie o assunto sobre o qual deseja informação.] E se, por razões desconhecidas para nós, não quiseres proceder em tom de voz audível, conjuro-te no Santíssimo Nome de Adonay para escreveres no pergaminho virgem aqui presente, entre agora e amanhã de manhã, ou pelo menos revelar-me o que desejo esta noite durante o meu sono.”

Se o Espírito responder ao que é dito, deve ser ouvido respeitosamente; se falhar em falar depois de três vezes fazer a mesma súplica, apaguem-se as velas e retirem-se da câmara, fechando a porta até ao dia seguinte, quando o operador pode regressar de manhã, e aquilo que foi exigido será encontrado dentro, no pergaminho virgem, a menos que tenha sido comunicado durante a noite.

No Verum Jesuitarum Libellus, esta experiência de indução da clarividência por meio de um cálice de visão e um cerimonial fantástico, tendo apenas uma condição monstruosa, é substituída por uma feroz conjuração de muitas páginas, comandando o Espírito Uriel por todas as palavras que jamais saíram da boca do Criador do Céu e da Terra contra os Anjos Malignos, e sob pena de compulsão e tortura, para aparecer diante do operador, um indigno servo de Deus, onde quer que esteja, mesmo no abismo do Inferno. Ele é instruído a aparecer visível e modestamente numa forma humana, e a trazer tudo o que é desejado com toda a tranquilidade e paciência, sem tumulto, sem detrimento, sem cegueira, sem mudez, sem sussurros, sem trovões, sem granizo, sem explosão, sem inchaço, sem tremor. É desnecessário citar toda a citação, pois o processo não está completo; mas é evidente que a Conjuração de Uriel no tratado forjado sobre a Magia dos Jesuítas se destina à compulsão de um demônio, e não à solicitação de favores do Bem-aventurado Espírito do Grimorium Verum.

§ 7.—SOBRE O ESPELHO DE SALOMÃO, ADEQUADO PARA TODOS OS TIPOS DE DIVINAÇÃO.

O seguinte processo encontra-se no Grimorium Verum e noutras compilações. É um modo de divinação análogo ao dado no capítulo anterior. Não se conecta com a Magia Negra senão pelo uso do sangue, e é realmente uma experiência auto-hipnótica fortificada por cerimónias convencionais.

Para Compor o Espelho de Salomão.

Em Nome do Senhor, Amém. Vereis neste espelho todas as coisas que desejardes. Em Nome do Senhor que é bendito, em Nome do Senhor, Amém.

Em primeiro lugar, não façais ações carnais, nem pequeis em pensamento ou ação, durante o período aqui prescrito. Em segundo lugar, realizai muitas boas obras de piedade e misericórdia. Em terceiro lugar, pegai numa placa de aço fino, brilhante e bem polida, ligeiramente côncava, e com o sangue de uma pomba branca inscrevei nela, a saber, nos quatro cantos, os nomes Jehova, Eloym, Metatron, Adonay. Colocai o dito aço num pano branco e limpo. Ora, quando virdes a lua nova durante a primeira hora após o pôr do sol, aproximai-vos de uma janela, erguei os olhos para o Céu com devoção, e dizei: Ó Eterno! Ó Rei Eterno! Deus inefável! Tu que criaste todas as coisas por amor de mim, e por um juízo secreto para a saúde do homem, digna-Te olhar para mim, N., Teu indigníssimo servo, e para esta minha intenção. Digna-Te enviar a mim o Teu Anjo Anael, mesmo sobre este espelho, que ordena, comanda e ordena aos seus companheiros e Teus súbditos, que Tu fizeste, ó Senhor Todo-Poderoso, que foste, que és, que permanecerás eternamente, para que em Teu Nome eles possam julgar e agir com justiça, instruindo-me em tudo o que eu exigir deles.

Por último, lançai sobre carvões em brasa um perfume adequado, e ao lançá-lo, dizei: “Nisto, por isto, e com isto, que derramo diante da Tua face, ó Deus, meu Deus, que és bendito, Três e Um, e na mais sublime exaltação, que estás sentado acima dos Querubins e acima dos Serafins, que hás de julgar o mundo pelo fogo, ouve-me!”

Repeti isto três vezes, e tendo-o feito, soprai também três vezes sobre o espelho, e dizei: “Vem, Anael, vem, e seja do teu agrado estar comigo pela tua vontade, em Nome do Pai poderosíssimo, em Nome do Filho sapientíssimo, em Nome do Espírito Santo vivíssimo! Vem, Anael, em Nome do terrível Jeová! Vem, Anael, pela virtude do imortal Elohim! Vem, Anael, pela direita armada do omnipotente Metatron! Vem a mim, N. (aqui repete o teu nome sobre o espelho), e comanda assim os teus súbditos para que em amor, alegria e paz manifestem aos meus olhos as coisas que me estão ocultas. Assim seja. Amém.”

Tendo dito e feito como acima, erguei os olhos para o céu e dizei: “Ó Senhor Todo-Poderoso, que fazes mover todas as coisas segundo o Teu beneplácito, ouve a minha oração, e seja o meu desejo agradável a Ti! Senhor, ó Senhor, se quiseres, condescende em olhar para este espelho e abençoá-lo, para que Anael, um dos Teus servos, possa pousar nele com os seus companheiros, para me satisfazer a mim, N., Teu pobre e humilde servo, ó Deus, bendito e exaltado acima de todos os Espíritos celestiais, que vives e reinas para todo o sempre. Amém.”

Quando tiverdes realizado estas coisas, fazei o sinal da Cruz sobre vós e sobre o espelho no primeiro e nos dias seguintes, durante quarenta e cinco dias consecutivos, ao fim dos quais Anael vos aparecerá sob a forma de uma bela criança, vos saudará, e ordenará aos seus companheiros que vos obedeçam. Observe que nem sempre são necessários quarenta e cinco dias para compor o espelho. O Anjo aparecerá frequentemente no décimo quarto dia, de acordo com a intenção, devoção e fervor do operador. Quando ele aparecer, pergunte-lhe o que desejar, e rogai-lhe que venha em todas as ocasiões, sempre que o invocares para conceder os teus pedidos. Em ocasiões subsequentes, quando desejares ver neste espelho, não é necessário recitar todas as orações como acima previsto, mas tendo-o perfumado, dizei apenas: “Vem, Anael, vem, segundo o teu beneplácito, &c.”

O perfume de Anael é o açafrão.

Para o despedir, dizei: “Agradeço-te, Anael, porque apareceste e satisfizeste as minhas exigências. Parte, portanto, em paz, e regressa quando te chamar.”

§ 8.—SOBRE OS TRÊS ANÉIS DE SALOMÃO, FILHO DE DAVI.

Mais um processo, que está apenas incidentalmente ligado à Magia Negra, pode ser citado aqui, como complemento dos dados nas secções anteriores. É dificilmente um processo completo, e não é inteligível tal como está no Grimorium Verum, onde os caracteres de que depende são omitidos. A experiência pressupõe que o operador está na posse de um talismã inscrito com os Pentáculos de Salomão, quando lhe é aberta a possibilidade de proceder de acordo com as seguintes instruções:—

Componha o seu círculo, mas antes de entrar nele, perfume-o com almíscar, âmbar, madeira de aloés e incenso. Ao invocar, o perfume deve ser apenas incenso, e tenha cuidado de ter fogo sempre que fizer a invocação, e fumigue apenas em nome do Espírito que quiser chamar. Ao colocar perfume no fogo, diga: “Queimo este N. em nome e para honra de N.” Ao invocar, veja que segura a invocação na mão esquerda, tendo a vara de sabugueiro na direita, enquanto a concha e a faca devem estar aos seus pés. Estando estas coisas arranjadas, coloque-se dentro do círculo; se estiver acompanhado, os seus companheiros devem segurar-se uns aos outros por uma mão. Quando estiver dentro, trace o círculo com a Faca da Arte, e pegue nas varas uma após a outra, dizendo o Salmo quinquagésimo, a saber, Miserere mei. O círculo estando composto, perfume e polvilhe o mesmo com água benta. Depois, escreva os caracteres nos quatro cantos; que o Espírito seja proibido em termos formais de entrar, após o que comece as invocações, que devem ser repetidas sete vezes sucessivas. Quando o Espírito tiver aparecido, faça-o assinar o caráter que segura nas mãos, prometendo vir sempre que for chamado. Peça o que julgar adequado, e será satisfeito. Despeça-o com estas palavras: “Ide em paz para os vossos lugares, e a paz esteja convosco até que regresseis ao meu chamado. Em nome, &c. Amém.”

CAPÍTULO IX.

SOBRE A NECROMANCIA INFERNAL

A comunicação com os mortos tem sido elevada à dignidade da Magia Branca. Aqui é necessário afirmar que os fenômenos do Espiritualismo Moderno devem ser claramente distinguidos dos da antiga Necromancia. A identidade de propósito tende a conectar os métodos, mas estes diferem genericamente. Compará-los seria quase equivalente a dizer que a Arte da Alquimia é semelhante às atividades mercantis porque a aquisição de riquezas é o fim em ambos os casos. Para apreciar a reivindicação do Espiritualismo Moderno, seria necessário exceder os limites desta investigação; é mencionado apenas com o objetivo de o colocar completamente à parte. Só é necessário acrescentar que os escritores ocultos têm por vezes procurado, de forma ambiciosa, representar a comunicação com as almas dos mortos por meio da Magia Cerimonial como algo muito mais exaltado do que o mero Espiritualismo, quando o oposto está mais próximo da verdade. A Necromancia antiga era bárbara e horrível nos seus ritos; é apenas sob os auspícios de Eliphas Lévi e de Pierre Christian que tem sido purificada e civilizada, mas nas mãos destes magos elegantes tornou-se simplesmente um processo de auto-alucinação, não tendo qualquer consequência científica. O segredo da verdadeira evocação pertence aos santuários ocultos; não é o processo do Espiritualismo, e ainda menos, tanto quanto se pode depreender, é o dos Rituais mágicos, nem seria, na melhor das hipóteses, o segredo parecer respeitado por aqueles que o possuem, porque a alma superior do homem transcende a evocação, e aquilo que responde está abaixo do iniciado.

Em qualquer caso, a Necromancia dos Rituais é, propriamente falando, um departamento da Magia Negra, e por esta razão, sem dúvida, foi excluída do esquema teúrgico do “Arbatel”; nem mesmo obras compostas como as duas Chaves de Salomão e os “Elementos Mágicos” contêm qualquer relato de um processo que sempre foi tido em execração. Era aparentemente lícito para o Mago conjurar e compelir os demônios, atormentar a hierarquia do Inferno pela agonia dos Nomes Divinos, mas devia deixar os mortos em paz.

Onde o processo é dado, como no Quarto Livro de Cornélio Agripa, está confinado à evocação daqueles que, presume-se razoavelmente, estão condenados; envolve ritos revoltantes. Assume que o mau vivente era considerado o meio de vida física, e por isso também uma porção do próprio corpo, seja carne ou osso, era prescrita no rito. Não há necessidade de dizer que as evocações que envolvem o uso de tais materiais pertencem à Magia Negra, e não oferecem qualquer característica redentora à consideração do estudante imparcial.

“… Portanto, os lugares mais adequados para o propósito são os cemitérios, e, melhor ainda, aqueles que foram o cenário da execução de sentenças criminais”, em palavras simples, a vizinhança imediata de uma forca. Um campo de batalha ou outro local de matança pública é ainda mais favorável, mas o melhor de todos é o cenário de um assassinato antes da remoção do cadáver.

O ritual da Evocação Necromântica é indicado mas não dado pela autoridade citada; devemos procurá-lo em Ebenezer Sibley e nas partes suplementares do “Grande Grimório” e do “Dragão Vermelho”. O astrólogo Sibley não dá conta das suas fontes, mas elas evidentemente não estavam em livros impressos. O Manuscrito Sloane numerado 3884 na Biblioteca do Museu Britânico parece ter sido um deles. É, em qualquer caso, não um processo inventado; desenvolve os princípios estabelecidos no pseudo-Agripa, e está inteiramente de acordo com o génio nefasto da Magia Negra. É aqui dado verbatim.

Mas se, em vez de espíritos infernais ou familiares, o fantasma ou aparição de uma pessoa falecida deve ser exorcizado, o Mago, com o seu assistente, deve dirigir-se ao cemitério ou túmulo onde o falecido foi enterrado, exatamente à meia-noite, pois a cerimónia só pode ser realizada durante a noite entre as horas de doze e uma. O túmulo deve primeiro ser aberto, ou feita uma abertura pela qual se possa aceder ao corpo nu. O mago tendo descrito o círculo, e segurando uma varinha mágica na mão direita, enquanto o seu companheiro ou assistente carrega uma tocha consagrada, volta-se para todos os quatro ventos, e, tocando o corpo morto três vezes com a varinha mágica, repete o seguinte:—Pela virtude da Santa Ressurreição, e pelos tormentos dos condenados, conjuro e exorcizo-te, Espírito de N. falecido, para responder às minhas legítimas exigências, sendo obediente a estas sagradas cerimónias, sob pena de eterno tormento e aflição… Berald, Beroald, Balbin, Gab, Gabor, Agaba. Levanta-te, levanta-te, ordeno e comando-te.

Após estas formas e cerimónias, o fantasma ou aparição tornar-se-á visível, e responderá a qualquer pergunta que lhe seja feita pelo exorcista. Mas se se desejar interrogar o espírito de qualquer cadáver que se tenha enforcado, afogado, ou de outra forma suicidado, a conjuração deve ser realizada enquanto o corpo jaz no local onde é encontrado pela primeira vez após o suicídio ter sido cometido, e antes de ser tocado ou removido. A cerimónia é a seguinte. O exorcista amarra no topo da sua varinha um molho de Hipérico ou Milfurado, com a cabeça de uma coruja; e tendo-se dirigido ao local onde o cadáver jaz, à meia-noite, desenha o círculo e repete solenemente estas palavras:—Pelos mistérios do abismo, pelas chamas de Banal, pelo poder do Oriente e pelo silêncio da noite, pelos Santos Ritos de Hécate, conjuro e exorcizo-te, tu, espírito angustiado, para te apresentares aqui, e revelares-me a causa da tua calamidade, porque fizeste violência à tua própria vida, onde estás agora em ser, e onde estarás doravante.

Então, batendo suavemente no cadáver nove vezes com a vara, acrescenta:—Conjuro-te, tu, Espírito deste N. falecido, para responder às minhas exigências que te proponho, como esperas pelo descanso dos santos e alívio de toda a tua miséria; pelo Sangue de Jesus que Ele derramou pela tua alma, conjuro-te e obrigo-te a proferir-me o que te perguntar.

Depois, cortando o cadáver da árvore, colocarão a sua cabeça virada para o oriente; no espaço em que esta conjuração seguinte é repetida, colocarão um braseiro de fogo à sua direita, no qual deitarão um pouco de vinho, mástique e goma-aromática, e por último o conteúdo de um frasco cheio do mais doce óleo. Terão também um par de foles e algum carvão por acender para fazer o fogo arder intensamente quando o cadáver se levantar. A conjuração é esta:—

Conjuro-te, tu, Espírito de N., que entres imediatamente no teu antigo corpo novamente, e respondas às minhas exigências, pela virtude da Santa Ressurreição, e pela postura do corpo do Salvador do mundo, ordeno-te, conjuro-te, comando-te, sob pena dos tormentos e errância de três vezes sete anos, que eu, pela força dos sagrados ritos mágicos, tenho poder para te infligir; pelos teus suspiros e gemidos, conjuro-te a proferir a tua voz. Que Deus te ajude e as orações da Santa Igreja. Amém.

Esta cerimónia sendo repetida três vezes, enquanto o fogo arde com mástique e goma-aromática, o corpo começará a erguer-se, e finalmente ficará de pé diante do exorcista, respondendo com uma voz débil e cavernosa às perguntas que lhe são feitas: porque se destruiu, onde é a sua morada, qual é a sua comida e vida, quanto tempo passará até entrar em repouso, e por que meios o mago pode ajudá-lo a alcançar o repouso; também dos tesouros do mundo, onde estão escondidos. Além disso, pode responder muito pontualmente sobre os lugares onde os fantasmas residem, e sobre a maneira de comunicar com eles, ensinando a natureza dos Espíritos Astrais e dos seres infernais tanto quanto a sua capacidade o permite. Tudo isto quando o fantasma tiver respondido completamente, o mago deve, por compaixão e reverência ao falecido, usar todos os meios possíveis para obter repouso para o espírito, para o que deve cavar uma sepultura, e, enchendo-a até metade com cal viva, com um pouco de sal e enxofre comum, deve colocar o cadáver nu nela. Depois de queimar o corpo até às cinzas, isto é de grande força para acalmar e pôr fim à perturbação do Espírito Astral. Mas neste e em todos os casos em que os fantasmas ou aparições de pessoas falecidas são evocados e consultados, deve-se ter grande cuidado por parte do Mago para se manter dentro do círculo; pois se, pela constelação e posição das estrelas no seu nascimento, ele estiver no predicamento daqueles que seguem a Arte Negra para fins iníquos, é muito perigoso conjurar quaisquer espíritos sem descrever a forma do círculo, e usar sobre o coração, ou segurar na mão, o Pentáculo de Salomão. Pois os fantasmas dos homens falecidos podem facilmente efetuar a morte súbita do mago nascido sob tal constelação dos planetas, mesmo no ato de ser exorcizado.

Deve-se confessar que este processo é sombrio e deprimente, e o estudante de ocultismo não invejará o feiticeiro ao primeiro palpitar do cadáver. No entanto, o rito é metódico, e até sóbrio, quando comparado com a alternativa monstruosa do “Grande Grimório”, que deve ser dada com base na autoridade de Lévi; pois nenhuma edição disponível da obra em questão, nem do “Dragão Vermelho”, nem de qualquer ritual do nosso conhecimento, a contém.

“Há também processos necromânticos, compreendendo o arrancamento de terra das sepulturas com as unhas, arrastar alguns dos ossos, colocá-los transversalmente sobre o peito, depois assistir à missa da meia-noite na Véspera de Natal, e sair da igreja no momento da consagração, gritando ‘Que os mortos se levantem dos seus túmulos!’ — depois regressar ao cemitério, pegar num punhado de terra mais próximo do caixão, correr de volta para a porta da igreja, que foi alarmada pelo clamor, depositar os dois ossos transversalmente, gritar novamente, ‘Que os mortos se levantem dos seus túmulos!’ — então, se escaparmos de ser presos e encerrados num hospício, retirar-nos a passo lento, e contar quatro mil e quinhentos passos em linha reta, o que significa seguir uma estrada larga ou escalar muros; finalmente, tendo percorrido este espaço, deitar-nos sobre a terra como se estivéssemos num caixão, repetindo em tons dolentes, ‘Que os mortos se levantem dos seus túmulos!’ — e chamar três vezes a pessoa cuja aparição se deseja.”

O objetivo das evocações necromânticas era muito o mesmo que as outras operações dos Grimórios. Se o feiticeiro de outrora, como o mago moderno, tivesse alguma vez desapossado a sombra de Apolónio do seu descanso eterno, teria sido sobre uma questão de finanças. O processo restante em Necromancia será uma conclusão apropriada para toda a nossa investigação, pois é concebido para levantar e expulsar um espírito humano que se supõe estar de guarda sobre um tesouro escondido. É do Verus Jesuitarum Libellus, e é o ne plus ultra da Magia Cerimonial. O fim de todas as coisas é o dinheiro, diz o feiticeiro, e se lhe perguntarem para definir a Ciência Oculta, ele responderia que era o método de obter dinheiro escondido. O testemunho de toda a literatura coincide com esta definição.

UMA CONJURAÇÃO PARA OS ESPÍRITOS GUARDIÕES DE TESOURO ESCONDIDO.

Cito, exijo e ordeno-te, Espírito Humano, que frequentas este lugar, e na tua vida enterraste aqui o teu tesouro, que também de recente, a saber, no dia ou noite de…. cerca da hora de…. te mostraste na forma de um fogo neste local: conjuro-te por Deus Pai, por Deus Filho, por Deus Espírito Santo, pela gloriosíssima e Santa Mãe de Deus, pelas santíssimas chagas do nosso Salvador, por todos os milagres realizados através das Suas divinas dores, paixão e lágrimas, pela Sua morte material, pela Sua descida ao Inferno, pela Sua triunfante Ressurreição, pela Sua gloriosíssima ascensão ao Céu, pela Sua sessão à direita de Deus Pai, dando dali regra aos Seus anjos sobre toda a terra. Conjuro-te pelo terrível Dia do Juízo, pelo poder e virtude de São João Batista, por todos os mártires, apóstolos e profetas. Vem a mim. Adjuro e suplico-te pelos terríveis, inefáveis e Divinos Nomes inscritos nesta folha, e em reverência e confissão do seu poder, para vires diante de mim, e para fazeres visível o teu sinal, sem relâmpagos, sem trovões, sem ruído de tempestades terríveis, sem causar medo ou tremor, dano ao corpo ou alma, ou incómodo de qualquer espécie. Mas faze a minha vontade em todas as coisas, mesmo como te ordenar, pela virtude do único e estupendo santo Nome, que mesmo os poderes adversos e inferiores do Abismo veneram e adoram, sempre confessando o Todo-Poderoso, de quem todos somos criaturas. Seja isto feito pela virtude de Deus Pai, pelo Seu bendito Filho, e pela união do Espírito Santo, mesmo pela Trindade em unidade, que vive e reina para todo o sempre. Amém. Incessantemente chamo, adjuro, conjuro, ordeno e exijo-te, Espírito Humano, pela Santíssima e Indivisa Trindade, pela imortalidade que vem após a morte, pelo poder e vitória do Inferno, pelo portador das Sete Espadas, pelo Santíssimo e Secreto Selo, pelo sagrado amor de Jesus, por todos os Ministros e Arcanjos de Deus, Ofanim, Aralim, Hasmalim, Querubins, Serafins e Malachim, e pelos terríveis tormentos dos demônios. Conjuro-te também pelos bons anjos Maluzim, Penpalabim, e Calizantin, por todos os poderes do Céu, pela terra, e pelos tormentos do Inferno; adjuro-te por todos os mistérios, pela Crucificação, pela dolorosa flagelação, pela coroação de espinhos, pela amargura da morte divina, pelo Santíssimo e Inefável Nome de Jesus, que é sagrado para todos os cristãos, mas terror e angústia para os maus, pois recusaram a salvação que lhes foi oferecida pelo grande Deus vivo. Conjuro-te a vir diante de mim imediatamente, na tua própria forma humana, mesmo como quando o teu tesouro foi enterrado. Vem diante deste círculo, responde-me fielmente, sem falsidade, e sem enigmas. Isto ordeno-te, em Nome e pelo poder do Deus Triúno, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

UMA CONJURAÇÃO QUE COMPELE A OBEDIÊNCIA.

Adjuro e ordeno-te, Espírito Humano, para apareceres diante de mim sob a semelhança de fogo. Pelo inefável Nome de Jeová, pelo inefável e incompreensível Fiat, pelo poder que criou todas as coisas e sustenta todas as coisas, conjuro e adjuro-te a vires visivelmente diante deste círculo. Pela bondade de Deus quando criou o homem à Sua semelhança, pelo poder da Sua justiça, que expulsou os demônios, acorrentando-os no Abismo Infernal, pela Sua infinita misericórdia quando enviou o Seu Filho para nos redimir, por todos os Nomes e Atributos Divinos, pela omnipotência do nosso Salvador Jesus Cristo, destruindo as obras do inferno, abençoando a semente da mulher e capacitando-a a esmagar a cabeça da serpente—responde-me e obedece fielmente. Pelo inefável Nome Tetragrammaton, inscrito nesta vara, responde-me sem engano ou equívoco. Pelo poder do nosso Salvador, que julgará a ti e a mim, os vivos e os mortos, conjuro-te. Vem.

SE O ESPÍRITO FOR OBSTINADO.

Conjuro-te, Espírito Humano, pelo inefável nome de Deus, escrito nesta folha, mas não para ser pronunciado, pelo meu sangue, redimido excellentemente pelo Senhor dos Profetas, Jesus Cristo, pela Sua Gloriosíssima Mãe, pelas insígnias da Sua humilhação, pelo grande livro dos juízos de Deus, pelos anjos, arcanjos e toda a hoste do céu. Sê-me obediente, a mim, cristão batizado nas águas santas do Jordão. Responde-me exatamente, sem enigma ou pretensão. Dá a conhecer o poder que te ajuda. Ordeno-te pelo santíssimo Nome de Deus, que te condenou a frequentar este lugar onde enterraste o teu tesouro. Amém. Amém. Amém.

Citação.

COLPRIZIANA, OFFINA, ALTA, NESTERA, FTARO, MENUET.

Ordem.

Quando o Espírito fizer uma aparição visível, diga:— ADON, SCHADAI, ELIGON, AMANAI, ELION, PNEUMATON, ELI, ALNOAL, MESSIAS, JA, HEYNAN, TETRAGRAMMATON. ALIM. JEHOH, JEHOVAH, AQLA, ON, TETRAGRAMMATON.

Acrescente a seguinte Conjuração:—

Diga interiormente:— ADONAI, ZEBOTE, ADON, SCHADAI, ELION, TETRAGRAMMATON, ELOI, ELOHIM, JA, HAGIOS, HO, THEOS. Amém.

ALLEY, FORTISSIAN, FORTISSIO, ALLINSON, ROA.

A Despedida.

OMOROMA, EPYN, SEYOK, SATANY, DEGONY, EPARYGON, GALLIGANON, ZOGOGEN, FERSTIGON.

Diz-se que as palavras mais bárbaras e uninteligíveis são as mais poderosas na Magia Negra. Como as aqui citadas do Verus Jesuitarum Libellus parecem, na maioria dos casos, agrupamentos fortuitos de letras, são certamente tudo o que se pode desejar, mas coações e conjurações adicionais, caso o espírito do falecido avarento se recuse a aparecer, ocorrerão prontamente ao leitor.

AQUI TERMINA O GRIMÓRIO COMPLETO DA MAGIA NEGRA


650 Páginas. Encadernado em Couro, Tamanho 8 por 10 Pol., 2 Pol. de Espessura.

O Grande Livro da Arte Mágica, Magia Hindu e Ocultismo do Leste Indiano Agora Combinado com O Livro da Magia Secreta Hindu, Cerimonial e Talismânica

AVISO. Encadernação em Couro Marroquino. Número de Pedido e Preço em qualquer encadernação, veja outra página. Digitalizado por roogle

O Grande Livro da Arte Mágica, Magia Hindu e Ocultismo do Leste Indiano Agora Combinado com O Livro da Magia Secreta Hindu, Cerimonial e Talismânica

Um Livro de Utilidade Comprovada que Vive. Publicado e Vendido por Mais de Vinte e Cinco Anos. NOVA DÉCIMA SEGUNDA EDIÇÃO REVISTA.

Encadernado em Couro Genuíno, Estampado a Ouro, Bordas Douradas.

650 Páginas, 30 Ilustrações de Página Inteira, Tamanho 8 por 10 Polegadas, 2 Polegadas de Espessura.

INFORMAÇÃO AUTORITATIVA

AVISO. Este grande Volume é agora fornecido encadernado em Couro Lacre, e também é fornecido encadernado em Couro Marroquino. Os Títulos Laterais e Traseiros de ambas as encadernações são estampados a ouro, com bordas douradas. NÚMERO DE PEDIDO E PREÇO EM QUALQUER ENCADERNAÇÃO, VEJA OUTRA PÁGINA. POR

A Décima Segunda Edição Revista de ‘O GRANDE LIVRO DA ARTE MÁGICA, MAGIA HINDU E OCULTISMO DO LESTE INDIANO,’ com DUZENTAS PÁGINAS ADICIONADAS, constitui o maior agregado de Informação Autoritativa sobre os assuntos de Espiritualismo, Ocultismo e Magia Indiana Oriental já recolhido num único Volume. A sua conveniente disposição permite ao estudante selecionar das centenas de páginas de instrução o ÚNICO FATO que deseja em qualquer momento. Se possui esta obra, não precisa perder tempo com generalidades. A página que lhe dá o que quer é A ÚNICA PÁGINA QUE PRECISA DE OLHAR. Obtém imediatamente o que deseja, tão diretamente como se o autor estivesse presente para fornecer em pessoa aquela orientação prática exigida.

É Aceite Como Uma Obra Padrão e Oficial Por Espiritualistas e Estudantes de Ocultismo em Todo o Mundo. MILHARES VENDIDOS. UM SUCESSO MERECIDO.

“O GRANDE LIVRO DA ARTE MÁGICA, MAGIA HINDU E OCULTISMO DO LESTE INDIANO,” que agora está Combinado com “O LIVRO DA MAGIA SECRETA HINDU, CERIMONIAL E TALISMÂNICA.” Contém 650 Páginas. 30 destas são Finas Ilustrações de Página Inteira. Tamanho 8 por 10 Polegadas. 2 Polegadas de Espessura, Este Volume Maciço pesa quase seis libras quando embalado pronto para expedição. É fornecido Encadernado em Couro Lacre Francês e também Encadernado em Couro Marroquino. Os Títulos Laterais e Traseiros são Estampados a Ouro, Bordas Douradas. Para preço de qualquer destas encadernações, veja a página oposta.

INSTRUÇÕES PARA O AUTO-DESENVOLVIMENTO

Instrução Específica de L. W. de Laurence. Esta é positivamente a melhor e maior obra deste tipo já publicada. Contém um Sistema Completo de Filosofia Oculta; Magia Cerimonial; Magia Natural; Magia, Branca e Negra; Magia e Feitiçaria; Magia Alquímica; Magia Talismânica; Atrações Mágicas; Selos Mágicos; Amuletos, Encantos, Talismãs, e muitas Instruções Secretas e Exclusivas que não são divulgadas aqui ou em qualquer matéria impressa. Dá também as únicas Instruções Específicas e Autênticas para o Auto-desenvolvimento alguma vez escritas por L. W. de Laurence; sendo as mesmas Lições em Maestria; Clarividência; Mediunidade; Projeção do Corpo Astral; Magia Hindu e Ocultismo Oriental. Dá Instruções Específicas e Secretas para o Uso Exclusivo e Informação dos Chelas (Discípulos) de de Laurence em Magia Hindu; Ocultismo do Leste Indiano; Magia Celestial e Natural; Pentáculos Mágicos, e a maneira de os Construir; Magia Alquímica; A Chave para a Composição de Amuletos, Encantos e Selos necessários para a Perfeição de toda a Magia Talismânica, Cerimonial e Celestial; Invocação e Ligação de Espíritos; Exorcismos; Encantamentos; Bênçãos; Conjurações; Clarividência e Mediunidade Hindu.

INVOCAÇÃO E CONJURAÇÃO DE ESPÍRITOS

O GRANDE MISTÉRIO OCULTO DO SER. Ensina toda a Ciência e Arte da Necromancia; a Virtude Mágica dos Selos, Encantos, Amuletos, Números, Nomes Divinos, Caracteres Místicos, Símbolos, Gravuras, Cerimónias Mágicas, Formas, Invocações e Materiais usados pelos Adeptos Hindus, Mestres Lamas, Remédios Contra Feitiçaria, Espíritos Malignos, Bruxaria e Feitiços.

Precisa proteger um vínculo familiar?

O Portal Parental reúne informação clara, orientação inicial e caminhos práticos para quem enfrenta afastamento, conflitos de guarda, falsas narrativas ou dificuldades de convivência com filhos e familiares.

Este conteúdo tem finalidade informativa e educativa. Não substitui orientação jurídica, psicológica ou institucional individualizada. Situações de violência real devem ser tratadas com seriedade, proteção imediata e atuação das autoridades competentes.